Quando a disputa da primeira edição da Copa Libertadores de Futebol Feminino começava, quase cinco décadas depois em relação ao torneio masculino, o time do Sportivo Limpeño composto por mulheres nascia no cenário paraguaio. Foi em 2009 que a pequena cidade de Limpio passou a ter um motivo pelo qual se orgulhar. E, quatro anos depois, este motivo dava início a uma sequência fantástica. Com a ascensão nos campeonatos locais, driblando muitas entraves e subindo de divisão até, por fim, chegar à Libertadores feminina, este ano, a equipe feminina do Limpeño passava a ter mais uma característica: a de campeã. E foi este aspecto que as jogadoras e comissão técnica honraram nesta terça-feira, sagrando-se vencedores do torneio sul-americano logo em sua estreia.

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O Sportivo Limpeño fez um time paraguaio chegar à final da Libertadores feminina pela segunda vez. Em sua primeira edição, a Universidad Autónoma decidiu o título contra o Santos, embora tenha sido goleada por 9 a 0 pelas Sereias da Vila. Foi uma mancha que acabou ficando no rumo da modalidade no Paraguai, mas que foi apagada e polida com esta campanha das atuais campeãs. Afinal, a história já começou a ser feita antes da última fase da competição. Isso porque para chegar à decisão, as paraguaias tiveram que eliminar o Foz Cataratas/Coritiba na semifinal, fazendo, assim, com que um clube brasileiro não tenha aparecido na final de forma inédita. Quando o Colo-Colo rompeu a hegemonia detida pelas brasileiras do Santos e do São José, em 2012, o vice ficou com o Foz, que perdeu nos pênaltis.

Depois de derrotar as paranaenses por 2 a 0 no último final de semana, o Sportivo Limpeño esperou o resultado entre Estudiantes de Guárico e Colón para, enfim, conhecer seu adversário na final. Deu Estudiantes, e pelo mesmo placar do outro jogo de semifinal. Dessa forma, as paraguaias e as venezuelanas duelaram pela taça no estádio Alberto Suppici, no Uruguai, país-sede desta edição do torneio, em um jogo dramático. Até porque nada estava decidido até o último minuto antes do apito final. Foi aos 45 do segundo tempo que Damia Cortaza sentenciou o gol do título, depois de Paola Villamizar abrir o placar para o Estudiantes aos dez da segunda etapa e Liz Peña deixar tudo igual 15 minutos depois.

Foi na garra, na adrenalina, no drama e na emoção que o Limpeño fez 2 a 1 e conquistou o troféu pela primeira vez, logo na primeira classificação adquirada para a competição continental. Foi escrevendo um enredo glorioso desde a semifinal, eliminando o Foz e impedindo um time brasileiro de chegar à decisão de maneira inédita. As paranaenses, no entanto, não saíram totalmente no prejuízo. Venceram o Colón e ficaram com o terceiro lugar do torneio que é praticamente dominado pelo Brasil, com um título da Ferroviária, dois do Santos e três do São José. Agora, na próxima edição, quem representarão o país na Copa Libertadores de Futebol Feminino serão as jogadoras do Flamengo, campeãs do Campeonato Brasileiro, e as do Audax/Corinthians, vencedoras da Copa do Brasil.