Alisher Usmanov, um russo muito rico, mantém seus interesses no futebol inglês, mesmo depois de vender suas ações do Arsenal, no qual foi um dos principais acionistas antes do americano Stan Kroenke assumir o controle. Nesta quarta-feira, na reunião de acionistas do Everton, foi anunciado que o empresário, próximo de Farhad Moshiri, dono dos Toffees, fechou um acordo para pagar £ 30 milhões anuais pelos naming rights do novo estádio que será construído para substituir o Goodison Park.

O acordo dá à USM, empresa de Usmanov, a opção exclusiva de batizar o estádio à beira do rio, em Bramley-Moore Dock, mas, segundo o Liverpool Echo, se essa opção não for exercida no futuro, o dinheiro ainda será pago ao Everton. Amigo próximo de Moshiri, o russo já havia dito que poderia investir mais no Everton. Desde 2017, ele patrocina o centro de treinamento do clube, cujo acordo foi renovado no começo da temporada. “Eles construirão um novo estádio? Por que não a Arena USM?”, havia dito. A previsão é que o estádio de £ 500 milhões fique pronto em 2023 e que a renda do naming rights seja totalmente utilizada para financiá-lo.

A reunião também serviu para que os números de 2019 fossem apresentados aos acionistas. O faturamento do ano passado foi de £ 187,7 milhões, o maior da história do clube, mas houve um prejuízo recorde de £ 111,8 milhões no ano financeiro até junho de 2019, depois de lucro em 2017 (£ 30 milhões) e um prejuízo muito menor no ano seguinte (£ 13,1 milhões). A dívida, porém, caiu de £ 65,7 milhões para £ 9,2 milhões, graças a um novo empréstimo sem juros de Moshiri na casa das £ 50 milhões. O investimento pessoal do empresário no Everton chegou ao total de £ 350 milhões, e o Everton está se aproximando do prejuízo máximo de £ 105 milhões permitido pela Premier League ao longo de três anos – está em £ 94 milhões.

Os empréstimos pessoais de Moshiri são parte do problema administrativo do Everton no momento. A outra é a alta folha salarial de £ 160 milhões anuais, que representa 85% das receitas do clube – o ideal é que seja menos da metade disso. A executiva-chefe Denise Barret-Baxendale prometeu que a operação caminha para se tornar sustentável.

“As contas divulgadas refletem nossa ambição e a posição do clube nos primeiros estádios de um programa de investimento. Estamos cientes do impacto que o investimento teria em nossa rentabilidade em curto prazo, e nos planejamos para isso, mas faz parte de um plano de negócios de longo prazo que demonstra nosso compromisso em operar de uma maneira financeiramente sustentável”, disse.