Aos 24 anos, Leroy Sané vive a mais difícil temporada de sua carreira. Depois de perder espaço no Manchester City em 2018/19, sofreu uma grave lesão na partida de abertura da atual campanha, a decisão da Community Shield, em agosto de 2019. Com isso, sua iminente transferência ao Bayern de Munique caiu por terra. Para piorar as coisas, quando estava prestes a ser opção para Pep Guardiola, viu o futebol ser paralisado pela crise sanitária global do coronavírus. Resiliente, no entanto, aproveitou todo o período de sua lesão para se aprimorar e deverá fazer o mesmo até o restante do período de esportes suspensos.

Em entrevista ao site do Manchester City, Sané admitiu que o baque inicial com a lesão de ligamento cruzado anterior do joelho direito foi bastante forte. A estranheza foi grande com a impossibilidade de se mexer logo após a cirurgia. Mas, então, seu foco mudou, e o alemão passou a olhar apenas para o que poderia fazer. E tirou proveito do longo período de inatividade para tentar aperfeiçoar o que julga como pontos fracos em seu jogo.

“Foi a lesão mais difícil e longa que já tive na minha carreira. É difícil, especialmente no primeiro dia depois da cirurgia, porque não dá para se mexer nem um pouco, e isso não é algo a que um atleta está acostumado. Você precisa se esforçar todos os dias, porque sabe que é uma longa recuperação. Mas é também uma boa oportunidade para trabalhar em outras fraquezas, e é por isso que aproveitei como uma chance de me recuperar bem e voltar forte.”

Infelizmente para o alemão, seu tempo para testar o período de aprimoramento foi bastante curto. Em 28 de fevereiro, mais de seis meses depois de entrar em campo contra o Liverpool naquele jogo em Wembley pela Community Shield, atuou por aproximadamente uma hora em confronto da equipe sub-23 do Manchester City contra o Arsenal da mesma categoria. Logo depois, a epidemia de coronavírus cresceu exponencialmente, paralisou as atividades nas ligas europeias e interrompeu os planos de volta aos gramados do alemão.

Supõe-se que uma das partes mais difíceis da reabilitação tenha sido observar de longe, impotente, a sua equipe ser destronada pelo Liverpool. O título não está garantido matematicamente, mas a vantagem dos Reds é grande demais para que uma reviravolta seja possível (25 pontos de diferença, com apenas dez rodadas a serem disputadas, e o time de Klopp com uma partida a menos a jogar).

Ao todo, Sané perdeu 44 jogos até aqui devido à sua lesão. Para alguém sem um histórico de lesões graves, a penúria é grande – e é aí que entra a importância dos conselhos de quem está mais do que calejado no assunto.

“É claro que todo o time me apoiou, mas eu conversei especialmente com o Gündogan e o Mendy um pouco mais sobre a lesão, sobre o que eles fizeram (quando estiveram lesionados por longos períodos), o que poderia acontecer e qual era a experiência deles com tudo isso. Saber quais são certas sensações e o que pode acontecer me ajudou bastante, e fico muito contente que eles estiveram comigo ao longo da recuperação.”

A situação sem precedentes vivida pelo futebol europeu impossibilita qualquer projeção de como deverá ser o futuro próximo da carreira de Sané, mas os rumores, noticiados inclusive pela France Football, dão conta de que o alemão deverá ser disputado por Real Madrid e, mais uma vez, Bayern de Munique.

A temporada aquém em 2018/19 e a lesão grave não diminuíram significativamente o valor do ponta no mercado e nem a impressão de que o rápido e habilidoso extremo é um dos nomes com mais potencial para figurar na lista de herdeiros do domínio de Messi e Cristiano Ronaldo como melhores do mundo.