Eurocopa

A confiança de Conte em Éder em uma partida fraca valeu a redenção e a vitória da Itália

E, mais uma vez, fomos contemplados com a oportunidade de assistir a uma partida da Euro não muito bem jogada, mas com fortes emoções reservadas para o final. Assim como aconteceu nos últimos confrontos, Itália e Suécia, vindas, respectivamente, de uma vitória e um empate, mediram forças pela segunda rodada da chave mais difícil desta edição do torneio, e protagonizaram um jogo que, até os últimos minutos, de eletrizante não tinha absolutamente nada.

LEIA TAMBÉM: Guia Trivela da Eurocopa 2016: grupo a grupo, seleção por seleção

Depois de uma ótima partida contra a “ótima geração belga”, em que, visando a tradição e por conta de questões táticas, muitos esperavam uma equipe que não fosse atacar tanto, a Itália voltou ao seu clássico modo defensivo. Principalmente nos primeiros 45 minutos. A propósito, esse primeiro tempo foi um forte candidato ao mais apático da competição até agora (ok, Irlanda do Norte e Ucrânia também não foi grande coisa). Os italianos faziam o que sabem fazer de melhor, investiam em jogadas de perigo vez ou outra, mas nada demais. Foi a Suécia, com sua posse de bola, quem mais chegou à área adversária na etapa inicial. Mas, também sem muita expressividade e eficiência.

Os minutos iam passando e cada vez mais dava sono ao telespectador e a quem estava prestigiando as seleções no estádio. Mesmo com as torcidas cantando a plenos pulmões, a partida em si não animava ninguém. A linha de frente italiana não demonstrava interesse em entrar em ação e mal tocava na bola. Talvez tivesse sido até melhor que Pelle tivesse seguido o exemplo de seu companheiro de ataque, Éder, e não tivesse dominado a bola em nenhum lance, já que errou inúmeros passes ao longo do tempo em que esteve em campo. Ibrahimovic até tentava suas travessuras, mas parava diante do gigante Chiellini.

Com Insigne, Immobile e Zaza dando sopa no banco, e Pellè e Éder praticamente implorando para sair, definitivamente, de cena, Conte preferiu voltar para o segundo tempo com o time que deixou a desejar no primeiro. Mas não demorou muito para que ele fizesse uma alteração. E foi o atacante da Juventus quem entrou em campo no lugar do autor do segundo gol italiano contra a Bélgica. O jogo até melhorou para os azzurri, que tiveram mais chances do que a Suécia. Parolo, outro em partida pouco inspirada, teve uma chance enorme de abrir o placar, mas explodiu a bola mandada por Giaccherini no travessão. Mas já estava dando nos nervos ver Éder não arriscando um chute de longe ou qualquer coisa que fosse para abrir o placar. Mais do que isso, estava sendo difícil de compreender a opção de Conte em manter o jogador em campo.

A placa que anunciava os três minutos de acréscimo acabava de ser levantada quando Éder praticamente pegou a corneta da torcida italiana, muito insatisfeita com seu desempenho desde o apito inicial, e gritou “calma aí que eu vou decidir esta parada aqui”. Aos 46 minutos, o brasileiro naturalizado italiano, que iniciou sua carreira no futebol nas categorias de base do Criciúma, se redimiu pela má atuação. Em velocidade, o camisa 17 arrancou em direção ao alvo e acertou um chutaço no canto direito do gol de Isaksson, anotando o único tento da partida. Ele nem precisou colocar o dedo na boca, simulando um “fecha a boca”, para calar quem estava subestimando seu poder de mudar o panorama do confronto. O belíssimo gol, por si só, já o fez.

Com o gol nos suspiros finais, a Azzurra continua sem perder em seus últimos jogos decisivos. Agora, com essa vitória sofrida, o número da invencibilidade sobe para 11 partidas de êxito. Mesmo que nenhuma equipe ainda tenha mostrado aquela bola toda que a gente tanto espera ver, a Itália tem muito o que melhorar. Hoje calhou de Eder, mesmo com sua atuação pífia, decidir a partida. Mas não dá para viver perigosamente assim, apostando em jogadores que mal encostam na bola. Conte sabe o que faz, e nós sabemos que nem sempre a reação vai surgir no fim do jogo, embora isso tenha acontecido mais do que o normal no decorrer dessas duas rodadas da Euro.

Itália 1×0 Suécia

Itália: Buffon, Bonucci, Barzagli e Chiellini; Giaccherini, Parolo, De Rossi (Thiago Motta), Candreva e Florenzi (Sturaro); Eder e Graziano Pelle (Zaza). Técnico: Antonio Conte

Suécia: Isaksson, Johansson, Granqvist, Lindelof e Olsson; Kallstrom, Ekdal (Lewicki), Forsberg (Durmaz) e Larsson; Guidetti (Berg) e Ibrahimovic. Técnico: Erik Hamren

TRIVELA FC: Conheça nosso clube de relacionamento e marque um gol pelo jornalismo independente!

Mostrar mais

Nathalia Perez

Jornalista em formação trabalhando a favor de um meio esportivo mais humano. Meus heróis sempre foram jogadores de futebol, mas hoje em dia são muito mais heroínas.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo