Champions League

Oblak faz uma temporada histórica por seus números e agora também por uma atuação monstruosa

Se descobrir e formar talentos se tornou uma das forças do Atlético de Madrid ao longo dos últimos anos, o clube demonstrou uma aptidão especial para fazer explodir grandes goleiros. Afinal, de sua categoria de base saiu David de Gea. Que, ao ser vendido para o Manchester United, não fez a menor falta diante do empréstimo de Thibaut Courtois, fundamental ao longo de três temporadas. Quando o Chelsea exigiu o retorno do belga, muito se questionou sobre o futuro da meta colchonera. Neste momento, porém, não há mais dúvidas: a dinastia dos ótimos arqueiros segue honrada por Jan Oblak. Desta vez, decisivo para colocar o Atleti na final da Champions League.

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O estilo da equipe de Diego Simeone facilita o trabalho do goleiro, não há como negar. A mentalidade defensiva fecha os espaços e evita perigos constantes. Todavia, diante da pressão do Bayern de Munique, foi fundamental aos rojiblancos contarem com um arqueiro de alto nível. Oblak deixou o gramado da Allianz Arena como o grande nome da partida, independente dos dois gols que sofreu. Sobretudo no primeiro tempo, conteve o bombardeio dos bávaros, última solução quando os seus companheiros de linha não davam conta do massacre. E, quando o time da casa esteve a ponto de construir um placar favorável à classificação, o esloveno espalmou a pancada de Thomas Müller na cobrança de pênalti.

Hoje, Oblak surge como sério nome a melhor goleiro da temporada europeia. Seu desempenho no Campeonato Espanhol é extraordinário, com apenas 16 gols sofridos em 36 rodadas. Talvez o camisa 13 não tenha colecionado tantos milagres quanto Keylor Navas, mas seu papel coloca o Atlético na rota de um recorde gigantesco. Mesmo se tomar mais um gol nos últimos dois jogos, a equipe se tornará a defesa menos vazada da história de La Liga, superando o Deportivo de La Coruña de 1993/94. E, caso não sejam mais vazados, os rojiblancos registrarão o quinto melhor desempenho defensivo da história das grandes ligas europeias – o segundo nos últimos 35 anos, só atrás do Chelsea campeão inglês em 2004/05.

Oblak acumula 31 jogos sem sofrer gols em 2015/16, 64,5% do total de vezes que entrou em campo. E, se no Espanhol os números mantêm o Atleti na briga pelo título, na Champions ele teve peso decisivo ainda maior. Diante de Barcelona e Bayern, o esloveno acumulou 17 defesas, quase o dobro de qualquer outro na competição. E, mesmo contra dois dos ataques mais poderosos do mundo, sofreu apenas quatro gols. O goleiro vem crescendo de produção na reta final da temporada: somando também os jogos pelo Espanhol, sofreu apenas dois gols nos últimos 36 chutes certos em seu gol, um número bastante impressionante.

Uma volta por cima sem tamanho para quem chegou sob desconfianças, diante da concorrência de Miguel Ángel Moyà. Atualmente, exceção feita aos duelos pela Copa do Rei, o ex-arqueiro do Getafe mal é lembrado. Oblak, por sua vez, seguiu o seu trabalho com discrição, como fez desde que desembarcou nos grandes centros da Europa. O fenômeno que se tornou titular no Campeonato Esloveno aos 16 anos foi descoberto logo pelo Benfica, contratado após sua primeira temporada na elite de seu país, com o Olimpija. Contudo, demorou a ganhar uma chance nos encarnados. Rodou emprestado por Beira-Mar, Olhanense, União Leiria e Rio Ave, onde enfim teve sequência. Já em 2013/14, assumiu a meta benfiquista deixando Artur no banco e teve papel primordial na conquista do Campeonato Português. Transformou-se em aposta do Atlético de Madrid, por € 16 milhões. Valor alto para um goleiro, o oitavo mais caro da história, mas tiro certeiro dos madrilenos.

Aos 23 anos, Oblak tem potencial para mais. Seu protagonismo no elenco aumenta, despontando para assumir a meta do Atlético de Madrid por muito tempo. Ou, ao menos, render uma bolada se alguém estiver disposto a tirá-lo do Vicente Calderón. Neste momento, de qualquer forma, seu foco segue no futuro próximo: a decisão da Champions, em Milão. E, depois de tudo o que jogou diante do Bayern, não há dúvidas do peso que pode ter para colocar o Atleti em um patamar inédito. O topo da Europa.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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