Ex-companheiro de Kagawa sonha seguir seus passos

Kakitani surgiu junto com Kagawa, mas a indisciplina não deixou que acompanhasse o parceiro. Agora, quer correr contra o tempo perdido

Como esta coluna já mostrou em meados de junho, o futebol japonês teve o que comemorar na temporada europeia 2012/13, com bons destaques em times importantes, principalmente na Alemanha. E um jovem jogador está ávido por mostrar serviço nas ligas mais importantes do velho continente.

Nascido em Osaka, em 3 de janeiro de 1990, o atacante Yoichiro Kakitani começou a dar seus toques na bola com quatro anos, nas divisões de base do Cerezo Osaka. O primeiro contrato profissional foi assinado aos 16 anos, no Cerezo, o mais jovem a se profissionalizar no clube. Já a estreia ocorreu na 33ª e penúltima rodada do Campeonato Japonês 2006, na derrota para o Omiya Ardia, por 2 a 0.

Porém, engana-se quem acha que Kakitani só passaria a ser conhecido dos grandes clubes europeus a partir daí. Em setembro de 2006, na Copa da Ásia sub-17, muitos olheiros puderam ver in loco as perfomances da jovem estrela, que marcou quatro vezes na ocasião, contra Cingapura (fase de grupos), Irã (quartas), Síria (semifinais) e Coreia do Norte (final), ajudando a seleção a levantar o troféu – foi escolhido o jogador mais valioso do torneio.

Em meados de 2006, portanto antes da estreia no profissional, a jovem promessa teve duas grandes chances de mostrar sua qualidade. Entre os dias 5 e 12 de maio, o jogador participou de treinamentos no Arsenal, desembarcando no dia seguinte em Milão, onde foi observado por profissionais da Internazionale durante mais oito dias. Yoichiro Kakitani estava eufórico: “É uma chance de jogar na Europa, que veio antes do que poderia imaginar”.

Falta de experiência

Após os dias de gente grande, Yoichiro Kakitani voltou para o Cerezo Osaka, que acabou sendo rebaixado para a segunda divisão nacional. Algo que de certa maneira não foi ruim para o jogador de 17 anos, que pôde atuar mais vezes. Ao final de 2007, o time não conseguiu a promoção, mas Kakitani continuou quebrando recordes. Em seu primeiro gol na carreira, na vitória contra o Thespa Kusatsu, em casa, ele se tornou o mais jovem atleta a balançar as redes na segunda divisão, aos 17 anos e três meses – no total, foram 21 partidas e dois gols, com o Cerezo Osaka em quinto lugar, com 80 pontos, a seis dos playoffs de promoção.

Na seleção sub-17, Kakitani também mostrou serviço, participando da Copa do Mundo 2007, que terminou para o Japão na fase de grupos, com três pontos, na vitória sobre o Haiti por 3 a 1, com um gol dele – o atleta também marcou contra a França, na derrota de 2 a 1, um golaço do meio-campo.

Em 2008, o Cerezo Osaka somou 69 pontos em 42 jogos (21v, 6e, 15d), mas novamente falhou em alcançar a promoção (por um ponto), numa temporada em que Kakitani atuou 24 vezes, sem balançar as redes adversárias. No ano seguinte, o Cerezo foi muito bem na segunda divisão, sob o comando do brasileiro Levir Culpi, que culminou no vice-campeonato, com 104 pontos em 51 jogos (31v, 11e, 9d), e a tão sonhada promoção. Pudera, o técnico brasileiro contava com Takashi Inui (Eintracht Frankfurt), Hiroshi Kiyotake (Nürnberg) e Shinji Kagawa (Manchester United). Este último, aliás, foi modelo a ser seguido, algo que Yoichiro Kakitani não fez, pois passava por maus bocados: chegou atrasado aos treinos cinco vezes, sendo criticado pelo experiente treinador por falta de profissionalismo.

Com apenas seis partidas em 21 rodadas, às vezes sequer sendo relacionado, Kakitani acabou sendo emprestado ao Tokushima Vortis, da mesma segunda divisão, por decisão de Levir Culpi. Lá, o atleta de 19 anos teve possibilidade de atuar como titular, fazendo 27 partidas, com quatro gols – sua nova equipe terminou em nono lugar, com 72 pontos.

Alegria de volta

Kakitani ficaria mais dois anos no Tokushima, mantendo a condição de titular e atuando 70 vezes (2010-11), com dez gols marcados. O símbolo da nova fase do atacante foi sua condecoração como um dos vice-capitães do time, aos 21 anos. Em 2011, o Tokushima ficou a três pontos de ser promovido, e o grande momento do jogador resultou no anúncio de sua volta ao Cerezo Osaka, em 6 de janeiro de 2012. E com muito aprendizado:

“Estou arrependido por meu comportamento no Cerezo três anos atrás, pois trai as expectativas de dirigentes e torcedores. No Tokushima, pude jogar futebol regularmente e senti de novo a felicidade de vencer. Portanto, posso voltar ao Cerezo e continuar minha carreira, lutando com força máxima a partir de agora”, disse à imprensa local.

A temporada 2012 começou no banco de reservas, com o atleta sempre participando no decorrer dos jogos. Quase na metade do Campeonato Japonês, Yoichiro Kakitani ganhou oportunidade sob o comando de Sérgio Soares, que deixou o time em agosto, abrindo espaço para a volta de Levir Culpi. Desta vez, porém, o brasileiro aceitou Kakitani, que terminou o ano com 11 gols em 30 jogos (nona posição entre os artilheiros), sendo 22 como titular, com 1.988 minutos em campo. O grande nome do Cerezo Osaka, que quase foi rebaixado.

E aí, Zaccheroni?

Na J League 2013, metade da competição já foi disputada e Kakitani, aos 23 anos, aparece na quinta posição na artilharia, com dez gols (37% dos tentos do Cerezo), três atrás dos líderes, jogando de meia ofensivo. Ele atuou nos 17 jogos, todos como titular, total de 1.508 minutos, sendo substituído apenas quatro vezes, depois dos 35 minutos do segundo tempo. Há especulações de que ele vai assinar com o Werder Bremen, mas a tão sonhada mudança para a Europa ainda não é certa.

Pelo menos, a história na seleção principal japonesa começou. Preterido na Copa das Confederações 2013, já que o técnico italiano Alberto Zaccheroni tinha o grupo fechado, a promessa do Cerezo Osaka fez sua estreia em 21 de julho/2013, no empate contra a China, e com gol marcado. É claro que o Japão não conta com os atletas da Europa na East Asian Cup, que disputa com Austrália, China e Coreia do Sul, mas a convocação de Kakitani significa uma oportunidade de observação. Parece ser questão de tempo para podermos vê-lo com a camisa de algum clube europeu.

Curtas

– Kakitani já jogou 217 partidas por clubes, com 48 gols marcados. Nas seleções japonesas, são nove jogos e quatro gols, até 21 de julho/2013. O atacante está avaliado em € 1,5 milhão.

– O Campeonato Japonês 2013 tem a liderança do Sanfreece Hiroshima, com 36 pontos, vantagem sobre o Omyia Ardia no saldo de gols (19 contra 15). A terceira posição é do Yokohama Marinos (34 pontos), enquanto o Cerezo Osaka é o quinto, com 30 – os três primeiros se garantem na Liga dos Campeões da Ásia 2014.

– Além de Kakitani, outros japoneses vêm se destacando na J League: Genki Haraguchi (atacante de 22 anos do Urawa Red Diamonds) e Gaku Shibasaki (meia de 21 anos do Kashima Antlers) podem desembarcar na Europa no médio prazo. Yuya Kubo, 19, ex-atacante do Kyoto Purple Sanga, já foi contratado pelo Young Boys (Suiça).