Champions League

Juventus chega à final da Champions pela nona vez; relembre as outras oito

Por Bruno Bonsanti

A Juventus tem uma marca que desperta emoções mistas. Chegou, nesta terça-feira, à nona final de Champions League ou Copa dos Campeões da sua história. Ocupa o quarto lugar nessa lista, superando o Barcelona, e atrás de Bayern de Munique, Milan e Real Madrid. Nada mal, certo? No entanto, ninguém tem mais vice-campeonatos do que a Velha Senhora, derrotada em seis dessas decisões.

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A bicampeã aguarda a definição da outra semifinal, entre Real Madrid e Atlético de Madrid, para descobrir o seu próximo adversário no torneio europeu. Enquanto isso, vamos relembrar como foram as outras oito finais que a Juventus disputou.

30/05/1973 – Ajax 1 x 0 Juventus – Estádio do Estrela Vermelha, Belgrado, Sérvia

Dino Zoff defendia as metas, o ataque tinha o brasileiro José Altafini e o meio-campo contava com um tal de Fabio Capello. A Juventus havia retomado o protagonismo no futebol italiano, depois de dez anos em que conquistou apenas um título nacional e chegou a ser 13ª colocada da Serie A. Ganhou o Campeonato Italiano de 1971/72, o primeiro de uma sequência de nove troféus do torneio em 15 temporadas. Valeu, também, vaga na Copa dos Campeões. Passou pelo Derby de Brian Clough, nas semifinais, e encarou o Ajax na decisão.

Sim, era esse Ajax: havia vencido as últimas duas Copas dos Campeões e buscava o tricampeonato, sob o comando de Neeskens, Rep e Cruyff. Aos 5 minutos do primeiro tempo, Blakenburg cruzou na segunda trave, e Rep abriu o placar com uma cabeçada que encobriu Zoff.  A primeira etapa seguiu com o Ajax no comando da partida, e Mühren perdeu duas boas chances, com um chute acrobático que quase foi ao ângulo e completando, da pequena área, uma linda jogada de Cruyff para fora. O cruzamento veio alto e forte, e o atacante apenas colocou o seu corpo no meio do caminho, sem conseguir finalizar direito. A Juventus fez muito pouco para tentar empatar. Apenas duas arrancadas de Altafini, que mal levaram perigo ao goleiro Heinz Stuy. E, assim, a Velha Senhora foi vice-campeã pela primeira vez.

25/05/1983 – Hamburgo 1 x 0 Juventus – Estádio Olímpico, Atenas, Grécia

A Juventus seguiu dominando a Itália nos anos seguintes à decepção de Belgrado, mas não teve muita sorte na Europa. Na Copa dos Campeões, conseguiu no máximo chegar às quartas de final, em 1982. Por outro lado, ganhou seu primeiro título continental, ao derrotar o Athletic Bilbao na decisão da Copa da Uefa de 1977. Mas um clube tão grande tem ambições maiores. O adversário da vez era o Hamburgo, equipe dominante da Alemanha naquela época, com três títulos alemães em cinco temporadas – e dois vices. O treinador era o lendário Ernst Happel, que não contava mais com Kevin Keegan, já de volta à Inglaterra para defender o Southampton.

A Juventus tinha em campo quatro jogadores que atuaram na decisão da Copa do Mundo da Espanha, contra a Alemanha: Zoff, Cabrini, Tardelli e Paolo Rossi. A cereja do bolo era Michel Platini. O Hamburgo, por sua vez, contou com apenas dois jogadores que atuaram no Bernabéu em 1982. Manfred Kaltz, na lateral direita, e o atacante Horst Hrubesch, que entrou no segundo tempo da final do Mundial. Felix Magath ficou no banco de reservas em Madri, mas foi titular em Atenas e abriu o placar, aos 9 minutos do primeiro tempo, com um lindo chute de fora da área.

E olha que Bettega já havia exigido uma linda defesa de Uli Stein, com uma cabeçada quase rente ao chão, completando cruzamento de Tardelli, da direita. Mais uma vez a Velha Senhora saiu atrás muito cedo e tinha a missão de virar a partida. Kaltz quase ampliou, mas seu chute cruzado foi cortado em cima da linha. Platini e Cabrini pararam em Stein. A Juventus reclamou de pênalti do goleirão no craque francês, mas o árbitro mandou seguir. As melhores chances do decorrer da partida ainda foram do Hamburgo, que saiu do Estádio Olímpico com a Orelhuda. E a Velha Senhora, com mais um vice.

29/05/1985 – Juventus 1 x 0 Liverpool – Estádio de Heysel, Bruxelas, Bélgica

A Juventus, enfim, foi campeã europeia em 1985, mas foi difícil comemorar como deveria, por causa do que aconteceu antes do apito inicial. A irresponsabilidade dos torcedores do Liverpool, no acabado estádio de Heysel, custou a vida de 39 italianos, na noite mais negra da história da Uefa. Inexplicavelmente, apesar das mortes, de batalhas campais entre policiais e torcedores, e da óbvia falta de segurança, houve jogo, e a Velha Senhora venceu por 1 a 0.

Era praticamente o mesmo time de dois anos atrás, e nesse período, a Juventus conquistou seu segundo título europeu, batendo o Porto, na final da Recopa. Zoff havia se aposentado, após 20 anos de carreira, mas lá estavam Cabrini, Tardelli, Paolo Rossi, Platini e Boniek. O Liverpool era um papa-títulos: com Dalglish e Rush comandando o ataque, estava em sua quinta final em nove anos e nunca havia sido derrotado na partida decisiva da Copa dos Campeões.

O jogo foi previsivelmente tenso e teve pouquíssimas chances de gol. Aos 13 minutos do segundo tempo, Boniek recolheu um lindo lançamento de Platini e foi derrubado na entrada da área. O árbitro, no entanto, marcou pênalti, que o francês cobrou para marcar o único tento da partida e dar à Juventus seu primeiro título de Copa dos Campeões.

22/05/1996 – Ajax 1 x 1* Juventus – Estádio Olímpico de Roma, Itália

Depois de 15 anos gloriosos, a Juventus passou por momentos difíceis. Entre as metades das décadas de oitenta e noventa, o clube de Turim passou oito anos sem conquistar o scudetto, com apenas um título da Copa Itália e dois da Copa da Uefa para minimizar a seca. A reviravolta começou com a chegada de Vittorio Chiusano à presidência. O advogado abriu os cofres para contratar craques como Roberto Baggio e Gianluca Vialli e trouxe de volta Giovanni Trapattoni, técnico campeão de seis títulos italianos e da Copa dos Campeões de 1985.

O retorno de Trapattoni não foi tão bem sucedido assim. Ele conquistou a Copa da Uefa de 1993, mas não passou do segundo lugar na Serie A, e reconquistar o domínio no âmbito doméstico era uma das principais ambições do clube. Saiu, no ano seguinte, para dar lugar ao treinador que se tornaria um dos mais importantes da história da Velha Senhora. Com Marcelo Lippi tocando o barco, a Juventus conquistou o Campeonato Italiano e retornou à já moderna Champions League.

Montou uma grande equipe. Os três atacantes eram uma novidade para o futebol italiano da época, mas ele compensava exigindo que os jogadores de frente – Vialli, Ravanelli e o jovem Del Piero – trabalhassem duro sem a bola, para não deixar o meio-campo desprotegido. E o meio-campo, formado por Paulo Sousa, Antonio Conte e Deschamps, tinha muita força de marcação e sabia o que fazer com a bola. O Borussia Dortmund foi superado na fase de grupos, e o Real Madrid, eliminado nas quartas de final. O Nantes ficou pelo caminho na semifinal.

O adversário da decisão seria o mesmo Ajax da primeira vez que a Juventus decidiu a Copa dos Campeões, 23 anos atrás. Treinado por Louis van Gaal, a equipe holandesa tinha Van der Sar, Danny Blind, Frank de Boer, Edgar Davids, Nwankwo Kanu e Patrick Kluivert. Era o atual campeão, mas o começo do jogo foi todo da Juventus. Torricelli testou Van der Sar, de fora da área, e Ravanelli mandou o rebote para fora. Aos 13 minutos, a bola pingou dentro da área, e Ravanelli aproveitou a indecisão de Van der Sar e De Boer para bater, quase sem ângulo, ao gol vazio. Sonny Silooy ainda quase conseguiu fazer o corte.

O Ajax passou a pressionar um pouco, sem levar grande perigo a Peruzzi, com exceção de uma cabeçada de Kanu, em posição de impedimento, que o goleiro da Juventus teve que tirar em cima da linha. Os italianos quase ampliaram com Deschamps. No fim do primeiro tempo, De Boer cobrou uma falta relativamente tranquila, no meio do gol, e Peruzzi bateu roupa. Litmanen marcou no rebote e empatou.

Van der Sar barrou Del Piero três vezes no decorrer do segundo tempo e da prorrogação, e a melhor chance de desempate foi de Vialli, que chegou a driblar o goleiro holandês, mas, desequilibrado, acertou a rede pelo lado de fora. A decisão foi para os pênaltis, e Peruzzi brilhou. Davids bateu mal demais e facilitou a defesa do italiano, que também interveio na cobrança de Silooy. E a Juventus comemorou o bicampeonato na capital italiana.

28/05/1997 – Borussia Dortmund 3 x 1 Juventus – Estádio Olímpico de Munique, Alemanha

A Juventus já havia cruzado com o Borussia Dortmund antes da sua segunda final seguida de Champions League. Os alemães haviam sido adversários de grupo na edição passada e foram derrotados na decisão da Copa da Uefa de 1993, ainda com Trapattoni no comando da Velha Senhora. O palco, agora, era o maior possível: o estádio Olímpico de Munique, com o título europeu em jogo. Eram dias iluminados dos alemães, que haviam acabado de ser bicampeões da Bundesliga.

Depois de ter sido segundo colocado do Campeonato Italiano na temporada do título europeu de Roma, a Juventus recuperou o scudetto e ganhou também a Supercopa da Uefa e o Mundial de Clubes antes de enfrentar o Dortmund pelo título da Champions League. Lippi havia feito mudanças na equipe. A chegada de Zidane obrigou-o a abandonar o esquema com três atacantes para não perder o equilíbrio. O meia francês atuava atrás de dois atacantes, geralmente Del Piero e Vieri, embora Alen Boksic tenha começado a partida de Munique.

A campanha foi ótima, com direito a cinco vitórias e um empate na fase de grupos e 6 a 1 no agregado contra o Ajax, nas semifinais. A partida começou equilibrada, e Vieri perdeu uma chance de ouro para abrir o placar: dominou dentro da área, mas acertou o lado de fora da rede. Aos 29, Karl-Heinz Riedle matou no peito e, de canhota, fez 1 a 0. Cinco minutos depois, o mesmo Riedle ampliou, de cabeça, em cobrança de escanteio. Antes do intervalo, Zidane acertou o pé da trave e Vieri teve um gol anulado por toque de mão.

Na segunda etapa, Vieri teve um chute desviado espalmado ao travessão pelo goleiro Stefan Klos e Del Piero, que havia entrado no começo do segundo tempo, descontou com um golaço de letra. A Juventus tentava o empate quando Lars Ricken disparou em contra-ataque e anotou outra pintura, com um chute por cobertura de fora da área, que passou por cima de Peruzzi e decretou o título do Dortmund. E mais um vice para os italianos.

20/05/1998 – Real Madrid 1 x 0 Juventus – Amsterdã Arena, Holanda

Três finais seguidas de Champions League não é para qualquer um. Na era moderna da competição, apenas o Milan e a Juventus conseguiram. E assim como o rival, a Velha Senhora saiu da sequência com apenas um título. Em 1998, o reinado de Marcelo Lippi já chegava ao fim, com a saideira na Amsterdã Arena, contra o hexacampeão europeu Real Madrid. Lippi promoveu mais uma mudança tática: três zagueiros, agora com Davids ao lado de Deschamps, e Inzaghi fazendo parceria de ataque com Del Piero.

A campanha foi interessante por certo simbolismo. Para chegar à decisão, a Juventus passou pelo Dínamo Kiev de Shevchenko, nas quartas, e pelo Monaco de Thierry Henry, na semifinal, dois dos melhores atacantes da geração, antes de encarar o Real Madrid de Roberto Carlos, Redondo, Seedorf e Raúl. Pela quarta vez, uma decisão envolvendo a Juventus terminou 1 a 0. E, novamente, a Velha Senhora ficou no lado perdedor.

Zidane teve a melhor chance da Juventus no primeiro tempo, em sua característica pedalada puxando para a perna esquerda e batendo, mas a bola foi para fora. Mihajtovic quase marcou de cabeça. Os italianos tinham mais volume de jogo, e Inzaghi perdeu uma grande chance, no rebote de uma falta cobrada por Zidane na barreira, mas bateu fraco, sem problemas para Bodo Illgner. Aos 21 minutos do segundo tempo, Mihajotvic pegou a sobra dentro da área, tirou Peruzzi com um toque e marcou o gol do sétimo título do Real Madrid.

A Juventus continuou em cima, criando mais que o Real Madrid, mas Inzaghi desviou um cruzamento para fora, rente à trave, e mandou uma segunda finalização ao lado do gol, depois de dominar no peito dentro da área. Davids, de frente para Illgner, chutou fraco, e a Velha Senhora não conseguiu pelo menos levar a partida para a prorrogação.

28/05/2003 – Juventus 0 x 0* Milan – Estádio Old Trafford, em Manchester, Inglaterra

Lipp foi trocado por Carlo Ancelotti na temporada seguinte à derrota na Holanda, mas não ficou muito tempo longe de Turim. Retornou em 2001, ganhou mais um scudetto, depois de dois vices da Juventus, e chegou mais uma vez à final da Champions League. E o adversário seria o Milan, treinado por… Carlo Ancelotti.

A equipe ainda tinha alguns nomes dos anos noventa, como Ferrara, Davids e Del Piero, o craque do time, mas também figurava jogadores importantes para o domínio da Juventus na década até o escândalo do Calciopoli. Thuram fazia a lateral direita, Camoranesi e Zambrotta atuaram pelos flancos do meio-campo em Manchester, Trezeguet fez dupla de ataque com Del Piero e, no gol, Gianluigi Buffon tentava conquistar sua primeira Champions.

Desta vez, Inzaghi estava no outro lado. Junto com Shevchenko, Rui Costa, Seedorf, Maldini, Nesta, Dida e uma constelação de craques – sem nem mencionar Rivaldo, no banco de reservas. Logo no começo da partida, o ex-atacante da Juventus exigiu um milagre de Buffon, com uma cabeçada à queima-roupa que o goleiro foi buscar com reflexos muito aguçados. Rui Costa levou perigo da entrada da área. Del Piero parou em Dida, com um chute cruzado. Kaladze fez Buffon trabalhar novamente.

No segundo tempo, Conte carimbou o travessão, mas o placar ficou intacto. Sem nada de notável na prorrogação, a final foi para os pênaltis. Atenção para o duelo debaixo das traves: Dida, que dispensa comentários, contra Buffon, que dispensa comentários. O brasileiro pegou a primeira cobrança, de Trezeguet. Serginho marcou. Birindelli marcou. E, na sequência, pouca gente marcou: Buffon fez uma linda defesa no chute de Seedorf, Zalayeta parou em Dida, Kaladze, nos pés de Buffon, e Montero, nos pés de Dida. Nesta colocou o Milan em vantagem, Del Piero deu vida à Juventus e Shevchenko fechou a conta.

06/06/2015 – Juventus 1 x 3 Barcelona, no Estádio Olímpico de Berlim, Alemanha

A Juventus passou por tempos agitados, alguns anos depois da derrota para o Milan. Foi considerada a principal culpada pelo escândalo de manipulações de resultados batizado de Calciopoli e a punição foi o rebaixamento à segunda divisão. A brilhante equipe comandada por Fabio Capello, sucessor de Lippi, foi dizimada, e os dois scudettos vencidos, retirados. Ibrahimovic, Cannavaro, Émerson, Zambrotta, Vieira, Cannavaro, Thuram: foram todos embora.

Buffon ficou, e a lealdade foi premiada com uma nova chance de conquistar a Champions League, quase dez anos depois, quando a Juventus já havia sido reconstruída e gozava de um domínio hegemônico na Itália. Tetracampeã italiana, a Velha Senhora queria mais. Queria conquistar a Europa mais uma vez. E naquele 2015, poderia alcançar um feito inédito: pela primeira vez em todas essas finais, já havia conquistado a liga italiana e a Copa Itália. A Tríplice Coroa estava em jogo.

A força da Juventus de Massimiliano Allegri era a defesa, com Bonucci e Chiellini, e o estrelado meio-campo, com Pirlo, Vidal, Pogba e Marchisio. O ataque era responsabilidade principal de Carlos Tevez, em excelente fase, e a vitória sobre o Real Madrid nas semifinais foi categórica. No entanto, o adversário era bem ingrato. O Barcelona de Luis Enrique figurava o trio Messi, Suárez e Neymar no ataque. E os três estavam muito bem entrosados.

Rakitic abriu o placar antes dos 5 minutos, depois de uma bonita bola enfiada por Neymar para Iniesta, que entrou na área e rolou para trás. A Juventus respondeu com Vidal, de fora da área. Neymar também tentou de longe. Buffon precisou fazer milagre em um chute de Daniel Alves. Suárez tirou tinta da trave. Na sequência, o uruguaio parou em Buffon.

No segundo tempo, outro duelo entre Suárez e Buffon foi vencido pelo goleiro, ao fim de um contra-ataque cinco contra três do Barcelona. A Juventus conseguiu o empate, em belo giro de Tevez, que foi espalmado por Ter Stegen. Morata conferiu no rebote. Os italianos chegaram mais duas vezes, com Tevez e Pogba, mas quem marcou foi o Barça. Messi exigiu defesa de Buffon, e Suárez anotou na sobra. Em outro contra-golpe, já nos acréscimos, Neymar fechou o caixão. E a Juventus foi vice-campeã pela sexta vez.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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