Em um momento no qual diferentes clubes ingleses planejam a reforma de seus estádios ou a construção de novas arenas, o Everton revela planos ambiciosos ao futuro. Nesta quinta-feira, os Toffees apresentaram o projeto de um novo estádio para 52 mil espectadores. A arena custará £500 milhões e tem sua inauguração prevista para a temporada 2023/24. A iniciativa foi batizada de “Projeto do Povo” e inclui uma grande consulta popular durante os próximos meses. O Goodison Park, histórica casa do Everton, recebe as partidas da equipe desde sua inauguração, em 1892.

Os planos de construir um estádio não são exatamente novos ao Everton. Desde a década de 1990, diferentes diretorias cogitaram esta possibilidade, apesar das dificuldades em levantar fundos ou mesmo em conseguir as permissões requeridas com as autoridades. Grupos de torcedores, porém, preferiam uma renovação nas estruturas de Goodison Park. Dono dos Toffees desde 2016, Farhad Moshiri retomou o projeto. Um ano depois, o clube entrou em acordo com a prefeitura e uma companhia privada sobre a área da construção.

O novo estádio do Everton será erguido na área das docas de Bramley-Moore, localizada a cerca de três quilômetros do Goodison Park. A região semi-abandonada às margens do Rio Mersey ainda é próxima do centro da cidade, o que favorece a escolha. O clube garante que a revitalização da região gerará £1 bilhão à economia da cidade. Durante os próximos meses, os Toffees realizarão uma consulta pública e, no final de 2019, submeterão a regularização dos planos às autoridades. Assim, no início de 2020, esperam estar com a situação totalmente aprovada para iniciar as obras, que devem durar três anos. Um trailer rodará diferentes pontos da cidade de Liverpool para explicar os detalhes do estádio à população.

Por sua vez, o Goodison Park será demolido ao final da construção do novo estádio, mas o Everton não pretende abandonar o seu solo sagrado. A intenção da diretoria é usar a área como um espaço público para iniciativas comunitárias realizadas pelo próprio clube. Serão construídos edifícios dedicados a moradia, educação, saúde e pequenas empresas. Além disso, a agremiação também pretende criar um memorial para o estádio, preservando sua história. O centro do gramado deve ser mantido, assim como a estátua do ídolo Dixie Dean não será transferida à área das docas. Entre as possibilidades para aproveitar a área, a medida parece conciliar a evolução proporcionada pela nova casa com o respeito ao próprio passado.

Com uma base de tijolos e um visual futurista em sua cobertura, o novo estádio se coloca exatamente na beira do Rio Mersey e se adiciona à paisagem das docas. Existirão também referências à arquitetura original do Goodison Park. Entre os chamarizes internos da arena está a construção de um setor de arquibancadas inspirado na “Muralha Amarela” do Borussia Dortmund, com 13 mil lugares. Caso a legislação permita no futuro, a intenção é que esta parte das tribunas garanta que os torcedores permaneçam em pé durante as partidas. É uma proposta similar à feita pelo Tottenham em seu novo estádio.

Além disso, há a ideia de transformar a nova casa do Everton em um caldeirão. O projeto é influenciado pela proximidade com o campo que já existe em Goodison Park. As arquibancadas serão as mais íngremes possíveis, na ideia de criar uma atmosfera mais intensa a partir da pressão dos torcedores. Ao mesmo tempo, serão construídas áreas de hospitalidade e convivência inspiradas nas arenas americanas mais modernas, com direito a poltronas e monitores de televisão nos assentos mais caros do estádio. Também haverá uma praça, com espaço para 14 mil pessoas, que pode ser aproveitada para shows.

O arquiteto responsável pelo novo estádio do Everton é o americano Dan Meis, considerado um dos grandes especialistas no design de arenas esportivas. Sua lista de projetos conta com diversos palcos americanos, incluindo as casas do Cincinnati Bengals e do Philadelphia Eagles na NFL, bem como do Milwaukee Brewers e do Seattle Mariners na MLB. Ele também projetou o Staples Center, principal ginásio de Los Angeles, e comandou a renovação do lendário Madison Square Garden, em Nova York. No futebol, assinou a arquitetura do futuro estádio de Cincinnati, de um estádio em Doha que receberá a Copa de 2022 e do planejado estádio da Roma, que ainda não saiu do papel.

Ao menos pelas apresentações iniciais, o novo estádio do Everton parece uma ideia bem amarrada e vem recebendo elogios na Inglaterra. Apesar dos lamentos pela demolição do Goodison Park, as soluções se indicam benéficas em diferentes frentes. “Este é um marco importante para o clube e para a cidade. Acima de tudo, é um estádio para o futebol, para nossos torcedores apaixonados e para os nossos jogadores, um estádio que dá ao Everton a plataforma para crescer comercialmente e socialmente. Mas também será um estádio para toda a cidade e um desenvolvimento que trará benefícios transformadores à regeneração de toda a região”, declarou Denise Barrett-Baxendale, diretora executiva do Everton. Entre as arenas planejadas durante os últimos anos, por tudo o que engloba, esta se mostra um dos planejamentos mais interessantes. É ver como será na prática.