Champions League

Honra e orgulho: A torcida do Leicester ofereceu um lindo ponto final à epopeia na Champions

O Estádio King Power vivia a extensão de seu conto de fadas. O que aconteceu durante os últimos meses pouco importou, os percalços enfrentados, as derrotas sofridas. A esperança de uma campanha histórica na Liga dos Campeões seguia em pé. Por isso mesmo, os 32 mil azuis que ocuparam as arquibancadas nesta terça se entregaram de corpo e alma. Em voz e coração. Cantaram durante os 90 minutos, empurraram o time, persistiram na epopeia. Acreditavam em seu clube, aquele desacreditado ao longo de tantas décadas, mas que sempre recebeu a paixão e a confiança em sua casa. E mesmo que a classificação não tenha vindo, os torcedores reconheceram o esforço. Aplaudiram demais o Leicester por sua vontade durante o empate por 1 a 1 contra o Atlético de Madrid. A jornada teve seu ponto final, mas não o sonho que se vive a cada semana à beira do campo, desde muito antes da conquista da Premier League.  Aquela façanha, por fim, tornou real o que apenas se imaginava, assim como a participação honrosa na Champions.

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Desde a entrada dos times em campo, a torcida do Leicester escancarou que seria um elemento a mais durante o confronto. Enquanto o hino da Champions ecoavam, um mar de bandeiras se agitava nas arquibancadas. Azuis, prateadas, douradas. Atrás de uma das metas, surgiu o bandeirão com os olhos de uma raposa, junto com a mensagem: “Destemido para sempre”. Não seria a derrota por 1 a 0 no Vicente Calderón que amedrontaria os torcedores locais.

Ao longo do primeiro tempo, o Leicester passou por uma grande provação. Sofreu com a superioridade do Atlético de Madrid. Do lado de fora, a torcida jogava mais do que qualquer um em campo. Fazia muito barulho quando os colchoneros pegavam na bola, além de apoiar as Raposas quando subiam ao ataque. Porém, não puderam esconder a decepção quando Saúl Ñíguez abriu o placar. Naquele momento, mais do que nunca, a fé seria necessária. Os ingleses precisavam de três gols se quisessem avançar às semifinais.

Craig Shakespeare deu a injeção de ânimo na equipe, ao fazer duas substituições e voltar ao segundo tempo num ousado 3-4-3. E os torcedores vieram em avalanche. O Leicester colocou o Atleti contra as cordas e começou a bater, junto com o som feroz que vinha das arquibancadas. No entanto, os colchoneros tiveram grandes méritos por se defenderem com ainda mais garra. Jamie Vardy até conseguiu diminuir, mas outros dois gols eram necessários. Nem mesmo quando Kasper Schmeichel já ia desesperado ao ataque, a esperança não morreu. Transformou-se em gratidão, por todas as sensações que o time proporcionou.

Ao final, apesar da óbvia lamentação, o Leicester deixou o campo de cabeça erguida. Ovacionado por seus torcedores, que trataram de elevar o moral dos jogadores. A equipe conseguiu ir além de suas possibilidades na competição, tanto pela ajuda do chaveamento quanto pela intensidade dos jogadores. Não foram os problemas internos ou o peso do torneio que atrapalharam. Caíram para um adversário de fato superior, que impôs seu jogo em ambas as noites. E o maior sinal da grandeza da Champions em Leicester se refletiu nas arquibancadas. As Raposas estrearam na competição e sabe-se lá quando voltarão novamente. Os azuis trataram de aproveitar cada instante. De exaltar o clube, além do momento vivido. Cenas para serem contadas nos corredores do Estádio King Power por muito tempo.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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