Champions League

Suárez x Cavani: dois filhos de Salto que se tornaram grandes artilheiros

Por Bruno Bonsanti

Salto é a segunda maior cidade do Uruguai, atrás apenas da capital Montevidéu, da qual dista 500 kms. Fica no noroeste, na fronteira com a Argentina. Concordia está no outro lado do rio. Tem aproximadamente 100 mil habitantes. Não costuma ser um dos principais destinos turísticos do país, mas tem suas atrações, com centros de águas termais e vinícolas. A temperatura varia de muito calor para um inverno incômodo, abaixo dos dez graus. Em um desses verões quentes, em 1987, os obstetras locais realizaram o parto de dois grandes artilheiros da seleção uruguaia e do futebol europeu. Em um espaço de 20 dias, em Salto, segunda maior cidade do Uruguai, nasceram Edinson Cavani e Luis Suárez, adversários na tarde desta terça-feira, pelas oitavas de final da Champions League.

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Ambos deixaram o Uruguai muito cedo. Suárez foi um pouco mais precoce. Aos 19 anos, trocou o Nacional pelo Groningen, da Holanda. Cavani saiu do Danubio para o Palermo, um ano depois. “Viemos do mesmo lugar, mas tomamos caminhos diferentes para chegar até aqui”, disse Cavani. Suárez foi contratado pelo Liverpool, depois de quatro temporadas brilhando pelo Ajax, seu segundo clube na Holanda. Quase foi campeão inglês. O título escapou por pouco, mas suas exibições foram suficientes para se colocar como um dos melhores atacantes do mundo. Tanto que o Barcelona pagou € 80 milhões pelos seus serviços. A carreira de Cavani foi construída na Itália. Três anos no Palermo foram suficientes para chamar a atenção do Napoli. 104 gols em 138 partidas pelo Napoli, média próxima a de um gol por jogo, foram suficientes para o PSG pagar € 65 milhões por ele.

Pela seleção uruguaia, atuam lado a lado desde as categorias de base. Disputaram juntos o Mundial Sub-20, de 2007, assim como as Copas de 2010 e 2014. Venceram a Copa América, de 2011, e não estenderam a parceria a mais torneios apenas porque Suárez ficou suspenso, por causa da mordida em Chiellini, e não pode participar da competição sul-americana de 2015 – na do Centenário, foi desfalque por lesão. Com a aposentadoria de Forlán, tornaram-se ainda mais os donos da equipe. Há contestações à liderança de Cavani, no entanto, principalmente por ele não ter conseguido ser o craque que o Uruguai precisava nas edições da Copa América sem Suárez. O time de Tabárez foi eliminado nas quartas de final, em 2015, pelo Chile, e nem passou da fase de grupos nos Estados Unidos. Tem ido muito bem na brilhante campanha uruguaia nas Eliminatórias Sul-Americanas, com cinco gols em cinco partidas. Suárez colocou três bolas na rede em seis partidas e deu cinco assistências. Quatro para Cavani. “O que temos em comum é a seleção”, disse Cavani. “Somos amigos e a Celeste é uma verdadeira família. Queremos representar nosso país e nossa cidade da melhor maneira possível”.

Ambos estão cumprindo muito bem essa missão. Nesta temporada, estão entre os principais artilheiros da Europa. No prêmio Chuteira de Ouro, que considera os gols marcados em ligas nacionais e atribui pontos de acordo com a importância de cada campeonato, Cavani lidera com 37.5 pontos, enquanto Suárez divide a segunda posição com Dzeko e Higuaín, todos com 36 pontos. Em puras bolas na rede, o atacante do Barcelona anotou 25 tentos, em todas as competições, e Cavani, 31. A fase recente também é excelente: nos últimos 14 jogos, foram 14 gols para Suárez e 15 para Cavani, que vem se beneficiando da saída de Ibrahimovic. Sem o sueco, consegue atuar na sua posição preferida, como camisa 9, e embora ainda seja pródigo em perder oportunidades, está no que chamou de “melhor fase da sua carreira”. “Isso obviamente influenciou o meu desempenho”, afirmou, ao Marca. “Eu tinha altas expectativas para esta nova temporada e ela está cumprindo o que eu queria. Eu voltei à minha posição, a que me dá mais prazer, e estou conseguindo fazer gols. É bom para o grupo e para mim”.

São dois jogadores obcecados por gols, embora de características – e talentos – diferentes. Suárez é um dos melhores do mundo. Rápido, arisco, brigador e driblador, consegue arrancar em velocidade deixando os marcadores comendo poeira. É insinuante, tem a finta curta e uma capacidade impressionante de finalizar a jogada de qualquer maneira, independente do passe que receber. É um garçom muito melhor também: tem dez assistências na temporada, contra apenas uma de Cavani. O atacante do PSG é mais duro. Tem a habilidade para sair da grande área, arremata de média e longa distância, mas prefere a finalização curta e oportunista. “Eles não são muito diferentes”, avalia a lenda uruguai Enzo Francescoli, ao L’Equipe. “Exceto que Luis é tecnicamente mais hábil para limpar um adversário, especialmente em espaços pequenos. Edinson precisa de um pouco mais de espaço . Mas eles têm o mesmo gosto pelo combate, a mesma determinação na frente do gol. Isso é por que são uruguaios? Por suas mentalidades. Nada está perdido. Eles dão tudo. Isso é algo inconsciente”.

Como Paris Saint-Germain x Barcelona tornou-se um confronto sazonal na Champions League, esta será a quarta vez que Cavani e Suárez enfrentam-se em campos europeus. Suárez ganhou todos esses confrontos, com direito a uma atuação excepcional no Parque dos Príncipes, em abril de 2015, quando marcou dois gols na vitória por 3 a 1, distribuindo canetas na marcação. Cavani não teve tanta sorte. Nunca fez gol no Barcelona. Mas também nunca atuou contra eles por uma equipe tão qualificada quanto o PSG, sendo o principal responsável pela missão de colocar a bola na rede.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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