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O bicampeonato da Liga Europa eterniza a qualidade de um grande Sevilla

A falta de uma grande campanha na Liga dos Campeões ou no Campeonato Espanhol pode depor contra. De qualquer maneira, o bicampeonato na Liga Europa é mais que suficiente para cravar: o Sevilla é um dos melhores times do continente nas duas últimas temporadas. Por mais que os rojiblancos tenham ficado na quinta colocação de La Liga em 2013/14 e também em 2014/15, o trabalho do técnico Unai Emery é excelente. Construiu uma equipe ofensiva, fortíssima em casa e que não sucumbiu à perda de seus destaques. Para coroar os andaluzes pela segunda vez nesta quarta, derrotando o Dnipro por 3 a 2 em uma final eletrizante no Estádio Nacional de Varsóvia.

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As perdas de Rakitic, Fazio e Alberto Moreno indicavam que o Sevilla teria que se reconstruir, por mais que tivesse feito boas contratações na pré-temporada. Todavia, mais importante foi manter uma mentalidade. Com Unai Emery, o espírito da equipe se manteve. O técnico se valeu das excelentes adaptações de nomes como Banega, Aleix Vidal, Krychowiak e outros novatos. Sobretudo, da força dos rojiblancos dentro do Estádio Ramón Sánchez-Pizjuán, onde permaneceu mais de um ano sem perder. E também do artilheiro Carlos Bacca, que melhorou ainda mais suas marcas na segunda temporada no clube e decidiu a final.

O Sevilla não fez a fase de grupos perfeita, em uma chave ao lado de Feyenoord, Rijeka e Standard Liège. Contudo, demonstrou toda a sua capacidade copeira nos mata-matas. Passou por cima de rivais de peso: em oito partidas contra Borussia Mönchengladbach, Villarreal, Zenit e Fiorentina, venceu sete e empatou apenas uma. A equipe de Unai Emery chegou à Polônia como franca favorita diante do Dnipro. E por mais que tenha precisado suar muito mais do que alguns imaginavam, provou sua superioridade.

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O primeiro tempo aconteceu em velocidade máxima. O Sevilla começou com a iniciativa, pressionando bastante no ataque. Mas um contra-ataque de manual permitiu ao Dnipro abrir o placar. Matheus arrancou pela ponta direita e cruzou para Kalinic completar de cabeça. Se jogar de maneira defensiva, a vantagem já estava no placar. O problema é que segurar o poderoso ataque do Sevilla nunca é algo tão simples.

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Diante do bombardeio dos espanhóis, o goleiro Boyko começou a fazer milagre. Só que, após uma sequência de escanteios, nada pôde fazer no chute rasteiro de Krychowiak. E, três minutos depois, saiu a virada. Reyes deu uma enfiada de bola espetacular para Carlos Bacca, entre a zaga. O artilheiro saiu na cara do gol e estufou as redes aos 31. O primeiro tempo, contudo, ainda não havia terminado. Houve tempo suficiente para o empate do Dnipro. Após realizar uma grande intervenção, o goleiro Sergio Rico chegou a atrasado e não pegou a falta venenosa cobrada por Ruslan Rotan, aos 43. O intervalo serviria para esfriar um pouco os motores, após 45 minutos tão intensos.

A decisão continuou em alto nível durante a segunda etapa, mas em ritmo menos acelerado. E, apesar da iniciativa de princípio, o Dnipro começou a recuar. Chamava o Sevilla para cima de cima, uma grande temeridade. Especialmente quando Carlos Bacca está inspirado do outro lado. Vitolo descolou um excelente passe para o colombiano, que não perdoou de frente para o gol, aos 28. E o camisa 9 por muito pouco não completou sua tripleta pouco depois, em cabeçada à queima-roupa desviada de maneira sensacional por Boyko. O goleiro mantinha o Dnipro no jogo, mas faltavam forças ofensivas, com a criatividade limitada a cruzamentos na área. O Sevilla se segurou para comemorar o tetracampeonato ao apito final.

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Ninguém entende melhor a Liga Europa do que o Sevilla. Desde 2006, são quatro títulos dos espanhóis na competição. No primeiro bicampeonato, os times de Juande Ramos se sobressaíam especialmente pelos destaques individuais: Palop, Jesús Navas, Daniel Alves, Luís Fabiano, Kanouté, Maresca, Adriano e outros bons jogadores encabeçaram o sucesso dos sevilhanos. Desta vez, o elenco não é tão qualificado individualmente. Mas coletivamente funciona até melhor. Uma engrenagem bem montada por Unai Emery, que tem Carlos Bacca como grande motor.

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A conquista da Liga Europa dá ao Sevilla o direito de disputar a próxima Liga dos Campeões a partir da fase de grupos, o que não tinha alcançado pelo Campeonato Espanhol. Com capacidade de ir muito além dos bicampeões anteriores, que pararam no Fenerbahçe durante as oitavas de final de 2007/08. Obviamente, tudo depende da manutenção das principais peças, especialmente com a especulada saída de Unai Emery. Entretanto, se o seu padrão de jogo se mantiver, dá para sonhar com uma campanha que ratifique o bicampeonato da Liga Europa. Afinal, os investimentos deverão ser ainda maiores no bom time dos rojiblancos.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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