A atual campeã da Copa do Mundo Feminina teve uma estreia dos sonhos. No jogo que fechou a primeira rodada da fase de grupos, os Estados Unidos foram protagonistas da segunda goleada do torneio, mas com um desequilíbrio muito maior do que se viu nos 4 a 0 da França sobre a Coreia do Sul. Uma goleada histórica diante da Tailândia, 13 a 0, a maior da história da competição – que é disputada desde 1991. Antes, a Alemanha tinha feito 11 a 0 sobre a Argentina, em 2007. Uma demonstração enorme de força logo na estreia da competição, sendo uma das favoritas a manter o título.

Brilho da craque

As americanas contaram com uma exibição de gala do time, contrastando com uma fragilidade enorme da Tailândia, uma equipe que foi despedaçada em campo pela força, organização e a voracidade da equipe americana. A craque do time, Alex Morgan, brilhou com cinco gols e já larga como uma candidata forte à artilharia.

Mais do que isso, vimos uma festa, com o time exibindo um enorme repertório ofensivo, ao mesmo tempo que se viu uma equipe tailandesa incapaz de se defender qualquer tipo de jogada americana. Praticamente qualquer ataque das campeãs do mundo era uma chance que iam se convertendo em gols.

Tanto que foram raros os momentos que as americanas perderam chances. Praticamente todas foram convertidas. Só no final, já com os 10 a 0 no placar, que Carli Lloyd desperdiçou uma chance. Mas ela mesma teria outra oportunidade para marcar e, assim, não desperdiçaria. A camisa 10, decisiva na final de 2015, foi marcou o seu também na estreia de 2019.

Desnível

Desde o primeiro toque na bola, o que já se via era a diferença de um universo entre as duas equipes. Não havia qualquer forma de comparar o que os dois eram capazes. Já na saída de bola, que foi dos Estados Unidos, fizeram uma jogada ensaiada, o que já mostra um preparo diferente da rival. O que chamou a atenção primeiro foi a organização das americanas, bem distribuídas em campo e sabendo o que estão fazendo. Depois, o trato carinhoso com a bola, desde o domínio até os excelentes fundamentos.

A Tailândia, por sua vez, não conseguia se defender minimamente. As asiáticas se colocaram bem atrás, afundadas na defesa, e mesmo assim davam muito, muito espaço. As americanas marcaram gols de várias formas diferentes. Pelo alto, por baixo, em cruzamentos, em bolas trabalhadas, chutes de fora, tabelas, enfim. Um repertório vasto de um lado, e um repertório quase nulo do outro. O duelo era tão desnivelado que parecia um time de escola jogando contra profissionais.

Choro das perdedoras

O segundo tempo teve 10 gols das americanas. As câmeras mostraram uma mãe, com uma criança no colo, que chorava. Em campo, as jogadoras tailandesas desabaram em lágrimas após o apito final. As jogadoras pareciam ainda mais desnorteadas do que se viu em campo, perdidas na marcação.

Chorando, as jogadoras tailandesas se alinharam, deram as mãos, e ainda com os rostos inchados de lágrimas, agradeceram aos torcedores presentes no estádio, que as aplaudiram. Saíram absolutamente destroçadas de campo. Uma derrota como essa é grande demais para aceitar e certamente é uma dor que essas jogadoras carregam para sempre.

Ficha técnica

Estados Unidos 13×0 Tailândia

Local: Stade Auguste-Delaune, em Reims
Árbitra: Laura Fortunato (Argentina)
Gols: Alex Morgan (5), Rose Lavelle (2), Samantha Mewis (2), Lindsey Horan, Megan Rapinoe, Mallory Pugh, Carli Lloyd (Estados Unidos)
Cartões amarelos:
Taneekarn Dangda (Tailândia)

Estados Unidos: Alyssa Naeher; Kelley O’Hara, Abby Dahlkemper, Julie Ertz (Mallory Pugh) e Crystal Dunn; Rose Lavelle (Carli Lloyd), Samantha Mewis e Lindsey Horan; Tobin Heath (Christen Press), Alex Morgan e Megan Rapinoe. Técnica: Jill Ellis

Tailândia: Sukanya Chor Charoenying; Warunee Phetwiset (Orathai Srimanee), Kanjanaporn Saekhun, Natthakam Chinwong e Sunisa Srangthaisong; Kanjana Sung-Ngoen, Wilaiporn Boothduang (Pikul Khueanpet), Ainon Phancha, Silawan Intamee e Rattikan Thongsombut (Taneekarn Dangda); Miranda Nild. Técnico: Nuengrutai Srathongvian