Champions League

A maior surpresa das oitavas da Champions

No reencontro de Arsène Wenger com o Monaco, quem esperava por um triunfo dos Gunners no Emirates se deu bem mal. A grande surpresa dos jogos de ida das oitavas de final da Liga dos Campeões foi protagonizada pelo time do principado. Com uma vitória por 3 a 1 em Londres, os monegascos ficaram bem perto de uma inesperada classificação para a próxima fase. Sem dúvida, uma bela lição a quem duvidava do potencial da equipe.
Leonardo Jardim foi obrigado a escalar uma formação defensiva inédita. Sem os lesionados Ricardo Carvalho e Raggi, o treinador preferiu não correr riscos e deixou Kurzawa no banco de reservas. Assim, o setor teve um quarteto formado por Touré, Wallace, Abdennour e Echiéjilé. Para se ter uma ideia de como a proposta poderia naufragar, os quatro foram titulares em apenas onze jogos da Liga dos Campeões – somados!
Mesmo com uma formação que sugeriria uma série de cuidados, o Monaco se saiu muito bem. O time levou apenas seu segundo gol na LC em sete partidas – o primeiro havia sido marcado por Talisca, do Benfica. E olha que o Arsenal concentrou suas finalizações em lances de dentro da área – de 14 tentativas, apenas uma foi feita fora da área. Os Gunners, porém, pecaram na pontaria. Olivier Giroud sintetizou esta síndrome da mira torta: dos seus seis chutes, apenas um foi na direção do gol. Por isso, o atacante saiu vaiado por alguns torcedores.
Para completar, o lado esquerdo do ASM também poderia causar alguns calafrios por sua inexperiência em um torneio como a Champions. Com Kurzawa e Ferreira-Carrasco no banco, os monegascos tiveram Echiéjilé e Martial por este flanco. Mesmo com esta escolha inesperada de Jardim, foi pela esquerda que saíram as principais jogadas ofensivas da equipe. Em números, 41,6% das ações do time do principado foram por lá.
O sucesso do Monaco foi ainda mais surpreendente pelas ausências na equipe. Além dos jogadores já citados, Bakayoko também ficou fora do duelo em Londres, assim como o capitão Jérémy Toulalan, suspenso. Almany Touré, de apenas 18 anos, jogou apenas uma vez nesta temporada na Ligue 1 e, de repente, estava pisando no gramado do Emirates como titular. A falta de rodagem foi compensada pela obediência tática do ASM.
O Arsenal começou a partida com aquela pressão natural. O Monaco não se deixou abalar. Apesar das várias modificações, o time seguiu fiel às determinações de Jardim, com uma organização e determinação sem falhas nos quatro cantos do gramado. E, claro, com a prioridade de aproveitar com o máximo de eficiência as oportunidades que aparecessem no ataque. Berbatov, por exemplo, tocou 57 vezes na bola. Uma única delas foi dentro da área: exatamente na jogada do gol marcado pelo atacante búlgaro.
O futebol francês esperava demais do Paris Saint-Germain, jorrando dinheiro por todos os poros e com contratações a rodo, para fazer suas apostas na Liga dos Campeões. Só que a grande esperança de ver algum representante da Ligue 1 nas quartas de final da competição não vem da capital, mas sim do principado. Enquanto os parisienses devem penar para conseguir a vaga diante do Chelsea no Stamford Bridge, o Monaco tem situação bem mais tranquila e está com a vaga nas mãos. Basta não cair na soberba.
Clima ruim

Marcelo Bielsa

Definitivamente, as coisas andam mal pelos lados do Vélodrome. Se havia alguma forma de azedar ainda mais o relacionamento entre André-Pierre Gignac e Marcelo Bielsa, ela se concretizou ao longo da semana. Um novo (e bobo) episódio da já longo desentendimento entre o atacante, melhor jogador do Olympique de Marselha, e o treinador argentino, cuja imagem se desgasta com velocidade estratosférica.
O capítulo mais recente teve início com um atraso de Gignac a um treinamento. O jogador alegou um problema dentário e, por isso, apresentou-se depois do horário marcado. Bielsa já ficou contrariado com a atitude do jogador. Teve mais: sentindo que não seria titular na partida desta sexta-feira contra o Caen, Gignac tomou outra atitude polêmica: ele se recusou a participar de uma análise individual em vídeo pedida pela comissão técnica.
O técnico, claro, ficou muito mais irritado com o comportamento de ‘garoto mimado’ de sua principal estrela. No dia seguinte à recusa do atleta, Bielsa mandou Gignac treinar com os garotos da base. Contrariado, o jogador deixou o centro de treinamento enquanto seus colegas se preparavam para a partida contra o Caen. A briga entre ele e o treinador, que já vem de longa data, apenas conturba um ambiente já tenso exatamente por algumas medidas tomadas por Bielsa ao longo da temporada, calcadas na rigidez disciplinar.
Os seguidos problemas entre Gignac e Bielsa apenas exacerbam uma opção arriscada do treinador: considerar seu time ideal como intocável. Gignac foi titular nas 26 partidas do OM até aqui na Ligue 1, mesmo com uma impressionante queda de rendimento na segunda metade da temporada. Após a pausa de inverno, o atacante marcou apenas dois gols (tudo bem, foram decisivos contra Guingamp e Évian), mas ele ainda está longe daquele jogador do primeiro turno.Com a necessidade urgente de estimular a concorrência no elenco e fazer com que os titulares não se sintam donos efetivos de seus lugares na equipe, Bielsa tem uma opção das mais interessantes nas mãos. Se o gráfico de desempenho Gignac está em queda livre, a de Michy Batshuayi segue um caminho completamente inverso. Em pouco menos de meia hora, o atacante belga mudou completamente o panorama do jogo contra o Saint-Étienne e foi decisivo para a reação no caldeirão de Geoffroy-Guichard.
O Olympique de Marselha perdia por 1 a 0 para os Verdes, mas a entrada de Batshuayi incendiou o duelo. O belga fez dois gols, fez belas jogadas e, apesar de o OM ceder o empate, o jovem jogador de 21 anos deixou uma bela impressão. Embora tenha características um pouco diferentes das de Gignac (Batshuayi prefere atuar centralizado e até recua para ajudar na criação, enquanto o outro gosta de jogar tanto pelo meio como pelas pontas), parece que sua hora chegou. Tanto que Bielsa escalou o belga para enfrentar o Caen e deixou Gignac no banco – ainda que, no fim das contas, o centroavante tenha saído do banco para marcar um gol, mas sem evitar a vexatória derrota de virada por 3 a 2 dentro de casa. Resta saber como será a reação do ex-titular à novidade: se ele vai agir como um “menino leite com pêra” ou se cairá sua ficha de que precisa se aprimorar para voltar à equipe.

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Equipe Trivela

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