Champions League

Lahm + Robben: Um dos últimos bailes da dupla que elevou o lado direito do Bayern

Se você montasse uma seleção da década, com os 22 melhores jogadores do mundo, quem convocaria? Independente dos gostos de cada um, é possível imaginar que Philipp Lahm e Arjen Robben figurassem na maioria das listas. Os dois veteranos do Bayern de Munique podem ser chamados, sem ressalvas, de craques. Possuem trajetórias vitoriosas e, por anos, representam a excelência em suas posições. Dois grandes que também têm a sorte de se combinar no mesmo time. O sucesso dos bávaros se deve muito à maestria da dupla, voando pelo flanco direito. Ofereceram uma aula nesta quarta, combinando-se de maneira fantástica na goleada por 5 a 1 sobre o Arsenal. Felizes os que assistiram à exibição na Allianz Arena.

As virtudes de Lahm e Robben se complementam. O alemão prima pela capacidade de trabalho, funcionando como um motor durante os 90 minutos. Enquanto isso, o holandês é a ponta de uma lança, quase sempre arremessada em diagonal, e invariavelmente morrendo no fundo das redes. O trabalho em conjunto causa um imenso problema às defesas. É Lahm passar à linha de fundo que Robben pode cortar para o meio. É Robben avançar na vertical para abrir a defesa e dar mais espaços para Lahm trabalhar pelo centro. São dois jogadores de extrema inteligência e de extrema qualidade técnica, com múltiplas possibilidade de variar o jogo e que fazem uma diferença enorme ao Bayern.

Nesta quarta, coitados, Alex Iwobi e Kieran Gibbs tiveram a incumbência de fechar o lado esquerdo do Arsenal. Até ganharam apoio de Granit Xhaka e de Laurent Koscielny para tentar segurar a dupla de craques. Não tiveram o mínimo sucesso. A participação de ambos foi decisiva para a goleada do Bayern, especialmente nos momentos mais apertados do confronto. Aos 10 minutos, quando o time orbitava pela direita, com Douglas Costa oferecendo o apoio por ali, Robben acertou o seu chutaço para abrir o placar. A jogada de sempre, quase nunca defensável – desta vez, menos ainda, com o chute perfeito. E, logo no início da etapa complementar, o segundo tento nasceu em um avanço de Lahm, que recebeu do holandês antes de cruzar para Robert Lewandowski fuzilar.

O grande baile na ala direita do Bayern contou com as participações de luxo de Xabi Alonso e Thiago Alcântara, dois todo-campistas de imensa influência no domínio dos anfitriões, sobretudo no segundo tempo. Ainda assim, valeu para admirar o entrosamento de Lahm e Robben. O lateral, liderando e participando ativamente da construção de jogo, com 99 passes. O holandês, atacando e assumindo a responsabilidade como uma das principais armas do time. Entra técnico, sai técnico, e ninguém questiona o papel essencial de ambos. Nem dá para questionar.

Aos 33 anos, os parceiros continuam em ótima forma. Pena que o lateral avalie que chegou a hora de parar. Considerando que Lahm estará suspenso para o reencontro em Londres, os dois farão juntos, no máximo, mais cinco jogos pela Liga dos Campeões. Resta-nos, então, apreciar. Contra o Arsenal, no melhor de suas virtudes, eles deram essa concessão.

robben lahm

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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