Champions League

Real Madrid: ‘a por la Undécima’ contra o rival madrilenho e a maldição de jogar em San Siro

Por Nathalia Perez

Se você pensa que o desafio do Real Madrid na final da Champions League se limita a enfrentar o rival madrilenho mais forte do que nunca, é aí que você se engana. Além de medir forças com o Atlético de Madrid de Simeone, time repleto de qualidade técnica e que não brinca em campo, o Real vai tentar quebrar a maldição que o assola desde meados da década de 50: o fato de nunca ter vencido um jogo oficial no San Siro (também conhecido como Giuseppe Meazza). Mais especificamente, em Milão, os merengues foram derrotados em todas as partidas válidas por alguma competição europeia pela Internazionale ou pelo Milan. Ou seja, o que está em jogo não é só vencer a Champions pela décima primeira vez na história. É ganhar a ‘Undécima’ na cidade que nunca admitiu que voltassem para casa sentindo o gosto da vitória.

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Talvez o Real Madrid não imaginasse que perder a semifinal da Copa dos Campeões (atual Champions League) de 1956 para o Milan, por 4 a 2, no estádio dos rossoneri, fosse se tornar algo maior do que um simples azar temporário. A espécie de “feitiço” perdura há seis décadas. Ao todo, os merengues disputaram 14 partidas oficiais com a dupla de Milão, conseguiram arrancar três empates e foram derrotados dez vezes na capital lombarda. Em 1964, oito anos depois de não terem conseguido avançar na maior competição europeia em função do time rossonero, o Real de Ferenc Puskás e Alfredo di Stéfano voltou ao San Siro para enfrentar o Milan pelas quartas de final do mesmo torneio. Apesar da vitória do time da casa por 2 a 0, no agregado os espanhóis levaram a melhor e foram para a semifinal contra o Zurique (inclusive, na final foram derrotados pela Internazionale, mas desta vez o duelo foi em Viena).

Depois de três temporadas de hegemonia milanesa na Europa, nas quais o Milan foi campeão da Copa dos Campeões em 1962/63 e a Inter em 1963/64 e 1964/65, a campanha seguinte do Real Madrid (1965/66) fez com que os blancos se consagrassem campeões europeus pela sexta vez. Na semifinal da competição, enfrentaram a Internazionale no Giuseppe Meazza e conseguiram empatar por 1 a 1 (gols de Amancio Amaro e Giacinto Facchetti). No entanto, no jogo da ida, o time madrilenho derrotou a última campeã do torneio por 1 a 0 no Santiago Bernabéu. O gol da vitória foi do líbero José Pirri, o qual foi o responsável por acabar com as aspirações dos nerazzurri quanto a um possível tricampeonato. Na temporada seguinte (1966/67), os dois times voltaram a se encarar no torneio europeu. Mas, dessa vez, foi a Inter que levou a melhor. Pelas quartas de final, os italianos venceram tanto o jogo em Madri quanto a partida em Milão. Até conseguiram chegar à final, mas perderam o terceiro título para o Celtic – o primeiro britânico a ficar com a taça mais cobiçada da Europa.

O Real só voltou à principal cidade da Lombardia no início dos anos 1980. Até aí, os madridistas já colecionavam seis taças da Copa dos Campeões e eram os maiores campeões do continente. Mas, quem disse que o hexacampeão europeu amendrontava os times de Milão? Em 1980/81, as semifinais da competição foram disputadas entre Bayern de Munique, Liverpool, Internazionale e Real Madrid. Nessa época, a equipe merengue era composta por grandes nomes, como Vicente del Bosque, Uli Stielike, Juanito, José Camacho e Carlos Santillana. E eles deram bastante trabalho à Inter. Porém, não o suficiente para ganharem pela primeira vez no Giuseppe Meazza. Embora os nerazzurri tenham vencido por 1 a 0 em casa (gol do capitão Graziano Bini), no agregado o Madrid garantiu sua vaga na final.

Entre 1982 e 1985, outros times ganharam espaço na Copa dos Campeões. Nesse período, o Aston Villa, o Hamburgo e a Juventus foram campeões continentais pela primeira vez. Enquanto a rival de Turim conquistava a Europa de um lado, a Inter tentava o mesmo do outro (pela Copa da Uefa – atual Liga Europa – de 1984/84). Ainda que o Real Madrid tenha sido derrotado, mais uma vez, pelos nerazzurri em Milão (2 a 0), novamente a equipe de Madri deixou a Inter para trás na busca de um título, e levantou a taça. Na temporada seguinte, a história se repetiu: Inter venceu a semifinal da Copa da Uefa em casa, mas no agregado deu Real (e não só a classificação foi igual. O dono do título, também). Em 1989, o Real voltou à disputa pela Copa dos Campeões, bem como o Milan, que há alguns anos estava meio apagado na Europa. Depois de um empate por 1 a 1 na Espanha, os merengues tentaram intimidar os milanistas jogando de azul (cor da rival Inter), mas acabaram tomaram uma goleada por 5 a 0 em Milão. E olha que era o Real Madrid histórico de Emilio Butragueño e Hugo Sánchez. No mesmo ano, mas já na temporada seguinte, o Milan ainda venceu novamente o Real por 2 a 0 em San Siro.

A partir de 1998, já com a competição rebatizada de Champions League, o Madrid só jogou no Giuseppe Meazza pelas fases de grupo do torneio. Na temporada de 1998/99, depois dos blancos voltarem a ganhar o título europeu mais importante depois de mais de 20 anos, o time foi derrotado em Milão pela Inter de Roberto Baggio e Iván Zamorano, acabou em segundo no grupo, mas se classificou mesmo assim. Acabaria derrotado pelo Dynamo de Kiev de um então jovem Andriy Shevchenko nas quartas de final.

Em 2002/03, Milan e Real se enfrentaram no San Siro e o time anfitrião venceu com um gol de Andriy Shevchenko. Mais recentemente, na Champions de 2009, os merengues empataram com os rubro-negros de Milão por 1 a 1 em casa, e, na ocasião, perderam no Santiago Bernabéu no jogo de volta. A última vez que o Real esteve no estádio de Milão foi em 2010, para arrancar mais um empate com o Milan, só que dessa vez por 2 a 2.

Para não dizer que o Real Madrid não chegou a ganhar no San Siro, eles venceram lá, sim. Em 2000. O placar? Uma goleada por 5 a 1 sobre o Milan (inclusive, um dos gols dos merengues foi de Samuel Eto’o, que na época ainda era novinho). O jogo, porém, era só um amistoso. Sem contar que os rossoneri passavam por uma fase não muito boa.

Em contrapartida ao péssimo retrospecto madridista jogando em Milão, o Atlético de Madrid sabe como é sair da cidade italiana com o triunfo. Na única vez em que jogaram lá, há dois anos, venceram o Milan por 1 a 0. Aliás, foi bem na temporada em que chegaram à final da Champions pela segunda vez. E é necessário lembrar o adversário e o que aconteceu nos acréscimos do segundo tempo daquela decisão, justamente contra o mesmo adversário, na final em Lisboa? É, talvez a sorte de jogar em Milão ainda não esteja com nenhum dos dois lados.

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Nathalia Perez

Jornalista em formação trabalhando a favor de um meio esportivo mais humano. Meus heróis sempre foram jogadores de futebol, mas hoje em dia são muito mais heroínas.

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