Samuel Eto’o está bem familiarizado com o problema de racismo que o futebol italiano enfrenta. Ex-atacante da Internazionale, o camaronês falou sobre a questão após Romelu Lukaku ser alvo de insultos por parte de torcedores do Cagliari, em 1º de setembro, algo do qual ele próprio foi vítima, com a mesma torcida. O ex-jogador ironizou torcedores racistas e cobrou ação de dirigentes e também de empresas de redes sociais, cujas plataformas cada vez mais são terreno fértil para a discriminação.

“Amarelo, negro, laranja… no fim, somos todos o mesmo, e nossos filhos deviam saber disso. Eles gritam para você imitando um macaco e depois pedem uma foto. Eles têm uma foto com um macaco”, disse Eto’o, conforme noticiado pelo Football-Italia.

O camaronês, já no fim de sua carreira, jogou por Chelsea e Everton no futebol inglês e, lá, diz não ter passado pela mesma coisa. Ainda assim, a Inglaterra viu casos recentes de jogadores como Pogba, Tammy Abraham e Kurt Zouma sendo alvos de ataques racistas online, os dois primeiros depois de desperdiçarem cobranças de pênalti. Um retrocesso lamentado por Eto’o.

“Todos nós achávamos que, na Inglaterra, isso estava erradicado, então é triste que o problema tenha reaparecido. Nunca perdi um pênalti, mas tenho certeza que, se tivesse perdido, nunca teria passado por isso com torcedores do Chelsea ou do Everton.”

O ex-atacante afirmou que as redes sociais “precisam fazer mais” e que é “maluco que a polícia não consiga encontrar quem está por trás dessas contas anônimas de Twitter”. Ainda assim, apontou para o problema nos estádios e para a falta de ação dos patrões no futebol: “A praga do racismo não está só nas redes sociais – também existe nas arquibancadas. Chegou ao ponto em que precisamos apontar o dedo para os chefes do futebol para que eles assumam responsabilidade”.

O último fim de semana de futebol internacional viu mais um episódio de racismo na Serie A italiana, desta vez no jogo entre Atalanta e Fiorentina, com o brasileiro Dalbert, emprestado pela Internazionale ao time de Florença, sendo alvo de cantos discriminatórios.

O jogador informou ao árbitro, que paralisou a partida e ordenou que os responsáveis pelos alto-falantes do estádio Ennio Tardini pedissem para a torcida parar, antes de retomar o jogo. Após a partida, Gian Piero Gasperini, técnico da Atalanta, colocou em xeque a queixa de Dalbert ao dizer que “ninguém ouviu os cantos”. “Mas se algum imbecil disse algo, aí é diferente. É sério, acontece em todos os estádios”, completou.

Gianni Infantino, presidente da Fifa, disse à RAI que “não pode existir racismo na sociedade ou no futebol” e reconheceu que a Itália não conseguiu lidar com o problema até agora. “Na Itália, a situação não melhorou, e isso é sério. É preciso identificar os responsáveis e expulsá-los dos estádios. É preciso, como na Inglaterra, ter a certeza da penalidade. Não se pode ter medo de condenar racistas, precisamos combatê-los até que eles parem.”

No palco da premiação The Best, antes de entregar o prêmio de melhor do mundo a Lionel Messi, Infantino voltou a tocar no assunto, mas, por ora, o discurso elogiável ainda não encontrou correspondência na realidade na forma de punições severas aos perpetradores.