Champions League

Franceses têm muito a agradecer ao Monaco pela campanha na Champions League

O Monaco entrou desacreditado na fase de grupos da Liga dos Campeões. Time desmanchado, carente de reforços à altura das estrelas perdidas e, para piorar, com um início desastroso de temporada na Ligue 1. O que poderia se anunciar como um vexame na LC logo se transformou em esperança. E ela se transformou em um doce sonho com a liderança do grupo C, conquistada com a vitória por 2 a 0 sobre o Zenit – e muito também pelo tropeço do Bayer Leverkusen, então primeiro colocado, que não foi além de um empate sem gols com o Benfica.

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O futebol francês também tem muito a agradecer ao Monaco. Como são os tempos… antes do início da temporada, houve uma discussão sem tamanho para arranjar uma maneira de limitar os gastos do ASM, já que o clube está sujeito a um regime diferenciado de tributação por estar no principado. Se os demais clubes da Ligue 1 fizeram uma pressão enorme para os monegascos sentirem a mordida do Leão, hoje eles devem uma para o rival.

A explicação é bem simples. A França corria sério risco de ser ultrapassada pela Rússia no ranking da Uefa e, com isso, perderia uma das vagas para a LC. A classificação do Monaco aliviou um pouco a situação dos clubes do país, já que a distância para os russos aumentou: a França está em 6º com 50,5 pontos, contra 47,8 pontos da Rússia, sétima colocada.

Além disso, o Monaco ajudou o futebol francês a ter dois representantes nas oitavas de final da LC, algo que não acontecia desde 2009 (com Lyon e Bordeaux naquela oportunidade). Bastava o empate para o ASM avançar, mas o time enfim demonstrou algo mais em campo – mesmo que apenas nos 45 minutos finais da partida. Foi o suficiente para assegurar uma vitória vital para o clube, que escapa de enfrentar pesos-pesados como Real Madrid, Bayern de Munique, Chelsea e Barcelona na etapa seguinte.

Durante seus cinco primeiros jogos na Champions (e no primeiro tempo contra o Zenit), o Monaco usou uma estratégia das mais eficazes: um bloco bastante sólido na defesa e aposta total nos contra-ataques. Um reconhecimento de suas limitações técnicas, que rendeu jogos bem feios e pouco emocionantes, mas pelo menos serviu para somar pontos e dar confiança a um elenco jovem e ainda ressentido pelas saídas de Falcao Garcia e James Rodríguez, por exemplo.

O Monaco só deixou a retranca de lado no segundo tempo contra o Zenit. E se deu muito bem. Com qualidade técnica surpreendente para os padrões exibidos até então na temporada, os donos da casa foram eficientes na pressão sobre a defesa do time russo. Deve-se levar em conta ainda que o time havia perdido Berbatov por lesão, mas nem por isso seu poder ofensivo se abalou.

Dono da melhor defesa da fase de grupos da LC com apenas um gol sofrido, o Monaco dobrou o número de tentos marcados nos cinco primeiros jogos. Não que isso seja algo a ser comemorado. Ainda assim, o ASM tem, disparado, o pior ataque entre os 16 classificados para as oitavas – quase a metade da Juventus (!), Basel e Bayer Leverkusen.

Para quem estava nadando em dinheiro até bem pouco tempo, o prêmio de € 20 milhões pela classificação às oitavas chega em excelente hora para quem sofre com os efeitos do cinto apertado. Só que o dinheiro pode nem parar direito nos cofres do clube, na mira do fair play financeiro. Leonardo Jardim nem quer saber disso agora. O treinador, muito criticado no começo da temporada, saboreia a volta por cima. Na Ligue 1, o time do principado também reagiu e já ocupa a sétima posição (ao fim da 17ª rodada). Um fim de ano dos mais animadores.

PSG ameaçado

Enquanto o Monaco comemora, o Paris Saint-Germain terminou a fase de grupos da LC de forma apreensiva. A derrota por 3 a 1 para o Barcelona fez o campeão da Ligue 1 terminar em segundo lugar no grupo, o que pode reserva um duelo dos mais complicados nas oitavas de final. Algo que o clube da capital definitivamente gostaria de adiar.

O PSG perdeu mais do que uma partida no Camp Nou. Sair do campo do Barcelona derrotado por um time cujo ataque com Messi e Neymar arrebentou está longe de ser vergonhoso. Só que as consequências deste resultado podem complicar as pretensões do clube da capital. O sorteio das oitavas pode reservar um duelo com Real Madrid, Bayern de Munique ou Chelsea logo de cara. Uma péssima ideia.

A LC se tornou a menina dos olhos do PSG, mas ela se mostra uma realidade mais dura do que a prevista. Em um cenário mais otimista (ou seria menos pior?), o sorteio reserva Porto ou Borussia Dortmund como adversários mais, digamos, digeríveis. Isso sem levar em conta que o time da capital terá que decidir sua sorte na casa dos adversários. Tal panorama já assusta a torcida, preocupada com uma possível eliminação prematura.

Se as chances de pegar um adversário forte na próxima fase são grandes, também são consideráveis os riscos de o PSG se despedir logo da LC. Caso isto realmente ocorra, resta saber como a direção do clube reagirá diante de mais uma frustração continental. E a corda tende a se romper para os lados de Laurent Blanc. Embora seu prestígio permaneça alto, o treinador convive com a tênue linha da impaciência muitas vezes demonstrada pelos qatarianos à frente do clube.

Basta um grãozinho de areia para o QSI achar que chegou a hora de Blanc, por mais que os resultados anteriores e o padrão de jogo do time digam o contrário. No Camp Nou, o treinador teve papel decisivo para o time piorar em campo ao substituir Marco Verratti na segunda etapa. Sem o volante, o time se perdeu na marcação, algo letal quando se tem um setor ofensivo como o do Barcelona.

Mesmo que as oitavas da LC sejam disputadas apenas em fevereiro, o PSG ainda pode sofrer grande pressão até lá se não cumprir com sua lição de casa direitinho. Muito embora a Ligue 1 não seja mais seu grande objeto de desejo, o clube da capital tem encontrado muitas dificuldades para tomar a liderança das mãos do arquirrival Olympique de Marselha. E ainda há a Copa da França e a Copa da Liga Francesa pela frente. Cair para Montpellier ou Ajaccio, respectivamente, definitivamente trará ainda mais questionamentos ao trabalho de Blanc e colocará uma grande pressão sobre o elenco. O ano de 2015 nem começou, mas já se apresenta bem complicado pelos lados do Parc des Princes.

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Equipe Trivela

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