Champions League

Lesão de Shaw mudou o jogo, mas PSV mereceu vitória sobre o Manchester United

Luke Shaw carregou a bola em velocidade, foi se livrando da marcação e só dentro da área adversária foi parado. Por Hector Moreno, com um carrinho de força desproporcional e pouco sensato. Pode-se argumentar que o mexicano poderia ter sido até expulso no lance, mas sequer falta o árbitro italiano Nicola Rizzoli marcou. Luke Shaw deixou o gramado em uma maca, com aparelhos para auxiliarem sua respiração e uma perna quebrada. Moreno continuou em campo, recolocou o PSV Eindhoven no jogo com um gol e viu seu time vencer de virada o Manchester United por 2 a 1. Embora o lance capital do jogo tenha sido o da contusão do lateral-esquerdo e da permanência de Moreno em campo, a narrativa que se desenhou a partir dali teve um vencedor muito justo nos holandeses, e mesmo o erro da arbitragem não pode ofuscar isso.

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O único desfalque importante do Manchester United para o jogo era Wayne Rooney. Para o seu lugar, em vez de Fellaini, que vinha desempenhando a função de último homem do ataque por sua estatura, Van Gaal escolheu o garoto Martial, embalado pela estreia com gol no clássico contra o Liverpool no final de semana. O francês foi uma opção interessante e, ao longo do jogo, se entendeu muito bem com Memphis Depay, com quem fazia tabelas, sempre no papel de pivô, facilitando a chegada em velocidade do holandês.

Foi inclusive Depay quem abriu o placar, embora sem a participação de Martial. O camisa 7 recebeu passe em profundidade de Blind, livrou-se da marcação com dois bons dribles em um espaço curto e bateu na saída do goleiro Jeroen Zoet.

Ainda no primeiro tempo, nos acréscimos, Maxime Lestienne cobrou escanteio com perfeição, Hector Moreno subiu mais alto que a marcação dos ingleses e tocou de cabeça. A bola já ia em direção ao gol, mas ainda teve tempo de desviar na cabeça de Blind antes de estufar a rede. O gol de empate do PSV, feito pelo mexicano, foi o maior evento influenciado por um erro de arbitragem que de alterou a história do jogo, afinal, logo o jogador que ficou em campo quando talvez não devesse recolocou o time no jogo.

É verdade que, caso Moreno tivesse sido expulso, não teria feito o gol do empate e ainda deixaria o time com um a menos por cerca de 70 minutos, mas mesmo isso não garantiria uma partida diferente por parte do United. E, a partir do que pôde ser analisado, do jogo que de fato aconteceu, o PSV ganhou o restante do duelo na bola. O zagueiro Bruma ajudou a anular os ataques dos Red Devils, e os pontas Lestienne e Narsingh deram muita dinâmica e profundidade ao jogo dos holandeses. Além disso, o primeiro aproveitou um dia de pé calibrado, com duas assistências para gol, a segunda delas para o próprio Narsingh, que fez o tento da virada aos 12 minutos do segundo tempo.

Em termos técnicos, pelo lado do United, talvez o maior destaque negativo tenha sido o lateral Matteo Darmian. Muito sólido defensivamente, o italiano foi eleito o melhor jogador do time no primeiro mês da temporada, mas teve participação nos dois gols do PSV em uma partida em que a defesa do United não mostrou a mesma força de outros jogos. Primeiro, o recém-contratado perdeu a disputa pelo alto com Moreno no gol de empate dos holandeses; depois, errou a saída de jogo, entregando a bola para o PSV, que aproveitou e, no mesmo lance, definiu a virada.

Falhas de Darmian, lesão de Shaw e permanência de Moreno à parte, o PSV mostrou um futebol empolgante e conseguiu um resultado que torna um grupo relativamente equilibrado embolado já após a primeira rodada. O Manchester United era, no papel, o favorito da chave, mas, com a derrota na Holanda e a vitória do Wolfsburg contra o CSKA, se vê na obrigação de vencer os alemães na próxima rodada, em Old Trafford, e os Lobos não são um adversário contra o qual você consegue se certificar previamente que irá triunfar. Enfrentando na segunda rodada o CSKA, adversário teoricamente mais fraco do grupo, o PSV pode até abrir uma vantagem confortável para os supostos concorrentes diretos na briga por vagas nas oitavas.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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