Champions League

Dá para dizer sem medo: estamos vivendo uma década de domínio do Barcelona na Europa

Paris, Roma, Londres e Berlim. As quatro principais capitais da Europa ficaram aos pés do Barcelona nos últimos dez anos. De um clube que tinha a Champions como estigma, tanto pela história do Real Madrid quanto por seus fracassos no torneio, o Barça passou a dominar o continente a partir 2006. Conquistou quatro taças e, por mais que também tenha seus tropeços, só ficou de fora das semifinais duas vezes desde então. Ao longo de uma década, estabeleceu uma dinastia no topo da competição só vista antes em duas oportunidades: os cinco títulos do Real Madrid entre 1956 e 1960; e os quatro do Liverpool de 1977 a 1984. Número que ressalta a força continental do clube, enquanto seis clubes diferentes conquistaram os seis títulos restantes no período. E isso sem contar as seis conquistas de La Liga e as três da Copa do Rei também nesta mesma época.

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Até 1992, a história do Barcelona na Copa dos Campeões guardava diversas frustrações. A primeira, logo em sua primeira participação, caindo nas semifinais para o Real Madrid de Di Stéfano em 1960. Para, no ano seguinte, após eliminar os merengues, não resistir ao Benfica de Eusébio na decisão. Por 14 anos, os blaugranas ficaram longe da Champions, até o time de Cruyff ser eliminado pelo Leeds nas semifinais de 1975. E o retorno em 1986 conseguiu ser ainda mais cruel, com a derrota para o Steaua Bucareste na final, com Ducadam pegando quatro penalidades dos catalães.

O título do Dream Team de Cruyff em 1992, enfim, encerrou o trauma do Barcelona na final contra a Sampdoria. Só que novo baque viria dois anos depois, com a goleada do Milan na final. E a cobrança pioraria com os três sucessos do Real Madrid entre 1998 e 2002. A glória dos rivais passou a pautar a cobrança do outro lado, revertida quase sempre em contratações milionárias. Algo que o Barcelona conseguiu mudar especialmente com a contratação de Ronaldinho, não só por ajudar a encerrar a primeira era dos Galácticos no Bernabéu, como também por protagonizar os blaugranas no retorno a seus triunfos europeus.

De Ronaldinho a Messi-Suárez-Neymar, são quatro conquistas do Barcelona na Champions. E três modos diferentes de se jogar para chegar ao título. Em 2006, a equipe de Frank Rijkaard possuía um estilo de jogo muito mais direto. Ronaldinho dava a mágica, Deco ditava o ritmo no meio-campo e o ataque ganhava velocidade com Eto’o e Giuly. Para, na final contra o Arsenal, a entrada de Henrik Larsson e as suas duas assistências fazerem toda a diferença. Já entre 2009 e 2011, consolidou-se o tiki-taka de Guardiola. Xavi e Iniesta tornaram-se intocáveis, ao mesmo tempo em que Messi se transformou de promissor ponta direita a artilheiro insaciável. Azar do Manchester United, vítima sem muita reação nas duas finais.

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Por fim, o quarto título em dez anos vem com a marca da última reformulação, incorporada pela voracidade do tridente ofensivo. Não quer dizer que o Barcelona não incorporou algumas das características dos títulos anteriores. Entretanto, soube contornar os problemas dos fracassos com enorme rapidez. E, junto a um craque do porte de Messi, o poder de renovação foi fundamental para as glórias estabelecidas pelo Barça.

Ao lado de Real Madrid e Bayern de Munique, o Barcelona se cristaliza como uma das três potências da Champions no período recente. Mas com bem mais sucessos. Por mais que os blaugranas tenham vivido eliminações duríssimas (como as para Inter, Chelsea ou Bayern), a capacidade de deixar para trás a pressão e enfrentar os momentos decisivos tem sido maior. Real e Bayern se mantêm no topo, mas não conseguem replicar a mesma força nas fases finais. Como a própria recuperação do Barça, após três anos de seca, demonstra desta vez.

Difícil estipular o quanto durará o atual embalo do Barcelona na Champions. Por mais que Messi, Neymar e Suárez prometam um trio espetacular por mais alguns anos, conquistar o bicampeonato europeu está distante de ser uma missão mais simples – algo que não acontece há 25 anos, desde o Milan de Van Basten, Gullit e Baresi. De qualquer forma o potencial para repetir o feito é evidente. Não só pelo elenco que os blaugranas possuem, mas porque nenhum outro clube europeu sabe jogar tão bem o torneio continental atualmente.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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