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Panela de pressão no Sporting

Uma vitória, dois empates e uma derrota, apenas cinco pontos ganhos e o inexpressivo sétimo lugar na classificação. Não está fácil a vida do Sporting no Campeonato Português 2012/13 e as pressões já começam a aparecer e a dificultar ainda mais o trabalho de jogadores e, especialmente, do técnico Ricardo Sá Pinto.

Antes mesmo da temporada começar, já era previsto que os Leões não teriam uma grande época. A falta de investimentos e de boas contratações era o prenúncio de que o time seria superado sem grandes dificuldades pelos rivais Porto e Benfica. Mas as quatro rodadas iniciais (somado ao 0 a 0 com o Basel, pela Liga Europa) mostraram que a coisa pode ser ainda pior.

A única vitória conquistada até agora veio justamente na rodada passada: um suado 2 a 1 sobre o Gil Vicente, de virada. Pouco mais de 25 mil torcedores leoninos viram, no estádio José Alvalade, o time sofrer para derrotar um adversário que, se a ordem natural das coisas estivesse mantida, pouco poderia assustar.

Mas assustou. Os gols da vitória do Sporting só saíram nos 15 minutos finais da partida, com Capel e Wolfswinkel – Luís Carlos havia aberto o placar para os gilistas logo aos 7 minutos da etapa inicial. E foram justamente esses gols que podem, ao menos por enquanto, ter salvado o emprego de Sá Pinto.

A má campanha feita até então (nenhuma vitória e apenas um gol marcado em três partidas) deixava claro que o treinador leonino precisava mudar algo no time, sob pena de ser acusado de apatia perante os resultados ruins. Assim, ele resolveu abrir mão do esquema 4-3-3 e lançar um arrojado 4-1-3-2, que por vezes variava para o 4-2-4 ou, quando a posse de bola era do adversário, para um 4-4-2 meio desorganizado.

Sá Pinto correu riscos ao deixar Rinaudo como único homem do meio-campo responsável por desarmar os meias adversários. O argentino estava parado há sete meses, recuperando-se de contusão. Capel, Izmailov, Pranjic, Wolfswinkel e Viola foram lançados à frente, com uma ordem: manter a posse de bola e trocar passes rápidos.

Ao final do primeiro tempo, o Sporting tinha 72% de posse de bola a seu favor e 1 a 0 contra no placar. Com um detalhe: a zaga tinha conseguido a proeza de tomar o primeiro gol marcado pelo Gil Vicente no campeonato. Nervosos, os jogadores passaram a optar muitas vezes por lançamentos diretos para a área, sem trabalhar devidamente a jogada. A sorte leonina é que, mesmo tendo espaço para os contra-ataques, faltava ao Gil Vicente a qualidade para marcar o segundo gol e matar a partida.

Os gols salvadores nos instantes finais acabaram transformando a agonia leonina em alegria. Era o alívio da primeira vitória e, com ele, a esperança de que dias melhores podem aparecer.

Mas o triunfo inédito na temporada nem de longe trouxe paz para Alvalade. Dois dias depois da partida, o Conselho Leonino se reuniu, como de costume, para tratar de questões administrativas do clube. Mas o que o presidente Godinho Lopes e os conselheiros mais tiveram de ouvir foram perguntas dos repórteres sobre a permanência ou não de Sá Pinto no cargo.

Por sua vez, os jogadores dizem nas entrevistas que estão unidos ao treinador. Adotam o discurso básico de que o grupo ganha junto e perde junto. Mas, nos bastidores, as notícias que vazam é que o elenco está descontente com a forma de trabalho adotada por Sá Pinto: broncas excessivas e palestras e vídeos intermináveis.

Contra o Estoril, novamente em casa, neste sábado (29), o Sporting tem mais uma chance de vencer um adversário teoricamente mais frágil e, Sá Pinto, de provar que possui controle sobre o elenco e capacidade para levar os Leões a uma posição pelo menos digna na tabela de classificação. Caso contrário, a panela de pressão, que já está fervendo, corre o risco de estourar em Alvalade.

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