A esperada estreia de Pia Sundhage na seleção brasileira aconteceu nesta quinta-feira à noite. Pelo Torneio Uber Internacional, O Brasil venceu a Argentina por 5 a 0, em jogo no Pacaembu. É preciso levar em consideração que o time brasileiro é absolutamente dominante no continente, o que o ranking da Fifa indica: o Brasil é 10º, enquanto a Argentina é 34ª. A treinadora disse ser sortuda e deixou o mérito da vitória totalmente às jogadoras.

O estádio teve pouco mais de 11 mil pessoas e a torcida gritou “Pia! Pia! Pia!” ao receber a sueca, que acenou e devolveu sorrisos. Em campo, o Brasil não teve Marta, machucada, que nem se apresentou. O ataque brasileiro teve Ludmila, que foi muito mal na Copa do Mundo jogando deslocada na ponta, mas que com Pia Sundhage atuou como centroavante. É a posição que ela atua no seu clube, o Atlético de Madrid, campeão espanhol da última temporada. Foi dela o primeiro gol do Brasil no jogo, aos 18 minutos do primeiro tempo.

Muito superior à adversária, a seleção brasileira aumentou a contagem aos 34 minutos, de cabeça, completando um cruzamento de Andressa Alves – que trocou o Barcelona pela Roma nesta temporada. Um minuto depois, antes que a Argentina pensasse em qualquer reação, Tamires chegou em velocidade pela esquerda e cruzou rasteiro. Debinha, do outro lado, completou para o gol. A coleira Vania Correa ainda tocou na bola, mas não evitou que ela entrasse: 3 a 0, ainda no primeiro tempo.

O segundo tempo teve um ritmo muito mais lento, pelo placar e pelas mudanças que os times fizeram. O Brasil ainda ampliou o placar aos 14 minutos, em uma cabeçada de Erika, e depois fechou o placar em um gol contra. Juncos tentou cortar um cruzamento, mas acabou jogando na direção do próprio gol e marcou 5 a 0 para as brasileiras, já aos 37 minutos do segundo tempo.

“É sempre único fazer algo pela primeira vez. Treinei o Brasil pela primeira vez, então é claro que foi especial. Marcar cinco gols diante de um grande e barulhento público foi ótimo. Esse 5 a 0 é algo que sempre me lembrarei. Sou sortuda de ter vencido a Argentina”, afirmou a técnica na entrevista coletiva.

“A estreia foi acima das minhas expectativas, estou otimista, temos muito trabalho pela frente. Quero explicar muitas coisas, apresentar muitas coisas a elas, mas, ao mesmo tempo, não quero mudar muito. Nos primeiros 20 minutos do treinamento, deixei elas livres para que fizessem tudo ao estilo brasileiro e, aos poucos, foi acrescentando coisas. Tem o fato de eu ainda não falar português, mas, dentro do campo, estou sempre correndo, mostrando e apontando”, explicou a treinadora.

A técnica Pia Sundhage, da seleção brasileira, em sua estreia (Foto: Mauro Horita/CBF)

“Eu não posso ficar com o crédito dessa goleada. As equipes brasileiras sempre foram competentes no ataque, eu só quis aperfeiçoar o trabalho defensivo e as jogadas pelas laterais. É sempre único fazer algo pela primeira vez e fui a técnica da seleção pela primeira vez, claro que é especial. Foi uma grande festa, fizemos cinco gols. O próximo passo agora é melhorar”, afirmou Pia.

O Brasil é um time com muita expectativa, mas que não tem conseguido ser forte o bastante nas principais competições. Na Olimpíada do Rio, acabou eliminada na semifinal pela própria Sueca dirigida por Pia Sundhage, enquanto na Copa do Mundo caiu diante da França, anfitriã, nas oitavas de final. A treinadora vê o potencial do time. “Esse time é um grande time, time que pode competir bem na Copa do Mundo e na Olimpíada. Estamos entre os dez melhores do mundo. O mais importante é dar um passo de cada vez”, analisou.

“Sou entusiasta de insistir sempre no que está dando certo, como estão dando as jogadas pelo lado esquerdo, mas obviamente o objetivo é equilibrar os lados para apresentar mais opções, já que os adversários vão nos estudar. Temos que usar a técnica para fazer um time vencedor. Não só no um contra um. Eu quero acrescentar jogadas pelas pontas e os cruzamentos para trás, não ficar só no passe enfiado pelo meio”, disse.

“Tem sido recompensante trabalhar com as jogadoras. É um desafio, mas estou empolgada. É difícil lidar com o português, mas em campo eu corro, aponto e elas entendem onde quero chegar. Elas fizeram um ótimo jogo em um campo fantástico”, continuou a sueca.

A presença de Pia Sundhage certamente é um incentivo muito interessante para a seleção brasileira. É uma das treinadoras de maior reconhecimento no futebol feminino, tem um trabalho importante para mostrar. Ainda é só o primeiro jogo, em um calendário que terá pouco tempo até a primeira grande competição, a Olimpíada de Tóquio, em 2020.

Será interessante ver como o trabalho irá se desenvolver, mas os sinais neste primeiro jogo foram importantes. Não pelo resultado, porque o Brasil já vencia a Argentina com facilidade em outros momentos, mas pela forma como jogou. Será importante ver como o time irá evoluir e sair do estilo de jogo que tinha até a Copa, com um time que sofria contra seleções mais fortes.

O próximo jogo será no domingo, novamente no Pacaembu, na decisão do Torneio Uber Internacional contra o Chile. Depois de enfrentar a excelente Vania Correa, goleira argentina, o Brasil terá pela frente a goleira Christiane Endler, que defende o PSG e fez uma grande Copa do Mundo na França. A partida será às 13h30 (horário de Brasília) e terá transmissão da TV Cultura e do SporTV.

FICHA TÉCNICA

Brasil 5×0 Argentina

Local: Estádio do Pacaembu, em São Paulo
Árbitra: Edina Alves Batista (Brasil)
Gols: Ludmila aos 18’/1T, Formiga aos 34’/1T, Debinha aos 35’/1T, Érika aos 14’/2T, Juncos (contra) aos 37’/2ºT (Brasil)
Cartões amarelos: Cháves (Argentina)

Brasil: Bárbara; Letícia Santos, Kethellen, Érika e Tamires; Luana, Formiga (Aline Milene, no intervalo), Debinha (Millene, aos 30’/2ºT) e Andressa Alves (Chu, aos 22’/2ºT); Ludmila (Geisy, aos 14’/2ºT) e Bia Zaneratto (Raquel, no intervalo). Técnico: Pia Sundhage.

Argentina: Correa; Chávez (Gómez, aos 44’/2ºT), Barroso, Sachs e Stabile; Santana, Mayorga, Benítez (Sole Jaimes, aos 3’/2ºT) e Larroquete (Cabrera, aos 30’/2ºT); Rodríguez e Oviedo (Juncos, aos 20’/2ºT). Técnico: Carlos Borrello