O caos em que se encontra o Valencia nunca esteve tão em evidência. Embora os problemas internos do clube espanhol não tenham tido início recentemente, tem sido nesta temporada que o time vem apresentando resultados muito preocupantes em campo. Até o momento, com La Liga já na metade, foram apenas 12 pontos somados. Com isso, o risco de rebaixamento se faz extremamente presente e é um fantasma no vestiário do Mestalla, fatos que levam torcedores a protestar, ex-jogadores a lamentar publicamente, em entrevistas, a situação, e ex-cartolas a falar sobre a gestão vigente, encabeçada pelo singapurense Peter Lim.

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“O que este senhor, o atual dono do Valencia, sabe sobre futebol?”, questionou Paco Roig, presidente do clube entre 1994 e 1997. “Aquele cara que colocaram no cargo, o inglês que é comentarista, foi o pior treinador que já vi na minha vida”, criticou o ex-dirigente em entrevista ao veículo espanhol La Sexta, se referindo a Gary Neville. Roig também não teve uma administração de muito sucesso se tratando de êxitos em campo enquanto esteve no comando do clube, a não ser pelo fato dos Che terem sido vice-campeões do Campeonato Espanhol em 1995/96, quando ficaram a quatro pontos atrás do Atlético de Madrid. No entanto, sua gestão foi mais consciente e menos focada no lado corporativista e de negócios do futebol.

Comandar o Valencia tecnicamente foi a primeira e única experiência de Neville como treinador. O irmão mais velho de Phil só foi apontado ao cargo por Peter Lim ser detentor de 50% das ações do Salford, clube em que a outra metade pertence aos irmãos Neville e outros três ídolos do Manchester United: Paul Scholes, Ryan Giggs e Nicky Butt. E apesar de ter sido uma escolha fundamento e demitido após três meses de ocupação, Gary teve o melhor percentual de aproveitamento e gerenciou o Valencia por mais jogos do que qualquer outro técnico em 2016 (além dele, Pako Ayestarán, Voro e, por último, Cesare Prandelli passaram pelo cargo no ano passado).

Foi, contudo, com Neville como técnico dos Che que o time valenciano viveu uma das maiores humilhações de sua história. Para enfrentar o Barcelona pela Copa do Rei na temporada passada, o ex-treinador do Valencia optou por deixar de lado o pragmatismo e apostar na ousadia de escalar quatro laterais e apenas um atacante. O resultado foi traumático: 7 a 0 para a equipe da Catalunha. Quer dizer, traumático para os torcedores e cartolas que se importam com o clube, porque mesmo após o atropelamento e os resultados insatisfatórios, o inglês foi deixado no cargo por mais dois meses.