O Grêmio iniciou sua campanha em mais uma Copa Libertadores carregado de expectativas. Não era apenas questão de ver o campeão mais recente entre os brasileiros. Os tricolores trouxeram alguns reforços interessantes e acumulam bons resultados neste início de temporada, mesmo que fossem contidos ao Gauchão. E embora o Rosario Central viesse em péssima sequência, o Gigante de Arroyito parecia um ambiente hostil o suficiente para oferecer o primeiro grande desafio no ano ao time de Renato Portaluppi. O empate por 1 a 1 na Argentina não é ruim, ainda mais pelas condições que os gremistas criaram para sair com a vitória. Que a equipe tenha apresentado problemas a serem solucionados, o saldo é positivo, especialmente pela maneira como reagiu às adversidades. Dá para esperar mais nas próximas rodadas, sobretudo quando Diego Tardelli estiver à disposição.

O gol de Fernando Zampedri logo no segundo minuto de jogo, saltando às costas de Kannemann para cabecear, era o pior início que o Grêmio poderia esperar. A defesa cochilou, com uma avenida pela direita, e a cabeçada meio torta tomou o rumo às redes. A situação poderia ter ficado pior logo depois, não fosse a recuperação de Kannemann. Outra vez Zampedri apareceu na área para definir, mas acabou travado pelo zagueiro na marca do pênalti. Jogada crucial para que os tricolores colocassem os pés no chão e não demorassem a buscar o resultado.

Éverton comandou a reação imediata e exibiu o seu melhor com a camisa do Grêmio. O empate quase saiu aos 11 minutos, quando o ponta deu uma linda finta no marcador e chutou forte. O goleiro Jeremías Ledesma fez a defesa à queima-roupa. De qualquer maneira, um minuto depois o Cebolinha já resolveu. Depois da ótima inversão de Marinho, o ponta fez um carnaval na defesa do Central. Deu um corte seco no primeiro marcador, aplicou um drible da vaca no segundo e chutou. A bola ainda desviou no meio do caminho, antes de morrer nas redes. Lance de craque, que deixava os gremistas vivíssimos na partida.

O Rosario Central não apresentava grande repertório, confiando nos cruzamentos e nas bolas paradas. Apesar de alguns sustos, a defesa gaúcha conseguia se safar. O Grêmio era muito melhor na partida porque mantinha a posse de bola e sabia o que fazer com ela, criando espaços no ataque. A participação dos pontas era essencial. Não seria surpresa se a virada saísse antes do intervalo. Quando Felipe Vizeu cabeceou desajeitado, Ledesma precisou se esticar todo para realizar o milagre, em bola que ainda bateu no travessão. O centroavante, aliás, estava descompassado. Participava bastante e brigava na área. Faltava o principal, balançar as redes. Perdeu uma coleção de boas chances, falhando na pontaria. Do outro lado, quando Zampedri voltou a arriscar de fora da área, Paulo Victor também mostrou que estava atento.

Na saída para o intervalo, houve um princípio de confusão entre os times. Geromel acertou uma cotovelada e poderia ter sido expulso, mas o lance passou despercebido pelo árbitro. O pênalti foi ignorado, assim como o zagueiro só recebeu amarelo pelo empurra-empurra. Antes, o veterano também havia reclamado de uma infração não marcada no campo de ataque, ao ter a camisa praticamente arrancada pelo atacante. Clima quente por um jogo intenso, que fez jus às expectativas no primeiro tempo, embora tenha caído de ritmo na etapa complementar. A partida era mais pegada, sobrando entradas firmes e faltando chances de gol. Embora tivesse um pouco de dificuldades em proteger sua cabeça de área, o Grêmio ainda parecia mais pronto a conquistar a vitória. Faltava mais de objetividade no ataque.

As mudanças de Renato foram importantes. Principalmente, porque o sangue novo que injetou na equipe fez efeito, rompendo um pouco o momento de acomodação. Os garotos criaram as melhores ocasiões aos tricolores, que sofriam um pouco mais na etapa complementar. Matheus Henrique substituiu o apagado Luan e logo fez Ledesma trabalhar, em uma bomba de fora da área que o goleiro desviou com a ponta dos dedos. Os gaúchos chegaram a ter um gol anulado em lance de Everton, pelo lado esquerdo. Estava impedido. E se o Rosario Central ainda tentou ameaçar em um final de jogo arrastado, o grande suspiro foi mesmo dos gremistas. Outro que saiu do banco, Jean Pyerre cobrou uma falta no capricho durante os acréscimos e estalou o travessão.

Apesar do número de finalizações igualado, 16 a 16, o Grêmio teve oportunidades mais claras ao longo da noite. E, neste sentido, o lamento pela vitória que não veio é maior. A trave e a imprecisão de Felipe Vizeu impediram a virada. Mas não há muito o que reclamar do resultado. Foi uma atuação satisfatória, sem o sufoco que outros brasileiros passaram nesta primeira rodada. A atitude dos tricolores fez a diferença, assim como a qualidade de alguns jogadores. Éverton é o óbvio destaque, com menções honrosas a Marinho e aos jovens que participaram no segundo tempo. Analisada esta estreia, mais importante à caminhada deverá ser o próximo jogo. O time de Renato recebe o embalado Libertad, que goleou a Universidad Católica nesta terça, apesar da incompreensível demissão de Leonel Álvarez. Uma noite para que os gaúchos mostrem como assimilaram as lições de Rosario e apresentem seu cartão de visitas no torneio continental.