Champions League

De reserva a protagonista entre galácticos, Isco virou peça-chave do Real Madrid de Zidane

Francisco Román Alarcón Suárez
#22, meia, 25 anos

Quando a temporada começou, Isco não parecia dos mais felizes no Real Madrid. Reserva do badalado ataque BBC – Bale, Benzema e Cristiano -, Isco tinha menos espaço do que muitos achavam que ele deveria ter. O meio-campo estava bem preenchido com Casemiro, Modric e Kroos, então ele também tinha poucas chances de ganhar uma vaga ali. O ataque, porém, rendia pouco. Zinedine Zidane não cogitava tirar um dos três badalados da frente. Só que isso mudou ao longo da temporada.

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Isco teve que fazer o caminho mais difícil e teve a seu favor um aspecto contratual: o seu vínculo só ia até 2018 e havia rumores que o Barcelona faria proposta por ele. Nada disso teria importância se, em campo, Isco não começasse a chamar a atenção. Foi o que aconteceu quando Zidane precisou rodar o elenco. Jogou, se destacou e passou a ganhar minutos que tinham rareado. Sua característica é única no elenco madridista e, por isso, encaixá-lo como um reserva imediado dos três da frente parecia fazer pouco sentido. Mas jogando Isco se impôs.

Aos poucos, se tornou a primeira opção entre os jogadores do banco. Zidane passou a ser questionado por que o espanhol não começava mais jogos como titular, já que Bale não vinha rendendo. Com a lesão que o galês teve em novembro, Zidane pôde experimentar outros jogadores no time. James Rodríguez jogou. Lucas Vazquez também, mas foi Isco quem mais se destacou. Era ele o principal destaque do que começaram a chamar de Time B do Real Madrid.

Como Zidane tentou usar mais o seu elenco ao longo da temporada, foram muitas as oportunidades dadas a jogadores do banco, que muitas vezes pareciam render mais que os titulares. Na primeira metade da temporada Isco teve menos chances, mas depois da virada de ano, passou a brilhar intensamente. Tinha três gols na temporada até a chegada de 2017. Já no dia 7 de janeiro deu uma demonstração de sua ótima fase: dois gols e melhor jogador da partida contra o Granada, nos 5 a 0 do Real Madrid. O reserva estava voando.

Um dos problemas do time de Zidane é que embora os resultados estivessem vindo, o desempenho não convencia. As vitórias vinham em meio a questionamentos. Faltava equilíbrio e isso tinha a ver também com o trio BBC. Quando Bale não jogava, o time ficava mais equilibrado. James, Vazquez ou Isco deixavam o time menos exposto, mudando até o esquema. Isco é um organizador de jogo, que pode cair pelo lado, mas centraliza muitas vezes. Assim, o time acaba se moldando em um 4-3-1-2, com Isco sendo a ligação do meio com o ataque. Seu futebol fez Zidane adaptar o time para encaixar o meia. E ele tornou o rendimento do Real Madrid melhor, mais dinâmico e mais criativo.

Com isso, preenche mais o meio-campo e libera mais Cristiano Ronaldo e Benzema para serem atacantes mais livres, inclusive para se movimentarem mais. Com Cristiano Ronaldo mais inteiro e cada vez mais centroavante, esse equilíbrio ajuda o time a sofrer menos defensivamente. Afinal, Bale é mais atacante do que Isco. Bale também vinha sendo criticado porque precisava fazer um trabalho sem a bola para que o time mantivesse algum balanço defensivo. Com três jogadores à frente marcando pouco, a recomposição ficava complicada. E esse é o dilema pelo qual passou a sofrer Zidane.

Em abril, Isco vinha brilhando. Foi muito bem no jogo contra o Alavés, no dia 2, mesmo atuando no meio-campo e com os três do ataque à sua frente. Também foi destaque no dia 15, quando Zidane poupou seus titulares. Bale se machucou mais uma vez e se tornou claro que Isco tinha que ser o titular no seu lugar. São dois gols marcados, quatro assistências e atuações de protagonista do time, seja na Champions League, seja no Campeonato Espanhol. É difícil imaginar que o Real Madrid jogue sem o seu camisa 22.

O discurso de Zidane não tirar Bale chegou a ter frases como “Não serei eu o treinador a colocar Bale no banco”. Com a final da Champions League em Cardiff e Bale recuperado, mas sem jogar desde o dia 23 de abril, contra o Barcelona, quando, aliás, já tinha voltado de lesão e se machucado novamente. A lesão que afasta Bale, por sinal, é constante e há um medo no Real Madrid em fazê-lo voltar antes da hora e machucar novamente. O histórico de Bale é preocupante: é a sétima lesão dele na panturrilha desde que chegou ao Real Madrid. O seu tempo de recuperação costuma ser maior que os demais justamente por medo de reincidência de lesões.

Vivendo o seu melhor momento, Isco é atualmente um dos melhores jogadores do Real Madrid e esteja sendo menos decisivo apenas que Cristiano Ronaldo. É visto inclusive como um protagonista para a seleção da Espanha, que também passa por um momento de transição. Ganhou, em campo, o espaço que seu nome. Será que Zidane irá colocar Bale no banco em uma final de Champions League em Cardiff, país do galês? Isco certamente não pode sair do time.

Em entrevista, Zidane já disse que os dois estiveram em campo juntos 16 vezes nesta temporada. “Por que não pode acontecer de novo?”, disse. “Eles se complementam com habilidades únicas”. Talvez seja verdade. O problema, então, é quem sairia. Com o meio-campo acertado e o ataque funcionando, parece difícil sacar alguém para ter Bale titular. Se é que alguém irá sair. Sacrificar o equilíbrio do time parece muito arriscado para uma final de Champions League. Ainda mais em jogo único. A melhor decisão de Zidane é colocar Isco como titular, pelo bem do time. Bale pode e deve ser uma opção muito importante para o segundo tempo. E sem arriscar o seu físico.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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