Champions League

Como Casemiro foi de contestado a jogador da partida na final da Champions

Por Nathalia Perez

Quem via aquele jogador irregular, recém-saído das categorias de base do São Paulo, sem brio na maioria das partidas em que atuava e quase sempre criticado pela torcida por ser “problema”, se impressiona com o que Casemiro se tornou em sua segunda passagem pelo Real Madrid. Aliás, com o que ele descobriu que sempre pode ser: humilde, extremamente seguro e talentoso com frequência. Hoje, mais do que nunca, é incontestável que aquele garoto que empolgou os torcedores do São Paulo em suas primeiras aparições como profissional, em meados de 2010, não era só mais uma das tantas promessas brasileiras que não vingariam no futuro.

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É, o mundo realmente dá voltas. Quem não lembra daquela partida entre São Paulo e Corinthians, em 2012, em que o Tricolor derrotou o rival por 3 a 1? Daquela entrevista que Casemiro concedeu após o jogo, na qual ele chorou e pediu mais espaço e reconhecimento no time do Morumbi? Na época, foi até um pouco curiosa essa atitude do jogador, porque embora ele tenha tido uma boa atuação no clássico, Casemiro era muito irregular, mesmo tendo capacidade para produzir mais em mais ocasiões. Na realidade, o talento dele nunca foi um ponto contestável do seu conjunto. Seu grande problema estava na sua personalidade forte, que fazia com que, algumas vezes, agisse com um ar de soberba.

A verdade é que só no Porto ele aprendeu o fundamental para que crescesse tanto profissional, quanto pessoalmente: a ser humilde acima de tudo. Segundo o próprio jogador disse uma vez, foi em Portugal que ele amadureceu e deixou de ser menino para se tornar um homem. É válido lembrar que tecnicamente falando, o brilho do volante brasileiro veio mesmo à tona em novembro do ano passado, naquela terrível partida contra o Barcelona, no Camp Nou, a qual deu a impressão de que o resto da temporada do Real Madrid seria pavorosa. O fato dele ter sido reserva evidenciou o problemaço desenhado na equipe comandada por Rafa Benítez sem o jogador para apoiar Kroos e Modric no meio-campo. Problema esse que ficou ainda mais visível quando ele jogou contra o Barça, no segundo jogo, e fez total diferença.

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Na decisão de hoje, o primeiro lance de perigo partiu de Casemiro. Após Bale ter cobrado uma falta, Casemiro finalizou e, meio no susto, Oblak defendeu e praticamente operou um milagre. Três finalizações hoje. Suas estatísticas ao longo do jogo não deixam mentir que ele foi o melhor atleta merengue em campo. E isso tanto defensiva, quanto ofensivamente, mesmo que os números dele no que diz respeito à defesa sejam muito superiores aos dos demais jogadores do Real. Ao todo, o volante deu 92 toques na bola. Serviu uma vez um companheiro de equipe em uma finalização. Ganhou seis vezes disputas aéreas com jogadores adversários. Sofreu duas faltas e driblou os colchoneros com categoria o mesmo número de vezes. Desarmou rivais em oito ocasiões e impediu que três passes do Atlético fossem completados. Acertou 65 passes (90% deles) e sete lançamentos. E, o mais importante: cobriu basicamente os erros de toda a equipe madridista.

Simeone estava certo quando afirmou que Casemiro seria a peça chave do Real Madrid na final de hoje, e que a entrada do brasileiro no time mudou a cara da equipe comandada por Zidane. É fato que o Real, com ele, fica mais perigoso no contra-ataque e mais seguro na distribuição de bola. Na final desta Champions League, o volante de 24 anos provou que mais do que uma realidade no time titular do Real Madrid, ele é o equilíbrio da equipe merengue que levantou a décima primeira taça da Champions. Disciplinado como nunca e cheio de talento como sempre, hoje, sem dúvida alguma, o posto de melhor jogador da partida não poderia ser de outra pessoa além de Casemiro.

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Nathalia Perez

Jornalista em formação trabalhando a favor de um meio esportivo mais humano. Meus heróis sempre foram jogadores de futebol, mas hoje em dia são muito mais heroínas.

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