Champions League

Manchester City 5 x 3 Monaco foi um jogo maravilhosamente insano

Por Bruno Bonsanti

Era uma combinação promissora: o ataque arrasador do Monaco, um time muito bom coletivamente em todos os aspectos, contra um Manchester City ainda instável, capaz de atacar muito e, por vezes, defender pouco. O resultado foi melhor que o esperado. O jogo de ida das oitavas de final da Champions League foi maravilhosamente insano e terminou com a vitória dos ingleses por 5 a 3, no Etihad Stadium. E Falcao ainda desperdiçou um pênalti.

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Claro que houve erros defensivos, mas os lapsos foram aproveitados com jogadas bem trabalhadas e muito boas tecnicamente, como seria de se esperar diante dos dois ataques poderosos que estavam em campo. Brilharam muitos jogadores: Mbappé, Fabinho, Falcao, Bernardo Silva, Agüero, Sané e David Silva, para citar apenas alguns. Brilharam também os olhos dos torcedores que assistiram a uma partida cheia de reviravoltas e boas jogadas, em que o Monaco saiu perdendo, virou o jogo, perdeu pênalti na hora de ampliar a vantagem, levou o empate, voltou a ficar à frente e acabou perdendo por dois gols de diferença.

A primeira metade da partida foi equilibrada. O Manchester City, como bom mandante, tomou a iniciativa, mas o Monaco era perigoso. Quase abriu o placar, meio por acaso, em uma cobrança de escanteio que parou na cabeça de Glik, na segunda trave. O zagueirão assustou-se um pouco com a chance e não conseguiu realizar direito o movimento do cabeceio.

O primeiro gol da partida foi um ótimo exemplo da qualidade das jogadas ofensivas. É verdade que nenhum marcador dos franceses conseguiu parar Sané. Mas que jogada fez o alemão! Saiu da lateral do campo, passou por três jogadores, tabelou com Silva e recebeu dentro da área. O cruzamento encontrou Sterling, que teve apenas a missão de empurrar para as redes.

E, então, a defesa do Manchester City entrou em um sono profundo. Guardiola tem convicções, muitas delas admiráveis, mas precisa saber se adaptar às peças que tem em mãos. Contratou Bravo porque não tinha confiança que seus goleiros conseguiriam sair jogando bem com os pés. Em má fase, o chileno foi barrado e, mesmo assim, a estratégia se manteve, mesmo sob intensa pressão. Havia seis atletas do Monaco marcando a saída de bola do City quando Caballero, muito pressionado, tentou o passe à esquerda. Fabinho interceptou, deixou com o excelente Bernardo Silva, que devolveu para o lateral brasileiro. O cruzamento achou Falcao nas costas de Stones. Sagna, atrás de Falcao, não se antecipou. E o colombiano empatou.

O segundo gol do Monaco foi fruto de uma desatenção imperdoável da defesa do Manchester City. A equipe estava posicionado em um 4-5-1, com a linha defensiva na intermediária, aguardando uma cobrança de falta do adversário, que saiu da linha do meio-campo. O passe de Fabinho foi direto para Mbappé, que saiu cara a cara com Caballero e fez 2 a 1.

O placar estava de ótimo tamanho para o Monaco, quando o árbitro apitou o fim do primeiro tempo, enquanto o Manchester City reclamava de uma marcação em jogada de Subasic sobre Agüero. O argentino saiu na cara do goleiro, tentou o drible e caiu. Recebeu amarelo por simulação em vez do pênalti que gostaria. Jogada interpretativa: as imagens mostram que houve o toque, mas também deixam em aberto a possibilidade de Agüero ter forçado o contato.

Logo após o intervalo, aos 5 minutos do segundo tempo, o árbitro realmente marcou um pênalti. Mas a favor do Monaco. O cruzamento buscava Falcao, e Otamendi, meio estabanado, tentou cortar de carrinho e derrubou o atacante colombiano. O próprio Falcao foi para a cobrança, em lance que inocentemente imaginávamos que mataria a partida, mas bateu muito mal, fraco e rasteiro quase no meio do gol. Caballero mal suou para defender.

E aí, veio o castigo. Apareceu o Manchester City letal no contra-ataque, que já havia sido destaque contra o Barcelona, na fase de grupos. A bola foi roubada na defesa, Sterling arrancou e soltou com Agüero, que bateu de primeira. Subasic, digamos, aceitou uma finalização absolutamente defensável. Um frango, em português claro. Não perca a conta: ainda está 2 a 2.

Independente do time que você torce – os Citizens estão desculpados, claro – , deve ter ficado feliz com o que aconteceu a seguir. Porque o terceiro gol do Monaco foi uma exibição de qualidade e força de Falcao García que parecia haver se perdido na séria lesão que o Tigre sofreu antes da Copa do Mundo de 2014. Um Falcao à moda antiga, que achávamos que não veríamos novamente. Ele ficou mano a mano com Stones e protegeu com o corpo. Deu o drible para dentro com a parte de fora do pé e entrou na área. Avançou em paralelo com o gol e, ao perceber a saída de Caballero, deu uma cavadinha perfeita, precisamente colocado, na medida certa, para marcar o maior golaço da noite no Etihad Stadium. Foi a redenção do Tigre que havia perdido o pênalti, mas também do Tigre que estava manso demais para o que sua qualidade técnica oferece e que já dava ótimos sinais de recuperação nesta temporada.

Não foi, porém, o gol da vitória do Monaco. Porque o City também tem suas qualidades ofensivas em abundância quando é necessário. Entre elas, Agüero, contestado depois da chegada de Gabriel Jesus, que o colocou no banco de reservas em alguns jogos e provavelmente faria a mesma coisa nesta partida se não tivesse se machucado. David Silva cobrou escanteio pela esquerda, e o argentino completou de primeira, em uma ótima finalização, no canto de Subasic. Em novo escanteio, agora pelo outro lado, Touré desviou de cabeça, e Stones completou. A virada. O 4 a 3. A vitória parcial que parecia tão longe quando Falcao fez sua obra de arte.

E ainda deu tempo de o City ampliar sua vantagem. Touré fez boa jogada e deixou com Agüero, que deu de primeira para Silva. O espanhol encontrou o argentino com uma bela cavadinha. Era ele e Subasic. Ele, Subasic e Sané, livre na entrada da área. Altruísta, Agüero rolou para o lado, e Sané fez o quinto gol, que dá algum conforto para o Manchester City segurar o ataque do Monaco no jogo de volta, que também promete ser eletrizante.

As defesas falharam? Algumas vezes, sim, principalmente a do City. Mas os três gols do Monaco mostraram muita qualidade técnica, principalmente o primeiro – em ótima trama de Bernardo Silva com Fabinho – e o terceiro, em jogada individual de Falcao. Os do City também foram bem trabalhado: teve lindos dribles de Sané e tabela; contra-ataque bem treinado; escanteios ensaiados e bem concluídos; e uma ótima jogada coletiva no quinto gol. Resumindo: que jogaço!

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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