Europa

Torcedores não são criminosos: o protesto da torcida do Celtic

Cerca de mil torcedores do Celtic se reuniram na Praça George, em Glasgow, para protestar contra o que chamam de criminalização dos torcedores. O protesto é contra leis aprovadas na Escócia que, na visão desses torcedores, são injustas com os torcedores de futebol.  Os líderes dizem que as leis causaram um aumento do abuso da força policial contra quem vai assistir futebol e justificam essa violência como necessária para conter os hooligans.

Depois do protesto, no jogo do Celtic contra o Hibernian, no Celtic Park, os torcedores mostraram cartazes com demonstrações claras de descontentamento com o que consideram uma perseguição, como mostra a foto. No blog Fans against criminalisation, os torcedores explicam que são colocados sob vigilância digna de grupos criminosos. Abaixo, um trecho do site que tenta explicar o sentimento que os torcedores têm em relação ao comportamento das autoridades:

“Não há outro grupo na sociedade – e eu incluo quadrilhas criminosas e traficantes de drogas – que são submetidos ao mesmo nível de vigilância; que são revistados, examinados, fotografados, filmados, monitorados, difamados, presos e geralmente submetidos ao abuso mais terrível e vingativo para que? Não por atos de violência, desordem ou qualquer coisa assim. Mas por vestir camisas que eles não gostam, mostrar uma faixa que eles não acham engraçada, cantar uma música que os deixem desconfortáveis, tem visões que eles não concordam, cantando hinos, fazendo o sinal da cruz? E onde estão os grupos de liberdade civil, os sindicatos, os grandes amantes da causa progressista? Além de algumas poucas exceções, eles estão muito quietos”.

O protesto pode parecer estranho em princípio, mas faz todo o sentido. Em momentos de violência da torcida, muitas vezes as autoridades aproveitam para enrijecer as medidas contra determinados grupos sob a alegação de violência. Quando esse problema atingiu em cheio a Inglaterra, com o episódio de Hillsborough, a primeira-ministra Margareth Tatcher criou medidas duras e criminalizou os hooligans no episódio e jogou toda a culpa nos torcedores. Quase três décadas depois, os arquivos policiais foram abertos e descobriu-se que o comportamento da polícia foi responsável por boa parte dos mortos.

É complicado lidar com medidas de violência. É preciso ser duro contra os vândalos que usam o futebol para a violência. Mas é preciso não exagerar, porque pode se tornar uma forma de culpar um grupo pelos problemas sociais, que têm causas muito mais profundas e complexas. No Brasil, vemos muitas vezes a falta de ação como um problema, que é mesmo, e grave. O excesso, como se vê, não será a solução também. É preciso tratar mais as causas e menos as consequências.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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