O futebol paraguaio anda em alta. A campanha praticamente perfeita dos representantes do país na Copa Libertadores deixa o bom trabalho em evidência. E mesmo que seja o “pior” do trio de ferro no torneio continental, com duas vitórias e dois empates, o Olimpia manda na liga nacional. É o atual bicampeão e tem tudo para emendar o tricampeonato, algo que não acontece com o clube desde a virada do século. Neste sábado, os franjeados dispararam na liderança do Apertura ao derrotarem o Cerro Porteño por 3 a 1 no clássico. Simbólico no vice-campeonato da Libertadores em 2013, Alejandro Silva foi o grande protagonista da partida. Saiu do banco logo aos 20 minutos, substituindo um companheiro lesionado, marcou um gol logo na sequência e participou dos outros dois. Ótimo acréscimo ao elenco de Daniel Garnero, após deixar o Lanús.

A tarde contou com o brilho de ambas as torcidas nas arquibancadas. Durante a entrada dos times, as cores tomaram o anel principal do Defensores del Chaco. Em estádio dividido, como acontece sempre no Dérbi de Assunção, o clima era trepidante. Bandeirões foram estendidos nos setores atrás dos gols, enquanto a devida festa sul-americana se reproduzia com fumaça, balões e outros apetrechos tradicionais. Mas, ao final, a cantoria dos olimpistas seria bem mais alta sobre os rivais.

Quando a bola rolou, o Cerro Porteño até tentou dar certo trabalho ao Olimpia, sem sucesso. Os alvinegros abriram o placar aos 21 minutos, num chute forte de Alejandro Silva, após presentaço de William Mendieta. Nelson Haedo Valdez respondeu logo depois, empatando em cobrança de pênalti. Já no segundo tempo, Roque Santa Cruz deu o ar de sua graça. Silva carimbou a trave e, no rebote, o artilheiro não perdoou, vencendo o goleiro Rodrigo Múñoz a 15 minutos do fim. E o tento final, com assistência de Silva, resultou em um voleio maravilhoso de Tabaré Viúdez. Estava sozinho na área e executou a acrobacia perfeita.

O Olimpia chega aos 40 pontos no Apertura. Abre sete de vantagem em relação ao Cerro Porteño, com mais cinco jogos restantes aos rivais. As chances do tricampeonato são imensas. E talvez tenha seus desdobramentos na Libertadores, permitindo que as equipes se concentrem nestes momentos decisivos da competição continental. Abaixo do radar por não enfrentar (e vencer) brasileiros como Libertad ou Cerro, o Rey de Copas também merece respeito.