A Copa da Itália reserva alguns dos capítulos mais gloriosos da Atalanta. A um clube acostumado a transitar em posições intermediárias da Serie A, os mata-matas nacionais oferecem a grande chance de glória, caminho aberto para derrubar gigantes e sonhar alto. É um torneio que reaviva a própria tradição dos nerazzurri, e acaba guardando mais um capítulo especial nesta temporada. Campeã em 1963, a Dea disputará sua quarta final na competição. Já vinha protagonizando boas campanhas nos últimos anos, mas não com tamanho sucesso. Nesta quinta-feira, o Estádio Atleti Azzurri d’Italia comemorou a vitória por 2 a 1 sobre a Fiorentina, que consumou o feito da equipe de Gian Piero Gasperini. Diante do trabalho consistente e do futebol ofensivo exibido pelo time, a chance de reerguer a taça é o reconhecimento para marcá-lo definitivamente na história.

O primeiro duelo das semifinais, no Artemio Franchi, já havia rendido uma partida eletrizante. As duas equipes empataram por 3 a 3, em noite que não permitiu piscar os olhos. O ritmo não seria tão intenso nesta quinta, mas igualmente o Atleti Azzurri d’Italia recebeu um belo confronto. E a Atalanta, por mais que tenha construído uma vantagem interessante pelos gols fora de casa, arrancaria a virada para confirmar seu direito rumo à final.

Antes disso, porém, a Dea passaria um susto. A Fiorentina conseguiu abrir o placar com menos de três minutos. Os contra-ataques da equipe já tinham causado problemas à Juventus no final de semana e se mostraram fatais, outra vez. Federico Chiesa acertou um passe cirúrgico entre os zagueiros e facilitou a vida de Luis Muriel. O colombiano saiu de frente para o gol e não teve problemas para marcar, tocando na saída do goleiro Pierluigi Gollini. Necessitando da vitória, a Viola começava a fazer o seu trabalho. E os visitantes ameaçariam mais algumas vezes, criando boas chances nos primeiros minutos.

A Atalanta recobrou a segurança pouco depois, graças a um pênalti sofrido por Papu Gómez. Marcação indiscutível, que permitiu a Josip Ilicic empatar aos 14 minutos. A igualdade levou os anfitriões a controlarem o jogo, por mais que a Fiorentina representasse um perigo constante nos contragolpes. Gollini faria grande defesa no início do segundo tempo, antes que o time de Gasperini impusesse sua pressão. Foram várias chances da Dea, com Duván Zapata e Mario Pasalic ficando no quase. Por fim, a virada se consumou aos 24 minutos, em chute cruzado de Papu Gómez que entrou graças a uma falha clamorosa de Alban Lafont. O goleiro tentou encaixar a bola rasteira e acabou mandando pra dentro. Neste momento, a Viola precisava de mais dois gols e pouco conseguiu produzir para evitar a eliminação.

A classificação em cima da Fiorentina teve um gostinho especial à Atalanta. Afinal, em sua última decisão na Copa da Itália, a Dea havia sucumbido justamente à Viola de Gabriel Batistuta, em 1996. A Lazio será a adversária desta vez, no Estádio Olímpico. Uma nova ocasião memorável aos nerazzurri, que certamente exibirão seu fanatismo. “É um sentimento enorme. Este era nosso objetivo e, quando eliminamos a Juve, o troféu se tornou tudo em que pensávamos. Queremos levar a cidade de Bérgamo inteira a Roma”, declarou um empolgado Papu Gómez, ao apito final. E os fiéis pela Atalanta devem invadir a capital. Em uma temporada na qual ainda sonham com a vaga na Champions, o título seria a mais digna coroação ao clube.