Europa

A volta de quem não foi

Não se pode dizer que a situação do Panathinaikos neste início de temporada é das piores. O clube ateniense ainda está longe, é verdade, de repetir o desempenho alcançado em 2008/09, quando sobrou tanto na Copa Grega quanto no Campeonato Nacional. A equipe demora a repetir em campo o entrosamento visto nos últimos meses e os principais contratados na janela de transferências, como Boumsong e Luis García, ainda não se encaixaram No entanto, o segundo lugar Super League não aponta um fracasso tão retumbante assim.

Mesmo assim, a cobrança feita pelos torcedores do Trifylli, especialmente após as duas derrotas nos dois primeiros encontros pela Liga dos Campeões, já abala internamente o clube. A maior prova dessa pressão veio neste domingo quando, depois de golear o Ergotelis por 4 a 1, o técnico do PAO resolveu pedir o boné. Nikos Nioplias não aturou as críticas ao seu trabalho. “Não posso ser aclamado de excelente treinador em Agosto e apenas um mês depois ser alvo de chacota”, disse na coletiva que explicou a sua saída.

Meia hora depois do anúncio, o jovem treinador voltou atrás da decisão. A pedido de Nikos Pateras, presidente do Panathinaikos, Nioplias demoveu-se da ideia da sair da equipe e foi novamente a público, para afirmar que ficaria. Se Pateras evitou um problema ao não ter que sair em busca de um novo técnico, entretanto, agora terá que gerenciar a falta de credibilidade que rondará o nome de Nioplias.

Até o momento, o comandante demonstrou bem as suas qualidades no banco de reservas dos alviverdes, seu primeiro trabalho em um clube profissional. Em pouco menos de um ano, acertou o time e conquistou um título nacional, o que técnicos mais badalados não tinham feito nos últimos tempos. Isto sem contar a sua conquista à frente da seleção grega sub-19, que ele levou ao vice-campeonato europeu da categoria. Contudo, ter cedido exatamente no primeiro momento de pressão enfrentado no cargo coloca em xeque o trabalho de Nioplias.

Apesar de suas competências técnicas e táticas serem bem avaliadas, Nioplias começa a aparentar problemas de pulso para comandar um dos maiores clubes da Grécia. Respaldado por presidente e direção, o treinador não havia comunicado nada antes da precipitada entrevista. Nem mesmo os seus jogadores mais influentes, como o capitão Karagounis ou Gilberto Silva. Mesmo que acolhido novamente pela alta cúpula do clube, Nioplias deixou claros sinais de fraqueza e desconfiança.

Certamente sua vida será mais difícil a partir de agora do que se não tivesse a infeliz decisão de declarar a sua demissão. Resta saber como a torcida, vitoriosa em suas críticas, reagirá nas próximas turbulências, além dos jogadores, que foram abandonados de forma bastante prematura.

O contexto em que o pedido foi declarado pelo treinador, aliás, deve ser ressaltado. Saiu justamente após a melhor partida do Panathinaikos na temporada. A vitória por 4 a 1 sobre o Ergotelis era o elo que faltava com o time que encerrara a última Super League em alta. Atletas importantes como Cissé, Katsouranis e Karagounis jogaram como ainda não tinham feito desde a pré-temporada e a equipe finalmente venceu com autoridade. Mas, minutos depois do apito final, Nioplias jogou a calmaria no lixo através de sua coletiva.

Com três vitórias e dois empates em cinco jogos, o Trifylli é o único time invicto na competição nacional, apenas um ponto atrás do Olympiacos. Todavia, precisará acertar os seus eixos rapidamente na Super League, já que nas duas próximas rodadas terá pela frente dois jogos duros. Primeiro, recebe o PAOK em Atenas. Logo na sequência, confronta o AEK no clássico da capital grega.

Já na Liga dos Campeões, maior motivo das críticas dirigidas ao treinador, a situação é bem mais delicada. A derrota contra o Barcelona no Camp Nou não foi nenhuma novidade, somente o placar, elástico demais, assustou. Mas o novo tropeço contra o Kobenhavn, em pleno Estádio Spiros Louis, atrapalhou realmente os planos gregos na competição. Quatro pontos atrás do Barcelona e seis do Kobenhavn, o Pana precisará agora de uma sequência incrível de vitórias – o que dificilmente acontecerá. Por enquanto, é melhor manter sonhos mais modestos e se acostumar com a possibilidade de um terceiro lugar no grupo, que ao menos levaria a equipe aos playoffs da Liga Europa.

A exigente torcida dificilmente se contentará com tão pouco, em uma temporada que, de início, aparentava ser bastante promissora. E Nioplias precisará controlar uma bola de neve que ele mesmo ajudou a construir. Somente o seu talento responderá se ele conseguirá suportar um problema amplificado ainda mais por sua falta de vivência como técnico de futebol.

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Equipe Trivela

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