Europa

Jogadoras da seleção irlandesa estão tendo que brigar com a federação por seus direitos

Um dos meios que mais escancaram a disparidade entre gêneros que existe no mundo é o do trabalho. E as jogadoras da seleção irlandesa feminina estão sofrendo bastante na pele com esse tipo de discriminação. Elas, no entanto, não estão dispostas a abaixar a cabeça e aceitar as condições precárias às quais estão sendo submetidas pela federação de futebol do país. Por tratamento desrespeitoso, péssimas condições e recursos de trabalho e outras injustiças, as mulheres que representam a Irlanda no futebol feminino estão tendo que brigar com a Federação Irlandesa.

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“O que nós queremos é que a federação permita com que nossas jogadoras se comprometam nos treinamentos e jogos da seleção sem ter que se preocupar com a licença não remunerada do trabalho ou sendo forçadas a usar todas suas férias”, explicou Emma Byrne, capitã da seleção irlandesa, em coletiva de imprensa realizada em Dublin, na terça-feira. A ideia das irlandesas é tentar resolver as questões que estão reivindicando – e nem deveriam, porque ser respeitado é um direito que qualquer ser humano e trabalhador tem – em reunião com a Federação Irlandesa, marcada pelas autoridades para esta quarta-feira. Porém, caso a entidade não tome uma posição favorável às jogadoras, elas ameaçaram entrar em greve.

Uma vez tomada esta atitude, o amistoso entre Irlanda e Eslováquia, marcado para a próxima segunda-feira, não contaria com as jogadoras da seleção irlandesa, que ameaçaram boicotar a partida e os treinos. “Nós estamos lutando pelo futuro do futebol feminino de seleções. Isso não é só por nós. Conheço jogadoras que infelizmente tiveram que parar de jogar. Elas decidiram que não podiam mais o fazer”, afirmou ainda Byrne, que discursou ao lado de suas companheiras de equipe e de advogados da Associação de Jogadores Profissionais da Irlanda.

Um boicote talvez seja mesmo necessário se a Federação Irlandesa não fizer nada para mudar essa realidade. Duas das reclamações das jogadoras, em específico, são um tanto absurdas, e não podem ser menosprezadas de jeito algum. As atletas tiveram que tirar dinheiro do próprio bolso para bancar seus próprios uniformes, além de terem que se trocar em banheiros públicos, como de aeroportos, durante viagens com a delegação. Além de recompensadas financeiramente, elas merecem ter a garantia que nunca passarão por isso novamente.

Em comunicado, a Federação Irlandesa não se isentou de culpa sobre o tratamento às jogadoras, mas alegou que tentou “discutir propostas financeiras claras e tangíveis para o pagamento e compensação dos membros da equipe repetidas vezes”, e que todos os esforços foram rejeitados. “A federação concordou com um processo de mediação, mas as atletas decidiram avançar com as reclamações independentemente disso, com uma coletiva de imprensa em conjunto com a Associação de Jogadores Profissionais da Irlanda, ao invés de se reunirem através de um mediador”.

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Nathalia Perez

Jornalista em formação trabalhando a favor de um meio esportivo mais humano. Meus heróis sempre foram jogadores de futebol, mas hoje em dia são muito mais heroínas.

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