Alguém pode ter tido um domingo tão ruim quanto o de Mauro Icardi. Pior acho muito difícil. Sua Internazionale perdeu, em casa e de virada, para o Cagliari, o atacante desperdiçou um pênalti, os ultras da equipe entraram em guerra declarada contra ele e a diretoria está prestes a demovê-lo do posto de capitão.

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Tudo começou com uma passagem em sua autobiografia – que conta a longa e interessante história dos seus 23 anos. Nela, Icardi relata um incidente depois da derrota por 3 a 1 para o Sassuolo, em 1º de fevereiro de 2015, quando ele e Guarín foram às arquibancadas e deram suas camisas para torcedores, que atiraram os presentes de volta ao gramado. Houve muita discussão.

No livro, ele afirma que deu sua camisa para uma criança, mas um chefe dos ultras da Internazionale arrancou o uniforme das mãos do jovem. “Foi quando eu comecei a insultá-lo: ‘Seu m…, você está agindo todo arrogante com uma criança para aparecer para o resto da curva? Você acha que é durão?”, escreveu. “No vestiário, fui aclamado como um herói porque ninguém havia enfrentado desse jeito um dos líderes da torcida”.

No entanto, para a torcida, que ocupa a Curva Nord do San Siro, esse trecho está mais para ficção do que para uma história real. Em um comunicado, alega que o incidente com a criança foi inventado por Icardi, lembra que o atacante ameaçou chamar “100 criminosos da Argentina” para matá-los e exige que ele não seja mais capitão da equipe. “Não há mais desculpas”, disse. “Nós o considerávamos jovem, um pouco idiota (como muitos), mas, no fundo, um bom rapaz. Mas se trata de um indivíduo que não pode usar a braçadeira de capitão da Inter. Você está terminado conosco. Você já era. TIRE A BRAÇADEIRA, SEU PALHAÇO (sim, escreveram em caixa alta)”.

Icardi respondeu em uma publicação no seu Instagram na manhã deste domingo. Confirmou a frase dos assassinos, que foi a seguinte: “Estou pronto para enfrentá-los um a um. Quantos são? 50, 100, 200? Ok, grave minha mensagem e deixe que eles a ouçam: trarei 100 criminosos da Argentina que vão matá-los”. Na sua tentativa de pedir desculpas, Icardi admite que exagerou e faz uma análise bastante correta da situação. “É verdade que no livro eu cuspi algumas frases exageradas”, afirma. “Se eu tivesse um mínimo de cérebro no meu crânio, eu certamente não arriscaria ofender a Curva. Não queria ofender ou desrespeitar ninguém”.

Não foi o suficiente para aplacar a fúria da Curva Nord, que vaiou e xingou bastante o atacante na partida deste domingo contra o Cagliari. Levou uma faixa na qual estava escrito: “Você usou uma criança para se justificar e jogar lama na gente. Você não é um homem. Você não é um capitão. Você é só um vil pedaço de m…”.

faixa-icardi

O vice-presidente da Internazionale, Javier Zanetti, afirmou à Mediaset Premium que o comportamento de Icardi foi “inaceitável”, porque a torcida é o elemento mais importante do clube, e que a diretoria tomará alguma medida contra ele. Não confirmou que o argentino deixará de ser capitão da equipe, mas admitiu que o assunto será discutido. O diretor esportivo Piero Ausilio disse que uma decisão será tomada na segunda-feira.

Esse era o clima no San Siro para a partida contra o Cagliari, a oitava da Internazionale no Campeonato Italiano. Aos 25 minutos, o time da casa teve um pênalti, que deveria ter sido cobrado por qualquer jogador vestido de preto e azul, menos por aquele que passou as últimas 24 horas em escancarado conflito com a torcida. Mas foi ele mesmo que bateu: debaixo de vaias, Icardi chutou para fora e desperdiçou a chance de abrir o placar.

 

João Mário acabou fazendo 1 a 0 para a Inter, mas o Cagliari conseguiu a virada com gols de Federico Melchiorri e Handanovic, contra. Sim, teve até mesmo um gol contra bizarro do seu goleiro no domingo de Icardi, que definitivamente não deveria ter saído da cama.