Champions League

Ederson foi um paredão para barrar o Dortmund e garantir uma enorme vitória ao Benfica

A presença de Taffarel nas arquibancadas do Estádio da Luz pode até ter motivado Ederson. Mas, independente da visita do treinador de goleiros da Seleção, a fase do jovem goleiro é excelente. O camisa 1 vem sendo um dos destaques da temporada do Benfica. E, nesta terça, garantiu uma vitória fundamental aos encarnados, que deixa o time de Rui Vitória um passo à frente do Borussia Dortmund na luta por uma vaga nas quartas de final da Liga dos Campeões. No primeiro encontro das oitavas, o brasileiro fechou a meta encarnada. Mesmo diante da pressão dos aurinegros, fez grandes defesas e pegou até pênalti. Possibilitou o triunfo por 1 a 0, que dá aos lusitanos a vantagem do empate na visita ao Signal Iduna Park.

O Benfica precisou lidar com uma ausência sentida: lesionado, Jonas acabou de fora da partida. Kostas Mitroglou assumiu o papel de referência na área, ao lado de Rafa. Em compensação, Rui Vitória resguardou os encarnados com duas linhas de quatro jogadores. Do outro lado, Thomas Tuchel montou o Dortmund com três zagueiros, tentando povoar o meio de campo e explorar as alas. Mais à frente, Marco Reus e Pierre-Emerick Aubameyang apareciam mais soltos para se movimentar.

O início da partida foi intenso. Os dois times buscavam o ataque, tentando explorar a velocidade. Mas logo o jogo tomaria a tônica que perdurou por quase todo o tempo. O Borussia Dortmund mantinha a posse de bola, acuando o Benfica no campo de defesa. Os benfiquistas se defendiam com muita solidez, mas tinham dificuldades na saída de bola, diante da marcação adiantada dos aurinegros. A partir dos cinco minutos, até o intervalo, os lusitanos sequer conseguiram finalizar.

Pressionando, o Dortmund criou as melhores chances. Porém, sempre dependendo de um erro dos adversários para encontrar os espaços. A primeira oportunidade clara veio aos 10 minutos. Ousmane Dembélé roubou a bola e deu grande passe a Aubameyang, de frente para o crime. O gabonês isolou, tirando do alcance de Ederson, mas também batendo por cima do gol. Outro ótimo lance veio com o próprio Dembélé, carimbando a zaga. E quando Ljubomir Fejsa vacilou na frente de Raphaël Guerreiro, a bola cruzou a pequena área sem que ninguém completasse. Apesar das falhas dos companheiros, se sobressaía principalmente Luisão, em noite especial, justo quando completava seu jogo de número 500 pelo clube.

O Benfica mudou para a segunda etapa. Filipe Augusto entrou no lugar de André Carrillo, proporcionando um novo desenho tático ao time. E também nova energia, que permitiu o domínio dos primeiros minutos e logo o gol. Partindo para cima, os encarnados descolaram um escanteio. A chance da vitória. Luisão desviou a cobrança para a pequena área. Mitroglou tentou completar de calcanhar, mas errou. Entretanto, teve a sorte de continuar com a sobra e, diante do caído Roman Bürki, o grego fuzilou para as redes, aos quatro minutos.

luisão

A desvantagem jogava mais pressão sobre o Dortmund. Os aurinegros, então, passaram a bombardear a meta encarnada. E esbarraram em um verdadeiro paredão. A primeira chance de empate veio, outra vez, com Aubameyang. O artilheiro se livrou da linha de impedimento e apareceu na cara do gol, mas, com o ângulo fechado por Ederson, bateu por cima. Na sequência, o goleiro saiu nos pés de Reus para bloquear o chute e também voou para espalmar o arremate de Lukasz Piszczek. E o melhor ficou para os 13 minutos, após pênalti infantil cometido por Fejsa. Aubameyang partiu para a cobrança, finalizando no meio. Ederson esperou e rebateu. Sinal que o arqueiro estudou o adversário, batendo suas quatro penalidades anteriores na temporada no centro da meta – inclusive na última semana, durante a classificação contra o Hertha Berlim na Copa da Alemanha. Logo na sequência, Auba acabou sacado para a entrada de André Schürrle.

O penal desperdiçado tirou o ímpeto do Borussia Dortmund. Enquanto isso, o Benfica se fechava bem, sem chegar muito ao ataque, mas sem cometer tantos erros na saída de bola. Os alemães tentavam criar algo a partir da bola aérea, mas Ederson era soberano nas saídas pelo alto, socando a maioria dos cruzamentos. Os espaços eram mínimos e raramente resultavam em algum arremate.

Rui Vitória usou suas duas últimas alterações em busca do contra-ataque, com Franco Cervi e Raúl Jiménez. Ambos, todavia, precisaram se esforçar mais sem a bola. Já Thomas Tuchel deu sua cartada final colocando de uma só vez Gonzalo Castro e Christian Pulisic, nas vagas de Raphaël Guerreiro e Marco Reus – este, demonstrando claramente seu descontentamento, por mais que não tenha feito muito. Momento para os últimos suspiros do Dortmund. A equipe voltou a levar perigo ao gol do Benfica. Mas, na melhor oportunidade, Ederson foi sublime, com sua defesa mais espetacular da noite. O brasileiro teve tempo de reação o suficiente para espalmar o chute de Pulisic que desviou no caminho. Nos acréscimos, a criatividade dos alemães se limitava aos chuveirinhos. Em vão.

Não foi uma partida tão ruim do Borussia Dortmund. Os visitantes exerceram o domínio do jogo em 80 minutos e, apesar do gol sofrido, se saíram bem defensivamente, sobretudo pela maneira como seus meio-campistas mordiam a saída de bola. Mas os gols perdidos por Aubameyang e as defesaças de Ederson foram determinantes. Melhor para o Benfica, que fez acontecer, mesmo atuando de maneira pragmática. E é isso que precisa se repetir na visita ao Signal Iduna Park. Os encarnados necessitam melhorar a saída de bola e encaixar mais os contra-ataques. De qualquer maneira, o empate já é o bastante e, se balançarem as redes, até a derrota por um gol de diferença. Se a inspiração de seu camisa 1 se repetir, os germânicos podem esperar por outra noite difícil.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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