Europa

De letra, Ibra escreveu seu nome no topo da história da seleção sueca

A Suécia é uma seleção menos lembrada do que deveria por sua força histórica. Afinal, os escandinavos possuem 11 Copas nas costas, com um vice-campeonato e quatro semifinais, além de uma medalha de ouro olímpica. Ao longo da história, o país também contou com grandes jogadores, em especial no ataque, onde fizeram fama Nordahl, Liedholm, Gren, Kennet Andersson, Brolin e Larsson, dentre outros. A partir desta quinta, no entanto, nenhum desses personagens históricos está acima de Zlatan Ibrahimovic, pelo menos nos números. Ainda que faltem resultados mais expressivos com a seleção, o craque atingiu uma marca histórica no amistoso contra a Estônia: com 50 gols, é o maior artilheiro da Suécia em todos os tempos.

Durante a adolescência, Ibra cogitou defender a seleção da Bósnia, terra de seu pai. Ele tinha 17 anos quando escreveu uma carta para a federação bósnia pedindo um teste. Porém, os cartolas do país se recusaram a pagar a passagem de avião para “um menino desconhecido que quer passar férias gratuitas na Bósnia”, afirmando ter confiança nos talentos do país. Foi a deixa para que o centroavante se dedicasse apenas à Suécia.

O prodígio de Malmö passou pelas seleções suecas sub-18 e sub-21. Na mesma época, chegou também a ter um convite para defender o time sub-21 da Bósnia, mas respondeu que apenas aceitaria uma chance na equipe principal. O passo para que brilhasse apenas pelos escandinavos. A estreia na seleção adulta da Suécia aconteceu em janeiro de 2001, quando tinha apenas 19 anos. Já o primeiro gol saiu nove meses depois, no primeiro jogo competitivo, marcando na vitória sobre o Azerbaijão pelas Eliminatórias da Copa de 2002.

A partir de então, Ibrahimovic se tornaria constante na seleção. Esteve presente no Mundial do Japão e da Coreia do Sul, quando permaneceu no banco na maioria dos jogos. E, a medida que foi ganhando rodagem, se transformou em titular absoluto. O problema é que nem sempre a Suécia correspondeu às expectativas, eliminada também na primeira fase das duas últimas Eurocopas e nas oitavas do Mundial de 2006, sem sequer se classificar às Copas de 2010 e de 2014.

Não dá para menosprezar, contudo, o protagonismo de Ibra nos últimos anos, quando passou a assumir também a braçadeira de capitão. As atuações espetaculares foram muitas. Na partida em que a Suécia foi buscar a derrota por 4 a 0 para transformá-la em um heroico empate por 4 a 4 contra a Alemanha; no duelo com a Inglaterra, em que marcou o antológico gol de bicicleta; nos confrontos espetaculares com Cristiano Ronaldo nas Eliminatórias da Copa de 2014. Nesta quinta, mais um jogo para a história.

Foram dois gols de Ibra na vitória por 2 a 0 sobre a Estônia. No primeiro, a bola não entrou, mas o árbitro validou. Já no segundo, uma linda letra, para colocar o camisa 10 no topo da lista de artilheiros da história da Suécia, ultrapassando Sven Rydell, atacante da equipe entre as décadas de 1920 e 1930. São 50 gols de Ibra, 24 deles marcados desde 2012, enfatizando como se tornou mesmo fundamental na seleção durante os últimos tempos. Prestes a completar 33 anos, o atacante tem jogado como nunca com a camisa amarela. E os torcedores suecos esperam que ele não abandone a seleção tão cedo, por mais que saibam que a despedida do craque está próxima.

Abaixo, seus lances na partida desta quinta, bem como de sua melhor atuação pela seleção:

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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