Copa do MundoCopa OuroEstados Unidos

Donovan mudou a forma como o futebol é visto nos Estados Unidos

Estádio Loftus Versfeld, em Pretória, 23 de junho de 2010. Naquele dia, os Estados Unidos jogavam o seu último jogo da fase de grupos da Copa do Mundo, com os Estados Unidos enfrentando a Argélia. O time precisava da vitória para se classificar às oitavas de final. Naquele momento, os americanos estavam eliminados, porque a Inglaterra vencia a Eslovênia e ia a cinco pontos e os eslovenos estavam se classificando em segundo, com quatro. Os Estados Unidos só empatavam em 0 a 0 e chegavam a três pontos. Aos 46 minutos do segundo tempo, Landon Donovan aproveitou um rebote do goleiro Rais M’Bolhi e marcou o gol da vitória e da classificação. Um gol que levou os torcedores americanos à loucura assistindo ao jogo.

VEJA TAMBÉM: Veja americanos desprezando a estreia dos EUA na Copa

Aquele foi um dos maiores momentos da história do futebol nos Estados Unidos, segundo a revista Sports Illustrated. Mais do que isso, a revista define aquele gol como um marco na passagem do futebol como um esporte reconhecido pelo público em geral. “Se há um gol que definiu a era que o futebol americano tocou o reconhecimento geral do público, teria que ser um gol marcado por Donovan em um contra-ataque”, diz a revista.

Aquele gol foi tão marcante que muitos chamaram de “milagre” e a Copa do Mundo tornava-se um evento assistido por 8,6 milhões de pessoas ao vivo na TV. Isso sem contar os bares, praças, ruas onde as pessoas se aglomeravam para assistir ao jogo. Jonah Freedman, editor do site MLSsoccer.com, definiu aquele momento assim: “Landon Donovan, você é agora oficialmente uma lenda americana”.

Assista ao gol:

Agora veja como foram as reações ao gol nos Estados Unidos:

O gol por um outro ângulo, mostrando também a torcida no estádio em Pretória:

Recordista e uma lenda do futebol nos Estados Unidos

Esse jogador, o que veste a camisa 10, que fez esse gol tão marcante, anunciou neste dia 7 de agosto que irá se aposentar ao final da temporada da MLS. O jogador do Los Angeles Galaxy chocou o mundo do futebol com o anúncio, já que ele tem 32 anos e parecia ainda ter alguns anos pela frente, se assim quisesse. Mas ele não quer. Depois de 14 temporadas jogando a MLS e 16 como profissional, decidiu continuar no futebol só fora de campo.

Donovan se tornou ídolo do Los Angeles Galaxy
Donovan se tornou ídolo do Los Angeles Galaxy

Donovan mudou a forma como os jogadores americanos são vistos no futebol internacional. Começou a carreira jogando na Alemanha, no Bayer Leverkusen, onde se profissionalizou em 1999. Em 2011, foi jogar na MLS pela primeira vez, no San Jose Earthquakes. Ficou até 2004, quando voltou para o Bayer Leverkusen e jogou por uma temporada. Mas teve poucas chances e voltou ao futebol dos Estados Unidos. Em 2005, foi contratado pelo Los Angeles Galaxy. Em 2009, foi emprestado ao Bayern de Munique, mas ficou meia temporada e mal jogou. Voltou à MLS e, em 2010, foi emprestado ao Everton, onde teve um impacto imediato. Voltou à MLS e jogou pelo Everton por empréstimo novamente em 2012, antes de retornar de vez para o Los Angeles Galaxy.

Nas duas passagens que teve pelo Everton, Donovan era visto como um jogador de alto nível, com capacidade para continuar na Premier League. Ele, porém, sempre pareceu preferir ficar nos Estados Unidos, onde era um ídolo e um destaque estabelecido. Não por acaso, é uma lenda da MLS com 138 gols na fase regular da liga. É também o jogador com mais gols no All-Star Game com o gol que marcou contra o Bayern de Munique, empatando com outra lenda do futebol americano, Brian McBride. Foram 22 gols na fase de mata-mata da MLS, seis a mais do que o segundo colocado, Carlos Ruiz.

Donovan é também o jogador com mais títulos da MLS, com cinco, empatados com Jeff Agoos – que atualmente trabalha na organização da MLS – e Brian Mullan. É o único jogador de futebol americano a ganhar o prêmio de Atleta do Ano quatro vezes e é o recordista de jogos no jogo All-Star, com 14. Ele foi o MVP da MLS uma vez, em 2009, e foi também o artilheiro da liga uma vez, em 2008, com 20 gols.

Na seleção americana, são 57 gols marcados e 58 assistências. É o único jogador americano a passar da marca de 50 gols e 50 assistências. Clint Dempsey é o segundo na lista de artilheiros com 39 gols, enquanto Cobi Jones é o segundo na lista de assistências com 22. E desses muitos gols que marcos, ele tem gols importantes. São cinco gols marcados em seus 12 jogos de Copa do Mundo. Ele não é só o maior artilheiro americano em Copas do Mundo, mas também o único jogador da Concacaf a marcar cinco gols em Copas do Mundo. Ele ainda foi campeão da Copa Ouro, da Concacaf, quatro vezes com a seleção americana. É o segundo jogador com mais jogos com camisa dos Estados Unidos, 156, atrás apenas de Cobi Jones, com 164.

Este segundo semestre da MLS será certamente uma temporada de muitas homenagens ao jogador. Donovan mudou o patamar dos Estados Unidos com suas atuações pela seleção e pela forma como continuou na MLS, mesmo tendo nível para jogar na Europa. Ele se tornou uma lenda do futebol no país, uma espécie de embaixador do esporte mais popular do mundo no país onde ele não tinha essa importância. A Copa do Mundo de 2014 nos mostrou que o futebol definitivamente caiu no gosto das pessoas nos Estados Unidos. E se tem um jogador que marca essa passagem do futebol de esporte de nicho a um esporte realmente importante, esse jogador é Landon Donovan. Ele não foi para a Copa, e nós mostramos aqui que era uma decisão que fazia sentido. Mesmo assim, é o maior jogador da história do futebol nos Estados Unidos. E certamente poderá contribuir para fazer do esporte ainda maior no seu país.

VOCÊ PODE GOSTAR TAMBÉM:

– Crescimento do futebol norte-americano passa por um projeto incrível do Sporting Kansas City

– O futuro do US Team é agora (ou daqui quatro anos, na Rússia)

– Recordes de audiência da Copa criam expectativa pelo futebol nos EUA

– A paixão dos americanos pelo futebol teve o seu primeiro jogo de multidões em 1926

Mostrar mais

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo