Os Estados Unidos mais uma vez exibiram a sua força nesta Copa do Mundo. Depois dos impressionantes 13 a 0 contra a Tailândia, as americanas venceram o Chile por 3 a 0, em uma atuação bastante segura e com destaque para a camisa 10 e capitã Carli Lloyd. Em um time que o time rodou o elenco e teve apenas três titulares do primeiro jogo, foi uma vitória que contou com o destaque de uma adversária, a goleira chilena Christiane Endler. As americanas mostraram força e vão para o último jogo já classificadas, mas com um desafio maior: a Suécia, outra seleção que venceu os dois jogos iniciais.

Sete mudanças nas titulares americanas

Depois de uma goleada histórica na primeira partida, a técnica americana Jill Ellis trocou sete jogadoras do time titular para o jogo contra o Chile. Das titulares da primeira rodada, permaneceram apenas a goleira Alyssa Naeher, Julie Ertz, Lindsay Horan e Abby Dahlkemper. Todas as demais jogadoras foram para o banco, rodando o elenco das norte-americanas em um jogo em que seria favoritas fosse qual fosse a escalação.

Bola parada decisiva

As americanas quebraram a defesa chilena logo a 10 minutos, um lançamento longo para a área, a defensora Galaz afastou mal para o meio, e Carli Lloyd pegou de primeira, de pé esquerdo. Um golaço, sem chance de defesa para a goleira Endler.

Só que os outros dois gols vieram em escanteios, com bola aérea, superando muito a baixa estatura das chilenas. Muito também graças às venenosas cobranças de escanteio de Tierna Davidson, a lateral esquerda. Primeiro, Julie Ertz, em uma bela cabeçada, marcou 2 a 0. Depois, foi a vez de Carli lloyd, em escanteio do mesmo lado esquerdo, chegar no meio da área e testar firme para o fundo do gol, em uma cabeçada precisa: 3 a 0.

Carli Lloyd, artilheira

A atacante Carli Lloyd marcou dois gols e se tornou a primeira jogadora a marcar em seis jogos consecutivos de Copa do Mundo. Sim, isso mesmo, seis jogos consecutivos de Copa que ela marca. Lembrando que nessa lista estão todos os jogos eliminatórios da Copa 2015: oitavas, quartas, semifinal e final. Sendo que foram três jogos na final. Sim, tripleta na final.

Controle e imposição física

O Chile não é a Tailândia, mas ainda é uma seleção estreante em Copas do Mundo e que está muitos degraus abaixo do time que é atual campeã do mundo, entre as principais potências do esporte. Há uma questão técnica, de diferença entre os times, que fica clara. Além disso, há também uma diferença física importante.

Com uma marcação sufocante na saída de bola adversária, os Estados Unidos recuperaram a bola com rapidez e até certa facilidade. O Chile era muito lento na sua saída de bola. Tentou algumas vezes sair jogando com a bola no chão e passes, mas sem colocar velocidade, as chilenas eram engolidas pela pressão americana.

A questão física foi ficando ainda mais relevante no segundo tempo. Com o passar dos minutos, as chilenas, entrincheiradas em sua defesa, pareceram cansar. As chilenas marcavam atrás da linha da bola praticamente o tempo todo. As americanas primeiro imprimiram um ritmo forte no primeiro tempo.

Depois, especialmente no final do primeiro tempo e no segundo, controlaram o jogo. Tocavam com paciência, sem pressa. Giravam a bola de um lado para o outro, até encontrar uma brecha: fosse para um chute de fora da área, um cruzamento, ou uma tabela. Criou chances assim e poderia ter feito até mais gols.

Christiane Edler, goleiraça

Christine Endler, do Chile (Getty Images)

Pode até parecer estranho destacar a goleira quando o jogo é 3 a 0 para a adverária, mas o que acontece é que Edler fez diferença em campo para impedir uma goleada. No segundo tempo, especialmente, a chilena travou um duelo com as americanas. Christen Press foi uma que teve algumas chances de finalização, chutou bem, mas foi parada pela goleira.

VAR polêmico e pênalti desperdiçado

A atacante Allie Long foi claramente agarrada na entrada da área, algo que a juíza não viu. Ela foi alertada pelo VAR e foi revisar o lance. A falta pareceu clara, mas fora da área. Alli Long começa a ser agarrada fora e termina caindo dentro da área. Olhando as imagens, a árbitra Riem Hussein, da Alemanha, apontou pênalti. Um pênalti bastante questionável, já que a falta pareceu mesmo fora da área. Na cobrança, Ccarli Lloyd bateu forte, com força e cruzado, mas mandou para fora.

Próximos jogos

No próximo dia 20, quinta-feira, a Suécia enfrenta os Estados Unidos, em Le Havre, enquanto a Tailândia enfrenta o Chile, em Rennes. O duelo entre Estados Unidos e Suécia deve ser bastante interessante. As duas estão classificadas, mas a Suécia pode brigar pelo primeiro lugar. As americanas, claro, são favoritas, mas o jogo deve dar uma dimensão um pouco melhor do nível técnico.

Melhor público da Copa

As americanas chamam tanto a atenção que conseguiram ter o jogo com maior público da Copa do Mundo Feminina até aqui: 45.594 pessoas, superando até a estreia da França, o time da casa, neste mesmo estádio em Paris, contra a Coreia do Sul. Aquele jogo no dia 7 de junho teve 45.261 pessoas no Parque dos Príncipes.

Ficha técnica

Estados Unidos 3×0 Chile

Local: Parque dos Príncipes, em Paris
Árbitra: Riem Hussein (Alemanha)
Gols: Carli Lloyd aos 11’/1T, Julie Ertz aos 26’/1T, Carli Lloyd aos 35’/1T (Estados Unidos)
Cartão amarelo: Lindsey Horan, Allie Long (Estados Unidos), Francisca Lara, Yessenia Huenteo, Su Helen Galaz (Chile)

Estados Unidos: Alyssa Naeher; Alexandra Krieger, Abby Dahlkemper (Emily Sonnett), Becky Sauerbrunn e Tierna Davidson; Morgan Brian, Julie Ertz (Jessica McDonald) e Lindsay Horan (Allie Long); Mallory Pugh, Carli Lloyd e Christen Press. Técnica: Jill Ellis

Chile: Christiane Endler; Su Helen Galaz, Carla Guerrero, Camila Saez e Javiera Toro; Francisca Lara (Daniela Pardo), Karen Araya e Claudia Soto (Paloma López); Daniela Zamora, Maria José Urritia (María José Urrutia) e Rosario Balmaceda. Técnica: Jose Letelier