Estados Unidos

Robbie Rogers: “As pessoas não são homofóbicas, é a mentalidade do futebol”

Robbie Rogers, o jogador mais famoso assumidamente homossexual, afirmou em entrevista à BBC que as pessoas que fazem parte do futebol não são homofóbicas e que a culpa dos comentários preconceituosos e das brincadeiras sem graça está na mentalidade que existe dentro do esporte, não dos atletas, torcedores e dirigentes.

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“É mais um pacote de mentalidade no futebol que faz as pessoas dizerem o que elas pensam que deveriam estar dizendo. Mesmo os torcedores: quando ficam juntos, ficam meio loucos”, afirmou o meia do Los Angeles Galaxy. Rogers também contou que as pessoas das quais ouvia piadas homofóbicas quando sua orientação sexual ainda era segredo foram as mesmas que o apoiaram quando ele decidiu voltar a jogar futebol.

Rogers precisou se aposentar precocemente, aos 25 anos, para poder assumir a sua homossexualidade. Todo o ambiente de vestiário no qual viveu desde os 5 anos lhe dava a certeza que não seria possível fazer isso enquanto era jogador de futebol. Hoje ele pensa diferente. “Eu me sinto mal por quem está no lugar onde eu estava. Mas espero que eles me vejam e pensem que é possível. Eu acho que para os atletas é sempre o medo dos vestiários. Acho que é ser isolado pelos seus companheiros. Eu diria: sim, faça, porque seus companheiros vão eventualmente te apoiar”, disse.

Veja a tradução da entrevista dele para a BBC e o vídeo, caso o seu inglês seja bom. Rogers fala bem rápido:

“Todas as coisas que ouvi quando era jovem e tudo que ouvi no vestiário me fizeram pensar que seria impossível. Mas aprendi, com essa experiência, que as mesmas pessoas que eram homofóbicas são as que me apoiam agora. Então eu poderia ter assumido enquanto jogava. Eu joguei futebol desde os 5 anos, e em todas as divisões, todos os países, eu ouvia coisas como “não seja bicha”. Ouvia discussões: “como alguém pode ser gay?”. E eu pensava: “nunca vou assumir enquanto jogar esse esporte”.

Eu parei de jogar, ia voltar a estudar. Fui aceito na faculdade de moda de Londres e ia trabalhar para pagar a faculdade. Eu estava vivendo aqui, quando eu assumi publicamente, recebi milhares de mensagens. Percebi que não era o único passando por isso e o impacto que eu poderia ter se voltasse aos gramados. Voltei para os Estados Unidos e comecei a treinar com o Galaxy.

Eu tinha medo do que aconteceria nos vestiários, mas meus companheiros me apoiaram muito. Foi mais fácil do que eu pensei. Eu voltei e eles foram muito normais. Eu pensei que tudo havia mudado da noite para o dia, mas depois percebi que as pessoas não são homofóbicas. É mais um pacote de mentalidade no futebol que faz as pessoas dizerem as coisas que elas pensam que deveriam estar dizendo. Mesmo os torcedores, quando ficam juntos, ficam meio loucos.

Meus companheiros de outros times pediram desculpas, nunca pensaram no que estavam dizendo. Me diziam: “não pare de jogar, você é muito talentoso”. Sou amigo de muitos deles. Eu estou do outro lado agora, aproveitando a minha vida, em Los Angeles. Eu me sinto mal por quem está no lugar onde eu estava. Mas espero que eles me vejam e pensem que é possível. Eu acho que para os atletas é sempre o medo dos vestiários. Acho que é ser isolado pelos seus companheiros. Eu diria: sim, faça, porque seus companheiros vão eventualmente te apoiar”

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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