O caso de racismo contra o zagueiro Koulibaly, do Napoli, reacendeu a discussão sobre o preconceito racial na Europa. A emissora de televisão francesa Canal+ preparou um mini-documentário sobre o assunto, entrevistando proeminentes figuras como Samuel Eto’o, Patrick Vieira, Mario Balotelli e Samuel Umtiti. Eto’o, perto do momento em que precisa decidir se trocará os campos pelos bancos de reserva, foi enfático em afirmar que não existe confiança com treinadores negros.

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Na Copa do Mundo do ano passado, o único treinador negro foi Aliou Cissé, da seleção senegalesa. “Alguns ex-jogadores negros não tiram a licença de técnico. Mas muitos treinadores africanos têm a licença. Simplesmente não existe confiança. Desconfiam, somos vistos como seres de segunda classe”, afirmou, segundo o Marca, o atacante de 37 anos que defende o Qatar SC e tem o desejo de trocar de profissão em breve. “Ganhei na Europa como jogador, tenho que ganhar na Europa como treinador”, completou.

Em 2006, defendendo o Barcelona contra o Zaragoza, no Romareda, Eto’o ameaçou abandonar o gramado, ao ser alvo de insultos racistas. Ele acredita que, se jogadores negros fossem adiante com esse tipo de protesto, as coisas poderiam mudar. “Se os jogadores negros dissessem ‘não vamos jogar’, muitas pessoas perderiam dinheiro e, quando você toca no bolso das pessoas, posso dizer para você que elas encontram soluções”, afirmou.

Caso você entenda francês, confira as declarações de Eto’o ao Canal+.