Há goleiros que ganham campeonatos. O Cruzeiro tem plena consciência disso, por tudo o que já viveu em sua história, e reforçou a certeza na Copa do Brasil passada, quando Fábio protagonizou uma campanha para chamar de sua. E o goleiro voltaria a se agigantar nesta quarta-feira, para levar os celestes de volta às semifinais da competição nacional. No Mineirão lotado, o time de Mano Menezes tinha a situação em suas mãos contra o Santos. Havia vencido o jogo de ida por 1 a 0 e dominou a volta durante a maior parte do tempo. Abriu o placar, pressionou, mandou duas bolas na trave. No entanto, entre um lance fortuito no final do primeiro tempo e o sufoco dos alvinegros no final do segundo, o Santos virou. Em outros tempos, a vitória por 2 a 1 daria a classificação aos paulistas pelos gols fora. Mas não no atual regulamento da Copa do Brasil. E isso foi a chave para a noite memorável de Fábio. O veterano pegou todos os pênaltis que encarou. Três defesas, que deram o triunfo por 3 a 0 à sua equipe, celebrando uma classificação mais difícil que se imaginava.

Logo durante os primeiros minutos da partida, o Santos já enfrentava sérios percalços. Primeiro aconteceu a lesão do zagueiro Luiz Felipe, que deixou o campo logo aos seis minutos e deu lugar a Gustavo Henrique. Mesmo com a vantagem no placar agregado, a iniciativa era do Cruzeiro, que mantinha a posse de bola e tentava encontrar uma brecha no ataque. O Peixe vinha com a proposta de se defender, buscando os contra-ataques. Já aos 12 minutos, Thiago Neves parecia abrir ainda mais o caminho aos mineiros, com uma ótima jogada individual para inaugurar o placar. O meia cortou da direita para o centro da área, contou com o buraco na marcação e finalizou com precisão, no canto de Vanderlei. Os santistas precisariam de dois gols, uma missão hercúlea, levando em consideração a péssima fase da equipe.

O Cruzeiro diminui um pouco o ritmo diante da vantagem. E o Santos precisava ter mais atitude, confiando principalmente nas bolas paradas alçadas na área. Apesar de um lance ou outro dos visitantes, com direito a uma bola que passou rente à trave, o duelo ainda pendia aos celestes. O lado esquerdo da defesa alvinegra era um convite aos cruzeirenses e por muito pouco o segundo gol não saiu por ali, aos 25 minutos. Após boa trama envolvendo Edílson e Robinho, De Arrascaeta carimbou a trave após completar o cruzamento, mesmo com a meta escancarada à sua frente.

O Santos precisava acertar a marcação atrás e ainda dependia das individualidades na frente. Rodrygo era mais uma vez quem chamava a responsabilidade, mas a equipe pecava na conclusão das jogadas. Os alvinegros ganhavam confiança e o empate saiu aos 41 minutos. Gabigol recebeu de Dodô e arriscou o chute de fora da área. A bola venenosa quicou na frente de Fábio e entrou no canto. Tento fundamental para que os alvinegros seguissem sonhando.

Para o segundo tempo, o Santos voltou com outra postura e se colocou mais no campo de ataque, mas logo a intensidade do Cruzeiro prevaleceria. De novo, o time de Cuca contaria com a ajuda da trave para se safar. Após cobrança de escanteio, Dedé carimbou o travessão. Seria um tento para definir a partida. Logo depois, Edílson encobriu Vanderlei, mas viu Lucas Veríssimo tirar a bola em cima da linha. Os buracos na esquerda santista continuavam fazendo o time sofrer. A Raposa, todavia, não conseguiu aproveitar o bom momento. E a empolgação pela partida favorável se transformaria em pressão contrária a partir dos 30 minutos.

Mesmo sem criar com qualidade, ao Santos bastaria uma bola. O jogo era truncado. Ainda assim, a virada aconteceu aos 38. Gabigol puxou para o meio, ajudando na construção. Rodrygo passou livre na direita e cruzou na medida para que Bruno Henrique cabeceasse com estilo, estufando as redes. Foi a deixa para o fim de partida mais tenso. O Cruzeiro tentou um último suspiro e ficou próximo do segundo gol, mas viu Vanderlei ótima defesa em chute de Rafinha. Já nos instantes finais, a bronca ficaria com o Peixe. A equipe já armava um contra-ataque nos últimos segundos, mas a arbitragem interrompeu a chance clara no meio do caminho e gerou muita insatisfação, com razão. De qualquer maneira, a decisão seria na marca da cal.

Então, prevaleceu a figura de Fábio. Se a Copa do Brasil de 2017 já deixou ótimas lembranças ao goleiro, sua participação contra o Santos foi ainda mais impressionante. Lucas Silva abriu a contagem para o Cruzeiro, enquanto o ídolo cruzeirense começou pegando o chute de Bruno Henrique, com um voo no cantinho. Raniel ampliou e, quando Rodrygo partiu para a bola, Fábio mudou de canto e também pegou. Por fim, quando David acertou a terceira cobrança, a glória ficou nas mãos do veterano, parando o arremate de Jean Mota. A estrela do camisa 1 valeu demais em uma noite na qual a sorte não parecia estar do lado celeste.

O Santos acaba deixando uma impressão melhor do que se imaginava em Belo Horizonte. Segue sendo um time com problemas, mas lutou até o final e pode reclamar do lance derradeiro. De qualquer forma, o Cruzeiro merece a classificação. Foi superior nas duas partidas e criou mais oportunidades no Mineirão, apesar da provação. No fim, o temor serviu para aumentar ainda mais a adoração por Fábio. Essa disputa de pênaltis marcaria a carreira de qualquer goleiro. Ao ídolo cruzeirense, é uma nova história grandiosa para ampliar sua lenda no clube.


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