O Departamento de Justiça dos Estados Unidos deflagrou nesta quinta-feira a nova fase do seu processo de investigação sobre esquemas de corrupção na Fifa. Ao todo, 16 dirigentes foram indiciados, entre eles Marco Polo Del Nero, atual presidente da CBF, e Ricardo Teixeira, ex-mandatário da entidade máxima do futebol brasileiro.

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Vasculhamos o documento da investigação, disponibilizado no site da Justiça americana, em busca de quais esquemas de corrupção a dupla aparece nomeada. Além deles, reunimos aqui informações sobre o envolvimento nestes episódios de José Maria Marín, já extraditado para os Estados Unidos.

Escalação de jogadores na Copa América

J. Hawilla, presidente da Traffic, concordou em fazer pagamentos à CBF para garantir que a entidade escalasse seus melhores jogadores na Copa América nas edições entre 2001 e 2011. Em algumas oportunidades, Ricardo Teixeira pediu que Hawilla fizesse pagamentos a contas desconhecidas pelo presidente da Traffic, e um diretor financeiro da empresa lhe informou que as contas não eram da CBF. Curiosamente, a entidade parecia incapaz de cumprir até seus acordos escusos, já que o Brasil venceu a Copa América de 2004 com o time reserva.

Direitos de transmissão da Copa Libertadores

Marco Polo Del Nero, Ricardo Teixeira, José Luís Meiszner (responsável pela comercialização de direitos dos principais torneios da Argentina) e José Maria Marin receberam propina de Alejandro Burzaco e do co-conspirador #12 para apoiarem a T&T (uma parceria entre a Traffic e a Torneos) como detentora dos direitos de transmissão da Copa Libertadores.

Direitos de transmissão da Copa do Brasil

Ao longo do período entre 1990 e 2009, Ricardo Teixeira recebeu, diversas vezes, propina de J. Hawilla para a venda dos direitos de transmissão da Copa do Brasil. Em 2011, uma empresa de marketing esportivo, fundada por um ex-funcionário da Traffic, entrou na disputa pelos direitos da competição nas edições entre 2015 e 2022. Para conseguir o contrato com a CBF, o dono desta empresa, chamado de co-conspirador #7 pela investigação do FBI, concordou em pagar uma propina anual a Ricardo Teixeira. O co-conspirador #7 viajou para os Estados Unidos para discutir o assunto com ex-presidente da entidade.

A assinatura do contrato entre a nova empresa e a CBF levou a uma disputa entre o co-conspirador #7 e José Hawilla. Para resolver a questão, a Traffic e a nova empresa entraram em um acordo, em agosto de 2012, para dividir os direitos de transmissão e os lucros das edições da Copa do Brasil entre 2013 e 2022. A Traffic ainda aceitou pagar R$ 12 milhões à empresa do co-conspirador #7.

Após o acordo, o co-conspirador#7 avisou Hawilla que o valor da propina que havia acertado com Ricardo Teixeira havia aumentado, após José Maria Marín e Marco Polo Del Nero também exigirem pagamentos. Hawilla aceitou pagar metade da propina, ou R$ 2 milhões por ano, que seria distribuída entre Teixeira, Marin e Del Nero.

Patrocínio da CBF

Esta história já era conhecida desde o fim de maio, mas desta vez Ricardo Teixeira e Del Nero aparecem nomeados no documento do FBI. Após a conquista do Tetra na Copa de 1994, a Nike abordou a CBF para patrocinar a Seleção, mas a entidade já tinha um acordo com a Umbro. Como parte do acordo básico, a Nike gastou US$ 200 milhões, parte dele ressarcindo a Umbro, que tinha contrato com a CBF, e o negócio foi fechado em 1996. A Nike pagou US$ 160 milhões à CBF em dez anos, e a entidade repassou uma porcentagem do valor para a Traffic. A Nike concordou em pagar US$ 40 milhões adicionais a um afiliado à Traffic, e Hawilla ainda repassou metade do que recebeu no acordo para Ricardo Teixeira.

Direitos de transmissão da Copa América

A Datisa, que comprou em 2013 os direitos de transmissão da Copa América entre 2015 e 2023, aceitou pagar propinas milionárias para dirigentes e ex-dirigentes da Conmebol e de federações sul-americanas. Entre eles, os ex-presidentes da Conmebol Eugenio Figueredo e Nicolás Leóz e os brasileiros Ricardo Teixeira, José Maria Marín e Marco Polo Del Nero.