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LC está perto de ter o clube mais asiático de sua história

Ver um clube asiático disputando a Liga dos Campeões da Europa não é nenhuma novidade. A primeira vez que isso aconteceu foi em 1959/60, na estreia do Fenerbahçe – cuja sede fica a leste do Estreito de Bósforo, que divide os continentes. Na esteira dos Sari Kanaryalar, Trabzonspor e Bursaspor, outros clubes da parte oriental da Turquia, marcaram presença no torneio. Porém, nunca um clube tão distante do meridiano de Greenwich esteve tão próximo de conquistar uma vaga na fase de grupos da Champions.

A proeza pode ser protagonizada pelo Shakhter Karaganda, atual bicampeão cazaque. Os Mineiros conquistaram um feito e tanto ao eliminarem o Bate Borisov na segunda preliminar da LC, com duas vitórias sobre os bielorrussos. Já nesta semana, o clube eliminou os albaneses do Skënderbeu Korçë e garantiu vaga nos playoffs. É a primeira vez que um time do país chega a uma etapa tão aguda do torneio continental.

Cidade-sede do Shakhter, Karaganda fica na porção leste do Cazaquistão, um país que só pôde se filiar à Uefa porque um pequeno pedaço de seu território fica a oeste dos Montes Urais, o marco geográfico que separa as porções de terra de Europa e Ásia. Para se ter uma ideia, Karaganda fica mais próxima de Tóquio (5462 km) e Pequim (3528 km) do que de Lisboa (6333 km) e Madri (5855 km).

Na história, apenas outros três clubes mais a leste de Greenwich participaram de competições europeias, sempre eliminados em fases preliminares: os também cazaques Irtysh Pavlodar e Zhetysu Taldykorgan e o russo Sibir Novosibirsk, recordista no quesito – que viajou 4901 km para ser eliminado pelo PSV nas etapas classificatórias da Liga Europa 2010/11. Já em fases finais, o clube mais oriental é o Rubin Kazan.

O Shakhter ainda aguarda seu adversário na caminhada rumo à fase de grupos. O sorteio acontece na sexta e pode colocar à frente dos cazaques Basel, Steaua Bucareste, Viktoria Plzen, Dinamo Zagreb ou Celtic – contra o qual enfrentaria uma viagem de 4966 km. E os Mineiros ainda têm a sorte de não poder enfrentar o Paços de Ferreira, a 6125 km de distância.

Essas viagens não chegam aos 9724 km de São Paulo a Tijuana, recorde da Libertadores, enfrentado neste ano por Corinthians, Palmeiras e Tijuana. De qualquer forma, é uma marca e tanto para os padrões europeus, ainda mais considerando a diferença de cinco horas no fuso horário entre Karaganda e as cidades no extremo ocidente da Europa.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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