Champions League

PSG amarrou o meio-campo e passou por cima do Barcelona como uma avalanche

Por Felipe Lobo

Imaginar o Paris Saint-Germain eliminar o Barcelona não era algo absurdo, ainda mais considerando a força do time. Só que nem o mais otimista dos torcedores parisienses podia esperar um avassalador 4 a 0 no jogo de ida das oitavas de final. Mais do que isso: o placar podia ter sido maior. A diferença em campo dos times foi tão grande que se fosse 6 a 0 não seria um placar exagerado. Uma aula do time francês, que soube jogar marcando e amarrando o adversário e sendo avassalador no ataque. O Barcelona não conseguiu trocar passes. Não viu a cor da bola. Foi massacrado pelo PSG, organizado, eficiente e muito melhor em campo. Um 4 a 0 histórico.

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Taticamente, o Barcelona foi destruído. Não havia saída de bola. Não havia construção de jogo. Só um time conseguia trabalhar as jogadas, trocar passes e atacar, atacar muito. Não é exagero dizer que foi um massacre. Não foi só postura. Um dos times parecia preparado para o jogo, o outro parecia sem saber o que fazer em campo, completamente perdido.

A atuação de Verrati e Matuidi foi monstruosa. Os dois jogadores são bastante complementares. A vitalidade de Matuidi é muito conhecida e o jogador tem passadas largas para tomar a bola e fazer o time chegar ao ataque. Verratti, além dos desarmes, é capaz de passes precisos. Fez uso disso hoje. Draxler, contratado em janeiro, foi muito bem no jogo, dando velocidade e habilidade para os lados do campo.

Di María foi uma aposta de Unai Emery. Lucas vinha muito bem na temporada, mas o argentino tem um poder de decisão enorme. E no dia que completa 29 anos, ele marcou dois golaços. Cavani, que perdeu muitos gols na primeira fase contra o Arsenal, mas faz uma temporada muito goleadora, talvez a melhor depois que deixou o Napoli, não deixou escapar uma das chances que teve.

Luis Enrique, pressionado, fez más escolhas. André Gomes saiu jogando, deixando Rakitic no banco. Iniesta esteve mal em campo. O ataque sequer parecia estar em campo. Messi apareceu apenas para perder a bola no segundo gol do PSG. Suárez mal tocou na bola. Neymar foi o mais participativo, mas nada conseguiu fazer. E tem tudo para ser uma marca tão negativa que Luis Enrique não conseguirá se livrar dela até o fim da temporada.

Desde o início, só um time jogou
Cavani comemora seu gol pelo PSG conta o Barcelona (Photo by Clive Rose/Getty Images)
Cavani comemora seu gol pelo PSG conta o Barcelona (Photo by Clive Rose/Getty Images)

Logo a três minutos, um contra-ataque do PSG levou muito perigo. Di María lançou na esquerda para Matuidi, que estava livre. O goleiro Ter Stegen, atento, estava adiantado para se antecipar e impedir uma grande chance de gol. Era ó o começo de um primeiro tempo avassalador do time parisiense.

Foram vários bons lances. O Barcelona não conseguia tocar a bola com paciência. Via o PSG ser veloz com a bola nos pés e dividir a posse. Só o time da casa conseguia criar chances e em uma delas saiu uma falta perigosa. Draxler foi derrubado por Umtiti. Di María cobrou, a barreira do Barcelona acabou não conseguindo bloquear e deixou Ter Stegen sem chance de defesa, aos 18 minutos.

Não foi só uma questão de postura, de atitude. O Paris Saint-Germain estava ligado no jogo, sim, mas houve um ponto crucial no jogo: o Barcelona estava amarrado na sua saída de bola. Sergio Busquets era marcado por Cavani. André Gomes e Sergio Roberto, pelo lado direito, erraram demais, tanto na saída de bola quanto na marcação. Pegaram pela frente Draxler jogando muito, partindo para cima, dando muito trabalho.

Verratti dominou o meio-campo, fazendo o que o time do Barcelona não conseguia. E não por acaso, Messi foi desarmado no meio-campo por um trabalho conjunto de Rabiot e Verratti. O italiano, então, fez o passe para Draxler, que, desta vez atuando do lado direito do ataque, recebeu e chutou cruzado para ampliar o placar para 2 a 0.

O apito do intervalo deve ter sido um alívio para o Barcelona. Foi um passeio do PSG no primeiro tempo. O jogo, inclusive, poderia ter sido decidido na primeira etapa. O intervalo seria uma chance de reorganizar o time, que estava sendo atropelado. No lado do PSG, era a chance de fazer um resultado histórico. E o time precisava abraçar essa chance se quisesse ir além.

Foi o que os parisienses fizeram. Voltaram para o segundo tempo amassando o Barcelona no meio-campo, sem dar chance dos catalães criarem jogadas. Messi, nas vezes que tentou buscar a bola, acabou cercado ou desarmado. E foi nesse ritmo que o time seguiu bem no segundo tempo a aproveitou para decidir o confronto.

Logo a 10 minutos, Kurzawa carregou a bola para o ataque e tocou para Di María, aberto do lado direito do ataque. Ele saiu da marcação e bateu com classe para marcar 3 a 0 e mostrar que o jogo mantinha a mesma toada. Di María, no dia do seu aniversário, dava um grande presente à torcida do PSG no Parque dos Príncipes.

Aos 26, outra pancada. O lateral Meunier carregou a bola e tocou para Cavani, dentro da área, em profundidade. O uruguaio nãose fez de rogado. Seu uma sapatada na bola que não deu para Ter Stegen defender: 4 a 0. Êxtase dos torcedores no Parque dos Príncipes. Só um time jogava, só um merecia vencer.

O Barcelona não conseguia trabalhar a bola. Sequer chutar a gol. Foram míseros cinco chutes a gol, só um acertou o alvo. Nem a maior posse de bola nos minutos finais, depois do quarto gol, ajudou o Barcelona. Não havia chances. Um massacre. Nunca na história da Champions League um time reverteu um 4 a 0 no jogo de ida.

Não se trata apenas de um resultado: é o desempenho. O futebol do time não vai bem. Diante de um PSG organizado e muito bem no jogo, o resultado acabou sendo desastroso. Para os catalães, claro. Para os franceses, é o sonho finalmente começando a se realizar.

Em pleno dia dos namorados (ao menos na Europa e América do Norte, o chamado Valentine’s Day), o Barcelona ganhou uma viagem a Paris e chocolate. O champanhe, porém, fica por conta do PSG e da sua torcida.

Os melhores momentos do jogo:

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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