A Liga dos Campeões aparentemente é uma competição bem sucedida e unânime entre clubes, jogadores, torcedores e jornalistas. Mas só aparentemente. Pelo menos um homem não está contente com a maneira como o torneio é levado. Unal Aysal, presidente do Galatasaray, durante a conferência Leaders in Football, realizada em Londres, falou para quem quisesse ouvir que os principais clubes da Europa estariam pensando em um projeto para a substituição da Uefa Champions League por uma “Super Liga Europeia”. Conquanto bastante improvável, ainda vale a pena ouvir o que o turco tem a dizer sobre o possível substituto do maior torneio de clubes do mundo.

Aysal foi urgente ao comentar o assunto e disse que a ideia precisaria sair do papel “o mais cedo possível”. O mandatário turco explicou que seria disputada por 20 clubes a cada temporada, e que a cada ano mudaria de três a cinco equipes entre os participantes. Segundo Aysal, a ideia seria implantada a partir de 2018, ano em que se encerra o atual acordo da ECA, “Associação de Clubes Europeus”, com a Uefa.

Com todo o ganho que as equipes têm com acordos comerciais e direitos de transmissão ligados à Liga dos Campeões, parece improvável que os clubes desejem uma mudança de torneio. Além disso, a criação de uma competição de apenas 20 times em um continente que conta com 54 federações de futebol seria altamente prejudicial, especialmente para times de países com menor tradição. Qual espaço ocupariam equipes da Rússia e Ucrânia, por exemplo, que, apesar de não estarem no primeiro escalão, costumam fazer boas campanhas na Champions? Isso sem falar na diminuição de vagas por país. Nos casos de Itália, que conta com várias equipes grandes, e Alemanha, que costuma ter vários times competitivos, veríamos muitas agremiações boas e tradicionais sendo deixadas de fora da “Super Liga”.

De maneira bastante abstrata e imprecisa, Aysal seguiu falando sobre a possível substituição da Liga dos Campeões. “O sistema ainda tem que ser colocado, seja pela Uefa ou pelos próprios clubes. Aí decidiremos se uma ruptura será necessária ou não. Ainda não está completamente elaborada, preparada e colocada no papel. Mas é um conceito que já está em discussão há alguns anos”, afirmou o presidente do Galatasaray, em declaração publicada pela Sports Illustrated.

Karl-Heinz Rummenigge, presidente da ECA, tratou de desmentir a fala de Aysal imediatamente. “Nossa Super Liga Europeia é a Uefa Champions League. Estamos muito feliz com as competições atuais e com nossa colaboração extremamente frutífera com a Uefa. Continuaremos a trabalhar junto com a Uefa, mesmo após 2018”, afirmou.

Embora em tom mais comedido que Unal Aysal, o presidente da Juventus, Andrea Agnelli, de certa forma reforçou a possibilidade de uma mudança no formato atual das competições europeias. Segundo o site Eurosport, o italiano afirmou que o formato precisa ser revisto e que a Liga Europa, em especial, “precisa de uma revitalização”.

Apesar de parecer improvável que tal mudança aconteça, é bom atentar para a possibilidade de isso ser apenas uma manobra da ECA para obter acordos ainda mais lucrativos para as equipes. A Liga dos Campeões, da forma como a conhecemos hoje, surgiu após discussões parecidas, com os clubes ameaçando criar uma competição autônoma. A partir disso, os times conseguiram melhores acertos, e o torneio se valorizou. É melhor imaginar que seja esse o caso do que acreditar que seja criada uma competição nos moldes descritos por Aysal.