Champions League

Relembre três duelos entre Real Madrid e Juventus, além da final de 1998

Por Bruno Bonsanti

Real Madrid e Juventus são duas equipes que, ao longo da história, não se enfrentaram tanto quanto seus currículos de títulos poderiam sugerir. A maioria dos duelos é recente, como nas edições de 2008/09, 2013/14 e 2014/15 da Champions League. O mais famoso de todos os confrontos é a final europeia de 1997/98, quando os merengues quebraram um jejum de 32 anos e levantaram sua sétima taça do torneio de clubes mais importante do continente.

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Esta foi a única decisão de Copa dos Campeões ou Champions League disputada entre os dois gigantes até o próximo sábado, quando italianos e espanhóis medirão forças no estádio Millenium, de Cardiff. No entanto, há outros confrontos interessantes em fases anteriores que ajudaram a construir a grandeza dos dois lados.

1961/62 – quartas de final: Real Madrid 4 x 1 Juventus (agregado)

Era a sétima edição da Copa dos Campeões, e o Real Madrid chegaria à sexta final, em busca do sexto título, naquela edição de 1961/62. Passaria o bastão para o Benfica, em uma decisão simbólica, entre a equipe dominante do fim da década de cinquenta contra a melhor do começo dos anos sessenta. Seu ataque era um absurdo: Di Stéfano, Gento, Puskás e Canário. Mas, antes, precisaria passar pela Juventus.

A Velha Senhora não era um time nada bobo. Garantiu vaga na Copa dos Campeões com seu terceiro título italiano em quatro temporadas e contava com Omar Sívori, ainda hoje um dos cinco maiores artilheiros da história do clube. Mas a temporada 1961/62 marcaria justamente o começo da decadência. Após ser eliminada pelo Real Madrid, a Juve seria a 13ª colocada da Serie A e, nos nove anos seguintes, só seria campeã italiana outra vez em 1966/67.

O curioso é que as equipes trocaram vitórias fora de casa: o Real Madrid venceu, em Turim, por 1 a 0, com gol de Di Stéfano, a 11 minutos do fim; no Bernabéu, uma semana depois, Omar Sívori marcou na vitória por 1 a 0 da Juventus. O empate culminou em uma terceira partida, no Parque dos Príncipes, em Paris. Sívori, um demônio naquela eliminatória, abriu o placar para a Velha Senhora, mas Felo, Del Sol e Tejada decretariam o triunfo merengue por 3 a 1.

1995/96 – quartas de final: Juventus 2 x 1 Real Madrid (agregado)

Alessandro Del Piero ainda era um garoto de 22 anos estabelecendo-se no time titular da Juventus e aquela seria a temporada em que explodiria. Sua primeira participação na Champions League foi para entrar nos livros: cinco gols nas cinco partidas iniciais, contra Borussia Dortmund, Steaua Bucareste e Rangers. Marcaria o sexto em cima do Real Madrid, nas quartas de final da edição 1995/96 da Champions.

A Juventus vinha crescendo sob o comando de Marcelo Lippi. Havia sido campeã italiana na temporada anterior, depois de oito anos de mãos vazias, e contava com o ambicioso plano do novo presidente Vittorio Chiusano, que havia assumido o comando do clube em fevereiro de 1990 e começou a contratar craques. Del Piero compunha o ataque com Ravanelli e Vialli, auxiliados pelo forte meio-campo com Deschamps, Conte e Paulo Sousa. Caminhava para a primeira de uma sequência de três finais da Champions League.

O Real Madrid perseguia La Séptima. Seu último título europeu havia sido em 1966 e, neste período, conseguiu chegar uma única decisão, contra o Liverpool, em 1981. Enquanto isso, o Barcelona conquistou sua primeira Champions League, e o Milan, sua quinta, ficando a uma do recorde merengue. O desespero para quebrar o jejum era palpável, mas não seria naquela temporada, quando Jorge Valdano ainda era o treinador.

A equipe tinha grandes nomes: Michael Laudrup, Luis Enrique, Zamorano, Fernando Redondo e Raúl González, autor do primeiro gol das quartas de final contra a Juventus, aos 20 minutos do primeiro tempo do jogo de ida, no Santiago Bernabéu. Foi o único daquela noite. A volta, no Delle Alpi, começou com o gol de Del Piero, cobrando falta entre a barreira merengue e empatando o confronto. No começo da etapa final, Padovano bateu cruzado para classificar a Velha Senhora para as semifinais. A Juve seria campeã, na decisão contra o Ajax.

A última decepção europeia faria o presidente Lorenzo Sans investir. Traria reforços de peso, como Mijatovic, Seedorf, Roberto Carlos e Morientes para que aquilo não se repetisse. E não se repetiu: em 1998, bateria os italianos para, enfim, levar a sétima taça europeia para casa.

2002/03 – semifinal: Juventus 4 x 3 Real Madrid (agregado)

Cinco anos depois de Amsterdã, Juventus e Real Madrid entraram em campo para mais uma partida decisiva. Desta vez, estava em jogo uma vaga na final de Old Trafford para as duas equipes que estavam bem modificadas. Depois dos espanhóis se vingarem da derrota em 1996, foi a vez de os italianos alcançarem a desforra.

A Juventus perdeu Lippi depois da derrota para o Real Madrid, em 1998, dando lugar a Carlo Ancelotti. Mas ficou pouco tempo longe de Turim e retornou ao banco da Velha Senhora em 2001. Ganhou mais um scudetto e começou a montar sua segunda equipe hegemônica, com Thuram, Camoranesi, Zambrotta, Trezeguet e Buffon fazendo companhia aos remanescentes Del Piero, Davids, Conte e Ferrara.

Enquanto isso, no Real Madrid, Florentino Pérez ganhou a eleição contra Lorenzo Sanz e colocou em funcionamento o projeto dos Galáticos. Comprou Figo, Zidane e Ronaldo para reforçar a equipe que já era talentosa e vencedora – antes de Pérez ir às compras com um cartão de crédito quase ilimitado, havia levantado a Champions League em 1998 e 2000 e era atual campeã europeia. O problema sempre foi encaixar todo mundo, missão de Vicente Del Bosque.

No Santiago Bernabéu, Buffon fez uma linda defesa em cobrança de falta de Zidane, mas não pode fazer nada quando ficou cara a cara com Ronaldo – quantos goleiros já conseguiram? -, e o brasileiro abriu o placar. Pouco depois, deu um lindo passe para Morientes bater por cima do travessão. Trezeguet empatou pegando a sobra dentro da área. Del Piero quase virou, em cabeçada perigoso, mas o segundo gol foi de Roberto Carlos, acertando um belo chute cruzado da entrada da área.

A volta, em Turim, começou com Roberto Carlos ameaçando Buffon com uma cobrança de falta longínqua. Trezeguet completou da pequena área para fazer 1 a 0. Del Piero ampliou com um golaço, dominando uma pedrada, limpando para a direita e batendo no canto. Em um encontro de dois cosmos, Buffon parou o chute rasteiro de Zidane. E, depois, pegou pênalti de Figo. Nedved bateu da entrada da área para fazer 3 a 0, e Zidane descontou, no fim. Juventus na final.


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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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