O processo de venda de Wembley parecia encaminhado. Dono do Fulham, o americano Shahid Kahn fez uma proposta de £600 milhões para comprar o templo do futebol inglês, pertencente à Football Association. Passaria a usar o local como bem entendesse, embora sinalizasse a um acordo para que eventos ligados à FA seguissem sediados no estádio. A diretoria da federação já havia dado o seu sinal verde para o negócio e, no próximo dia 24, o conselho da FA bateria o martelo. Entretanto, os trâmites sofreram um baque nos últimos dias. Um antigo funcionário do Fulham acusou o seu ex-patrão de corrupção no processo. A FA e o DCMS (o departamento público responsável pela gestão do esporte no Reino Unido) foram notificados sobre o caso, também já levado à polícia, para que seja investigado.

O responsável pela denúncia é Craig Kline. O americano trabalhava como assistente do diretor de futebol do Fulham, mas foi demitido na temporada passada, após entrar em conflito com Kahn e com outros membros da comissão técnica, incluindo o técnico Slavisa Jokanovic. No último ano, Kline resolveu fazer uma série de acusações sobre os funcionários do clube nas redes sociais, inclusive de racismo e outros abusos. A polícia rechaçou as afirmações sem provas e as mensagens foram apagadas. Agora, o ex-funcionário voltou à cena dizendo que possui “evidências claras de uma corrupção sistêmica relevante na votação pela venda de Wembley”. Foi o que ligou novo alerta sobre o episódio.

“Recentemente Craig Kline entrou em contato conosco e fez uma série de denúncias sobre o Fulham. Estamos atualmente no processo de analisar estas acusações”, declarou um porta-voz da FA. Já o DCMS aponta que o americano enviou o conteúdo ao departamento e que também foi o responsável por alertar a polícia, para que as investigações se iniciem. Ainda não há a informação sobre qual a profundidade da corrupção, dentro do que Kline acusa, e se ela se deu dentro dos órgãos decisórios da federação inglesa, facilitando o negócio. O interesse de Kahn se tornou público meses depois da demissão de Kline.

Kahn controla o Fulham desde 2013. Dono da 217ª maior fortuna do mundo, o bilionário paquistanês possui amplas áreas de investimento. Nascido em uma família de classe média, o magnata construiu sua fortuna a partir de seus próprios empreendimentos nos Estados Unidos, após se formar em engenharia na Universidade de Illinois. Hoje, possui um império na indústria automotiva, assim como administra o Jacksonville Jaguars, da NFL. E o seu principal interesse se concentra no uso de Wembley para o futebol americano.

Em nota publicada em abril, Kahn afirmou que seu interesse era proteger o mercado que os Jaguars construíram em Londres, após disputar jogos na cidade durante as últimas cinco temporadas da NFL. Além disso, garantiu que a FA poderá continuar usando o estádio, além de reinvestir o dinheiro da venda no desenvolvimento de jogadores e técnicos. A Football Association ainda seria responsável por camarotes, instalações comerciais e outros negócios de hospitalidade do estádio, que ainda não teve suas obras completamente quitadas. O empresário garantiu que seus planos não interferem no Fulham, que seguirá em Craven Cottage.

Ao Telegraph, Kline apontou que denunciou à polícia ameaças feitas por Kahn, depois que ele revelou a má gestão financeira no clube. O americano também garante que outros dirigentes ignoraram suas acusações de que o Fulhame estava fazendo acordos corruptos na contratação de jogadores. Um porta-voz de Kahn respondeu: “Isso não é nada mais do que as mesmas bobagens de sempre e alegações falsas feitas por um antigo funcionário que deixou o clube em 2017. Nada aqui merece uma resposta adicional”.