Um a menos. Assim terminou o clássico no Vélodrome, com o Olympique de Marselha fora da disputa pelo título da Ligue 1. A derrota por 3 a 2 em casa para o Paris Saint-Germain deixou o OM a cinco pontos do líder e maior rival a sete rodadas do fim do campeonato. Uma distância praticamente impossível de tirar em tão pouco tempo, como a própria história do torneio faz questão de mostrar.

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Desde a temporada 1994/95, quando foi adotado o esquema de três pontos por cada vitória, apenas uma vez houve um “milagre” do mesmo tamanho. Foi em 1996, quando o Auxerre tinha esta mesma desvantagem, mas conseguiu dar a volta por cima com um sprint impressionante para ficar com a taça. Desta vez, porém, o OM parece não ter mais forças para conseguir este gás para a reta final e almejar uma reviravolta.

E não dava mesmo para esperar que o Olympique de Marselha chegasse às rodadas finais com chances claras de título por conta de seu desempenho horroroso contra os principais concorrentes pela taça. Nos duelos contra Lyon, PSG e Monaco, os marselheses somaram apenas um ponto. Ainda falta o jogo do returno contra a equipe do principado, mas ainda assim é inadmissível tamanha fragilidade diante dos adversários de peso.

Nem mesmo a influência de Marcelo Bielsa serviu para reverter a freguesia recente do OM diante do clube da capital. Foi a sétima derrota consecutiva do OM para o PSG, que ficou atrás no placar duas vezes, mas teve forças para obter a virada por 3 a 2. agora, os marselheses precisam mais do que nunca se concentrar na disputa de uma vaga na Liga dos Campeões, já que Saint-Étienne e Monaco já aparecem em seu retrovisor.

O clássico começou dentro de uma atmosfera mágica, proporcionada pelo público recorde no Vélodrome. Clima que contagiou o PSG com velocidade maior do que o OM, muito tímido em suas primeiras ações. Os parisienses, que haviam criado duas chances reais com Pastore e Cavani, foram surpreendidos com a eficiência de Gignac, que abriu o placar aos 30min. O clube da capital parecia entrar em colapso, já que David Luiz saiu lesionado quatro minutos depois.

Aos 35min, Matuidi igualou e não deixou o PSG cair na letargia. Só que Pastore destoou de seus companheiros. Em uma bobeada, perdeu a bola e, na sequência, Gignac deixou o OM em vantagem de novo, pouco tempo antes do intervalo. Nos acréscimos, Gignac ainda exigiu uma bela intervenção de Sirigu. Para o segundo tempo, porém, os marselheses deixaram todo o seu ímpeto inicial nos vestiários.

O Olympique de Marselha fraquejou exatamente por conta de seu calcanhar de Aquiles nesta temporada: o sistema defensivo. O PSG precisou de apenas três minutos para fazer dois gols, facilitados pela lentidão da zaga marselhesa e pela liberdade excessiva a Ibrahimovic – até então uma figura decorativa em campo, mas com participação decisiva nos gols de Marquinhos e Morel (contra).

Os donos da casa ainda reclamaram muito de um pênalti não assinalado após a bola tocar no braço de Marquinhos, mas o lance não apaga os defeitos apresentados pelo time em mais um clássico. Com uma defesa que sofreu 34 gols (a pior entre os cinco primeiros colocados), o OM nunca fez sua camisa pesar na balança diante de seus rivais mais próximos. Agora, tem que se contentar mais uma vez em vê-los disputar a taça.

Hospital cheio
David Luiz, pelo PSG (Foto: AP)
David Luiz, pelo PSG (Foto: AP)

Encerrado o clássico e passada a euforia pela vitória, o Paris Saint-Germain teve motivos para se lamentar ao sair do Vélodrome. O time sofreu duas baixas, provocadas por problemas físicos. O zagueiro David Luiz e o volante Thiago Motta se machucaram durante a partida e devem desfalcar a equipe por algumas semanas. Uma péssima notícia, ainda mais a poucas rodadas do fim da Ligue e com tantas partidas decisivas pela Liga dos Campeões e copas nacionais.

Diante do Olympique de Marselha, o PSG iniciou uma verdadeira maratona. Além dos confrontos da Ligue 1, o clube da capital tem um calendário repleto de jogos decisivos em abril: uma semifinal da Copa da França contra o Saint-Étienne, uma decisão da Copa da Liga Francesa diante d Bastia e, mais importante de tudo, os dois duelos pelas quartas de final da Liga dos Campeões contra o Barcelona.

O PSG já disputou 47 partidas na temporada e, exatamente no período mais crítico, começa a sofrer as consequências. Os problemas musculares de David Luiz e Thiago Motta são apenas um alerta de que a situação pode ser ainda pior em um período de tempo bastante curto. Ao longo de 2014/15, a enfermaria parisiense dificilmente esteve vazia. E os problemas começam a se repetir.

David Luiz (coxa) e Thiago Motta (panturrilha) já desfalcaram o PSG anteriormente devido a problemas musculares. Ibrahimovic (calcanhar), Thiago Silva (coxa), Lavezzi (coxa), Lucas (coxa), Aurier (coxa), Cabaye (coxa e joelho) e Pastore (panturrilha) também frequentaram a enfermaria – a grande maioria, como se percebe, com lesões musculares. Um sinal claro do nível máximo e contínuo de esforço ao qual eles se submetem.

Para se ter uma ideia do drama ao qual Laurent Blanc está prestes a se sujeitar, o treinador quebra a cabeça para montar o time para o primeiro duelo contra o Barcelona. Os já citados Thiago Motta e David Luiz, lesionados, são praticamente cartas fora do baralho. Para piorar, Ibrahimovic e Verratti estão suspensos e também não entrarão em campo. A cereja do bolo pode ser Cavani, que deixou o clássico contra o OM sentindo dores… na coxa.

Blanc até tentou poupar alguns jogadores na Ligue 1, mas sua experiência fracassou. Na 29ª rodada, um time misto do PSG foi derrotado pelo Bordeaux por 3 a 2. Vários titulares foram poupados em virtude do desgastante jogo contra o Chelsea pelas oitavas de final da Champions, que valeu a classificação para a etapa seguinte. Prorrogação, carga emocional e psicológica elevadíssimas e o cansaço da viagem tiveram um preço mais alto do que se pode imaginar.

Era de se esperar que o PSG pudesse lidar melhor com esse tipo de problema, justamente por ter um elenco em tese capaz de suprir suas necessidades. Blanc sabe que isto pode ser verdadeiro para se manter à frente na Ligue 1, mas ainda seria muito pouco para encarar o Barcelona de igual para igual. Para quem deseja conquistar todos os títulos possíveis, precisava pensar melhor no esgotamento de suas estrelas e contornar da melhor forma possível as mais do que esperadas ausências provocadas por lesões. Agora, cabe torcer para que ninguém mais se machuque e que os lesionados se recuperem o quanto antes.