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Celtic x Rangers: A história dos dois gols mais antológicos eternizados na Old Firm

Indiscutivelmente, Celtic e Rangers protagonizam uma das maiores rivalidades do mundo – para muita gente, a maior. A história da Old Firm supera os 128 anos do primeiro clássico. Os mais de 400 jogos disputados ajudam a explicitar uma animosidade que abrange diferentes aspectos: religião, política, identidade. E, é claro, futebol. Por mais que vários sejam os episódios de sectarismo, muitos mais são aqueles vividos intensamente dentro do gramado. Que também guardam grandes lembranças de um passado riquíssimo, e que se reviverão neste sábado. Depois de quatro anos, Celtic e Rangers voltarão a se enfrentar pelo Campeonato Escocês.

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Para resgatar um pouco sobre a Old Firm, relembramos dois golaços marcantes do dérbi. Anotados por ídolos históricos de Gers e Bhoys, até hoje costumam ser repetidos exaustivamente pelos escoceses para falar sobre o clássico. Cenas inesquecíveis para duas torcidas fanáticas.

Davie Cooper: Rangers 3×1 Celtic, em agosto de 1979

A morte precoce ajuda a aumentar o saudosismo. Davie Cooper faleceu aos 39 anos, em março de 1995, vítima de uma hemorragia cerebral. Independente disso, os elogios ao habilidoso ponta escocês sempre foram e serão superlativos. Revelado pelo Clydebank, Cooper foi contratado pelo Rangers em 1977, quando tinha 21 anos. Passou 12 temporadas no clube, conquistando 13 taças e deixando como legado um vasto repertório de lances deslumbrantes. Mesmo sem tanta fama internacional e com apenas 22 partidas pela seleção escocesa no currículo, o driblador aparece no time do século do Rangers, votado pelos próprios torcedores em 1999.

A obra-prima de Cooper aconteceu em uma Old Firm de pré-temporada, em 1979. A extinta Copa Drybrough reunia os quatro primeiros colocados do Campeonato Escocês anterior. E pouco importa quem venceu o jogo ou quem acabou com a taça: nada supera o golaço anotado pelo ponta. Cooper começa a jogada matando no peito, dando as costas para a marcação. Depois, emenda a sequência de dribles, incluindo dois chapéus, deixando para trás quatro adversários. Ainda tem a categoria de dominar mais uma vez no peito e fuzilar na saída do goleiro. Infelizmente, não há uma câmera ampla do lance. Mas a existente já serve para registrar a genialidade.

Henrik Larsson: Celtic 6×2 Rangers, em agosto de 2000

Os números não são suficientes para medir a importância de Henrik Larsson para a torcida do Celtic. O sueco desembarcou em Glasgow aos 25 anos, em 1997, trazido do Feyenoord. Em sete temporadas com os Bhoys, o atacante foi o artilheiro do Campeonato Escocês cinco vezes e faturou oito títulos, quatro deles da liga. Ainda assim, a aura do ídolo se engrandece pelo momento em que se afirmou. Logo em seu primeiro ano, Larsson participou decisivamente da reconquista da Premier League. Fez um dos gols na vitória por 2 a 0 sobre o St. Johnstone, que encerrou nove anos consecutivos de hegemonia do Rangers. A partir de então, Larsson se celebrizou como um carrasco dos rivais, balançando as redes 11 no clássico – um recorde no pós-guerra entre os alviverdes.

Larsson já havia maltratado o Rangers em 1998. Marcou dois gols nos 5 a 1 pelo Campeonato Escocês, a maior goleada do clássico desde 1988. Entretanto, apenas 21 meses depois, ele faria mais, e com requintes de crueldade. Logo no início da temporada 2000/01, o Celtic enfiou 6 a 2 sobre os arqui-inimigos, o maior massacre dos alviverdes na Old Firm pela liga, igualando o placar registrado antes em 1896 e 1939. O sueco balançou as redes duas vezes. E o primeiro tento, o quarto de sua equipe, resume a fase exuberante vivida pelo artilheiro: Larsson arranca da intermediária, dá uma caneta no marcador e encobre o goleiro com um toque cheio de categoria. Eternizou o ‘Dérbi da Demolição’. Ao fim daquela temporada, além de conquistar a tríplice coroa escocesa, o atacante anotou 53 gols em 50 partidas. Feito e tanto, considerado que ele passou oito meses, até maio de 2000, afastado dos gramados por conta de uma fratura na perna.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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