A saída de Pep Guardiola do Bayern de Munique teve algumas polêmicas e, entre elas, a médica. O treinador ficou no clube de 2013 a 2016, quando saiu para treinar o Manchester City. Entre as brigas, aquela com o departamento médico surgiu no depoimento de vários dos envolvidos. Agora, surge mais um. O ex-médico do clube bávaro, Hans-Wilhelm Müller Wohlfahrt, falou sobre os conflitos com o ex-técnico do clube ao dizer que “ele sabia mais do que eu”.

O treinador assumiu o posto em 2013, depois da melhor temporada da história do clube, com a tríplice coroa sob o comando de Jupp Heynckes. Guardiola conquistou títulos, com três taças da Bundesliga, duas Copas da Alemanha, uma Supercopa da Uefa e um Mundial de Clubes. Onde o técnico era mais cobrado, a Champions League, não conseguiu passar da semifinal, onde chegou nos três anos que dirigiu a equipe.

Müller-Wohlfahrt foi médico do Bayern por 40 anos e trabalhou no clube até junho deste ano. “Foi uma decisão racional”, afirmou o médico, de 77 anos. Os atritos com Guardiola por divergências nas avaliações dos atletas o levou a sair do Bayern em 2015 até 2017, quando retornou para mais três anos no clube.

“Simplesmente não pude aceitar o fato de que um jovem treinador, que teve muito sucesso e provavelmente é um dos maiores, interferiu nos assuntos médicos do clube e sabia tudo mais do que eu”, relatou o médico ao BR24. O catalão não era o único com quem o médico se desentendia. Com Jürgen Klinsmann, em 2008, houve desavença similar, embora com consequências menores para o médico – mas piores para o técnico, que foi demitido pelos resultados ruins.

Apesar do conflito com Guardiola, ele afirmou que não guarda ressentimento e, além disso, tem uma boa relação com o atual técnico do Manchester City. “Nós nos encontramos e falamos. Mas também acabou… Nós apreciamos um ao outro, ele aprecia meu trabalho acima de tudo. Isso ele nunca questionou”, contou o médico. Bom, não foi o que pareceu pela fala inicial.

Müller-Wohlfahrt também contou um episódio na Copa do Mundo de 2014, quando ele garantiu que Bastian Schweinsteiger teria condições de jogar a Copa. O meio-campista vinha tendo problemas físicos naquela temporada com uma inflamação no joelho por um longo tempo. A conversa do médico do Bayern com o técnico da seleção, Joachim Löw, foi fundamental para que o jogador estivesse entre os 23 convocados.

“Eu disse para Jogi [apelido de Löw]: Basti não irá jogar os primeiros jogos, mas você pode usá-lo no meio do torneio. E assim aconteceu, então ele se tornou o jogador mais importante”, lembra Müller-Wohlfahrt.

O atual técnico do Bayern, Hansi Flick, foi assistente de Löw na Copa do Mundo de 2014 e conhece bem o trabalho do médico Müller-Wohlfahrt. “Eu sinto muita gratidão. Para mim, ele é o melhor médico que eu conheci”, afirmou Flick antes do jogo contra o Borussia Dortmund, em outubro de 2019.