Champions League

O nó tático de Blanc no Barcelona

Laurent Blanc calou seus críticos com grande estilo. A vitória por 3 a 2 do Paris Saint-Germain sobre o Barcelona na Liga dos Campeões fez o treinador ganhar crédito com a direção do clube e mostrou que o PSG tem chances de, enfim, ser um protagonista na competição continental. Para os parisienses, o resultado os deixa nas nuvens após um início de temporada trôpego demais para quem tanto investiu nas últimas temporadas.

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As cornetas soavam pelos lados do Parc des Princes com o desempenho abaixo do esperado do PSG nas primeiras rodadas da Ligue 1. Com quatro vitórias e seis empates, sem contar as atuações de pouco brilho como visitante, o time da capital aparece em um modesto quarto lugar, cinco pontos atrás do líder e maior rival Olympique de Marselha.

O Barcelona estava invicto na temporada, com seis vitórias e um empate, e com uma defesa inviolável até então. Para completar, o PSG ainda estava desfalcado de Zlatan Ibrahimovic e de seu capitão, Thiago Silva. Era de se esperar o pior para o time da casa. Bombardeado após o empate por 1 a 1 com o Toulouse por montar a equipe em um 4-4-2 em losango, no qual os jogadores ficaram perdidos, Blanc desta vez deu um nó tático em Luis Enrique.

O treinador do PSG não teve dúvidas ao voltar ao esquema 4-3-3 tão dominado pelo grupo. Para conseguir jogar diante de um adversário conhecido pelo toque de bola e pela valorização da posse de bola, os parisienses reforçaram sua marcação. Com Verratti, Thiago Motta e Matuidi soberanos no combate, o Barcelona perdeu duas de suas principais válvulas: Busquets e Rakitic, muito bem anulados.

O esquema deu certo, justiça seja feita, muito por conta da postura de Pastore. Com a liberdade que tanto aprecia, o meia exerceu papel fundamental ao se desdobrar também nas funções defensivas. Outra figura contestada por suas atuações cheias de oscilações, Lucas foi um tormento pelos flancos. O resultado foi simples e direto: chances perigosas de ataque e a necessidade dos laterais Daniel Alves e Jordi Alba ficarem mais presos, o que cortou ainda mais as asas do Barça.

O PSG soube tirar proveito de um dos pontos fracos da equipe espanhola: as jogadas de bola parada, como bem provaram David Luiz e Verratti. Méritos para Blanc, que estudou com muito afinco a postura do Barcelona. O treinador alcança uma marca de respeito na Liga dos Campeões, com 63% de partidas ganhas. Apenas Jupp Heynckes (67,6%) o supera neste quesito.

Já o Monaco voltou da Rússia com um pontinho importante no bolso. O 0 a 0 diante do Zenit St. Petersburgo traz algumas esperanças ao time do principado às vésperas de um duelo crucial contra o PSG pela Ligue 1. O setor defensivo dos monegascos, que deu muitas dores de cabeça nos primeiros jogos da temporada, aos poucos está se ajeitando e dá bons sinais de evolução.

Nas cinco últimas partidas como visitante, o Monaco sofreu apenas um gol. Diante do Zenit, Ricardo Carvalho talvez tenha feito sua melhor atuação com a camisa do time do principado. Sua parceria com Raggi não forma a melhor dupla em ação, mas não dá para negar que eles têm se entendido melhor no posicionamento em campo. Com quatro pontos em dois jogos, o ASM mostra que pode muito bem brigar por uma vaga nas oitavas, contrariando as expectativas iniciais.

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Falta engrenar

Enquanto PSG e Monaco vão bem na Liga dos Campeões, o desempenho dos times franceses na Liga Europa preocupa. Apenas o Guingamp (!) venceu na rodada, com Lille e Saint-Étienne com dificuldades para se impor. A dupla tem encontrado problemas para decolar e já ficam para trás na disputa por uma vaga na próxima fase.

Lanterna e dono do pior ataque da Ligue 1 (com apenas quatro gols marcados), o Guingamp desencantou na Liga Europa. A equipe teve amplo domínio sobre o PAOK, mesmo jogando na Grécia, e venceu por 2 a 0. Se no primeiro tempo passou em branco, o EAG não desperdiçou as chances de matar a partida nos 45 minutos finais. Sylvain Marveaux, com dois gols, apenas fez justiça a quem jogou mais.

O Guingamp obteve sua primeira vitória da história em uma competição europeia, duas semanas após o corretivo dado pela Fiorentina (vitória tranquila por 3 a 0 do time italiano). Dá para se animar? Não muito. Voluntariosos e determinados, os jogadores do EAG pegaram um PAOK (líder do Campeonato Grego) pálido, muito aquém dos 6 a 1 impostos sobre o Dinamo Minsk na primeira rodada. A vitória foi uma exceção.

O Lille empatou seu segundo jogo na LE, mas voltou para casa contente. O 1 a 1 com o Wolfsburg foi um resultado injusto pela superioridade demonstrada pelos Lobos. O LOSC praticamente não ameaçou o time alemão e sofreu demais com a grande pressão exercida pelos anfitriões. Uma grande atuação de Enyeama e a falta de precisão do Wolfsburg nas finalizações ajudavam o Lille a segurar as pontas.

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Em uma de suas raras subidas ao ataque, o LOSC abriu o placar graças a um lance de sorte: um toque de mão de Rodriguez dentro de sua área a quase 15 minutos do fim do jogo. O Wolfsburg não se desesperou e buscou o empate, muito injusto pelo desenrolar da partida. Para o Lille, porém, houve uma notícia ruim: a lesão sofrida por Pape Souaré, mais um a ocupar a já lotada enfermaria do clube.

E o Saint-Étienne fracassou mais uma vez. Se já havia sido incapaz de sair do 0 a 0 com o modesto Qarabag, o ASSE foi mal de novo e amargou outro empate sem gols – agora em casa, contra o Dnipro Dnipropetrovsk. Poderia ser pior, já que a equipe ucraniana desperdiçou a cobrança de um pênalti no primeiro tempo: uma defesa imperial de Ruffier, principal destaque do jogo.

Os Verdes tiveram o domínio da partida, mas foram tímidos demais no ataque – um problema cada vez mais comum do time diante de adversário de menor peso. O ASSE desperdiçou boas chances de acumular gordura antes de enfrentar a Internazionale, grande favorita do grupo, e agora corre risco considerável de se despedir da Liga Europa bem antes do que imaginava – o que seria um fiasco.

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Equipe Trivela

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