Europa

Verona, Racing de Santander, Fuenlabrada: O domingo foi de festa pelo acesso na Itália e na Espanha

A Champions League dominou o noticiário no final de semana e também encerrou a temporada das principais competições pela Europa. Todavia, ainda há muitos jogos acontecendo paralelamente nas divisões de acesso das grandes ligas e o domingo guardou várias comemorações. Na Itália, o grande vencedor foi o Verona. Os gialloblù bateram a Cittadella nos playoffs da segundona e retornarão à Serie A após um ano de ausência. Enquanto isso, a segunda divisão da Espanha tem duas novidades: o tradicional Racing de Santander e o estreante Fuenlabrada ganharam os “playoffs dos campeões”, reunindo os quatro vencedores dos grupos regionais da Segunda B. Ainda serão distribuídas mais duas vagas de acesso.

Verona

O principal acesso do domingo foi conquistado pelo tradicionalíssimo Verona. Os gialloblù passaram por maus bocados desde a virada do século, com direito a uma enorme crise financeira e uma passagem de quatro anos pela terceira divisão. No entanto, o clube se recuperou e desde 2013, quando retornou à Serie A depois de 12 anos, virou um grande ioiô. É o terceiro acesso dos veroneses no período e, sempre que bateram na Serie B, voltaram de imediato. A principal diferença desta vez é que o time, menos competitivo do que em outras ocasiões, encarou o sofrimento dos playoffs.

O Verona mudou muitas caras de seu elenco nesta temporada, apostando principalmente em empréstimos para reforçar o plantel. Em tempos nos quais o presidente do clube indica seu desejo de sair, prevaleceu o catadão de sempre, mesclando veteranos e garotos. Diferentemente do que se viu em 2016/17, porém, era um elenco com menos “cara de Serie A”. E que a estratégia tenha servido para evitar o impacto financeiro da mudança de nível, ela também resultou em uma equipe pouco confiável. O nome mais tarimbado do grupo é o centroavante Giampaolo Pazzini, que retornou de um empréstimo ao Levante e acabou sendo o grande nome da campanha. Foram 13 gols do veterano, artilheiro dos veroneses, mesmo se alternando com Samuel Di Carmine no comando do ataque.

Durante as primeiras rodadas, o Verona até esboçou o acesso direto. No entanto, não manteve o ritmo e passou o restante da Serie B com uma campanha apenas razoável, suficiente para seguir na zona dos playoffs. Durante a reta final, até houve um risco sério de deixar a zona de classificação, com uma sequência de oito partidas sem vitórias – que gerou a demissão do treinador Fabio Grosso, aquele, a três compromissos do fim. A classificação foi assegurada na última rodada, graças a uma vitória sobre o Foggia. E os gialloblù cresceram no momento certo, valendo-se do peso da camisa e de alguns jogadores mais experientes. Primeiro, eliminaram o Perugia nos pênaltis. Depois, bateram o Pescara nas semifinais. Por fim, no jogo do acesso, protagonizaram um milagre contra a pequena Cittadella, que lutava para estrear na Serie A e colocar no mapa a menor cidade a participar da primeira divisão italiana.

A Cittadella teve a promoção nas mãos, após ganhar o jogo de ida por 2 a 0. Porém, o Verona contou com a força de sua torcida no Marcantonio Bentegodi e com uma atuação maiúscula de Pazzini, participando de todos os tentos. Os anfitriões arrancaram a virada necessária. Mattia Zaccagni abriu o placar no primeiro tempo, enquanto Samuel Di Carmine anotou o gol que ia confirmando a subida. Os visitantes ainda tiveram dois jogadores expulsos e qualquer reação foi enterrada quando Karim Laribi fechou a contagem em 3 a 0, a sete minutos do fim. Além da festa enorme dos torcedores gialloblù, entre os mais apaixonados da Itália, fica o destaque à supremacia local. Com o rebaixamento do Chievo, esta é a primeira vez de 2001 que o Verona aparece em uma divisão acima que os vizinhos. Pode ser um chamariz a investidores locais, para ajudar na permanência mais longa.

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Racing de Santander

Quem realmente se refaz após as penúrias é o Racing de Santander. Presente na elite do Campeonato Espanhol pela última vez em 2011/12, o clube cantábrio passou a década variando entre a segunda e a terceira divisão, com quatro temporadas consecutivas na terceirona. Além disso, a crise financeira sufocava os racinguistas. O clube sofreu sérios riscos de falência, após o magnata indiano que o presidia desistir da aventura e deixar o controle nas mãos de um dirigente acusado de má gestão. Os salários não caíram, os jogadores chegaram a boicotar partidas e a direção foi completamente renovada.

O Racing ganhou novas perspectivas quando ex-jogadores e torcedores se uniram para comprar ações, expandindo o capital. Todavia, seria um processo gradual até se reerguer, auxiliado pela chegada de um grupo de investidores cantábrios em 2018. O time insistentemente bateu na trave nas edições recentes da terceira divisão, alcançando o almejado acesso somente na quarta tentativa. O desempenho na fase de classificação foi excelente, o melhor entre os 80 clubes da Segunda B. De qualquer maneira, em uma competição que é dividida em quatro grupos regionais, seria preciso disputar a promoção com o primeiro colocado de outra chave. Foi quando o Atlético Baleares apareceu pelo caminho.

O Racing de Santander passou aperto, mas superou os adversários. Após o empate por 0 a 0 em casa, arrancou o 1 a 1 fora e confirmou a subida graças ao gol como visitante. O elenco até possui alguns jogadores rodados, como David Barral e Daniel Segovia. De qualquer maneira, o objetivo dos cantabrios será a estabilidade na segunda divisão. A boa notícia da semana, além do acesso, é que a atual gestão da agremiação zerou as dívidas públicas. Ainda assim, os débitos com credores externos chegam a €6 milhões. E a melhor maneira de saná-los o quanto antes é projetando o retorno à primeira divisão, mas mantendo os pés no chão. A importância da torcida fica clara neste projeto, diante da enorme festa que tomou a praça principal de Santander na noite de domingo.

Fuenlabrada

Se o Racing de Santander leva peso à segunda divisão do Campeonato Espanhol, o Fuenlabrada será um novato ao seu lado, estreando neste nível. Fundado em 1975, o clube da região de Madri deixou as divisões regionais no final da década de 1980, antes de transitar entre a terceira e a quarta divisão. Nos últimos anos, já vinha se consolidando com boas campanhas na terceirona e teve um instante de brilho na temporada passada, quando chegou a empatar com o Real Madrid na Copa do Rei.

Já na atual campanha, o Fuenlabrada conquistou seu grupo regional na terceirona, terminando à frente do Real Madrid Castilla e do Atlético de Madrid B. Também precisou disputar os playoffs de acesso. Desta maneira, a promoção veio em cima do Recreativo Huelva. A festa se encaminhou desde o jogo de ida, quando os anfitriões venceram por 3 a 0. Já na visita a Huelva, o empate foi suficiente para desencadear a celebração. Entre os principais responsáveis pela conquista inédita está Mere, treinador que assumiu a equipe em 2018 e montou uma defesa muito forte, com apenas 21 gols sofridos em 38 rodadas.

Entre suas curiosidades relacionadas ao Fuenlabrada está o Estádio Fernando Torres, inaugurado em 2011, que homenageia o filho ilustre da cidade. Além disso, o impulso recente do clube foi dado por um jovem engenheiro industrial. Ao ver a aproximação de investidores chineses, Jonathan Praena resolveu se antecipar e evitar que a agremiação fosse administrada por estrangeiros, sem ligação afetiva. Resolveu tirar dinheiro de seu bolso e, aos poucos, o empresário de 36 anos colhe os resultados. Há uma relação mais próxima da cidade com a equipe, enquanto profissionaliza o departamento de futebol. O resultado se nota em campo, com o momento histórico dos madrilenos.

* Outro time a subir neste domingo foi o Le Mans, mas este merecerá um texto por si, a ser publicado logo mais aqui na Trivela.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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